O preso político Jorge Bello Domínguez está há dois meses sem receber medicamentos para diabetes e hipertensão na prisão de máxima segurança de Guanajay, na província de Artemisa.
“Ela me disse que ainda não recebeu a insulina”, denunciou Martí Noticias Martha Domínguez, mãe do preso político.
"Faz meses que ele está sem medicamentos desde que foi levado para essa prisão vindo do Combinado", acrescentou.
O jornalista independente precisa desse medicamento pelo menos duas vezes ao dia e também de seus comprimidos para a pressão.
A mãe do preso do 11J está “muito preocupada” com a situação do seu filho, que no Combinado sofreu de uma angina de peito pela qual não recebeu tratamento.
“A pouca medicina que conseguimos é comprando com nossos esforços na rua”, disse a mulher.
Domínguez também denunciou a má alimentação no presídio: “Picaçã de inhame com um pouco de água e isso é o que estão dando aos presos”.
“Ele é um homem doente que necessita de alimentação e medicação que não existem... A maioria dos presos políticos que estão passando por isso lá é desoladora”, acrescentou.
Em março passado, após denunciar as más condições no Combinado del Este, o também promotor de Cuba Decide foi transferido para a prisão de Guanajay.
O ativista de 48 anos cumpre uma condenação de 15 anos por sabotagem continuada, roubo com força, distúrbios públicos e desacato, por sua participação no dia 11 de julho de 2021 em Güira de Melena.
Irregularidades no julgamento
Bello foi condenado em um julgamento repleto de irregularidades, onde o tribunal prestou atenção apenas aos testemunhos apresentados pela Fiscalia Militar de Artemisa.
Durante o julgamento oral, Bello questionou as declarações do major Arisdelbis Pupo Amaro, que não conseguiu precisar o momento e o local exatos em que ocorreu o suposto desacato do jornalista.
Yuleydi López González, esposa do repórter, afirmou que as autoridades nunca levaram em conta a suposta inocência de seu marido e do restante dos manifestantes julgados neste 8 de abril por protestar na localidade de Güira de Melena, província de Artemisa.
De acordo com López González, outro oficial questionou o testemunho de Pupo Amaro sobre sua participação nos acontecimentos e, no entanto, essas declarações não aparecem registradas no documento oficial do julgamento.
A esposa de Bello Domínguez acrescentou que o tribunal já tinha a pena clara desde o início, com base no que foi declarado por Freddy Luis Díaz García, outro acusado que mentiu sobre as ações do jornalista independente. Díaz García receberá menos anos de privação de liberdade em virtude de sua colaboração com a Segurança do Estado.
Além disso, mencionou que, na própria sentença, os juízes e promotores reconheceram a falta de evidências físicas para impor uma condenação ao repórter e que, mesmo assim, decidiram impor uma sanção arbitrária baseada apenas em depoimentos de pouca solidez e veracidade.
“Basta já de mentiras, aqui a Jorge Bello Domínguez ninguém pagou nem ele iniciou a manifestação”, acrescentou López González, que também criticou o fato de as autoridades terem ignorado o comportamento de Díaz García, verdadeiro instigador e promotor dos atos violentos e do roubo na La Imprenta, loja em Moeda Livremente Conversível.
Explicou também que os vizinhos de Güira de Melena não concordam com a severidade com que julgaram seu esposo. De acordo com a Segurança do Estado, estes haviam feito péssimas opiniões sobre o jornalista independente, o que também foi desmentido durante o processo penal.
Perguntas frequentes sobre a situação dos presos políticos em Cuba
Quais problemas de saúde Jorge Bello Domínguez enfrenta na prisão?
Jorge Bello Domínguez está há dois meses sem receber medicamentos essenciais para tratar sua diabetes e hipertensão na prisão de Guanajay. Sua condição médica requer insulina e comprimidos para a pressão diariamente, mas ele não teve acesso a esses tratamentos, o que coloca em sério risco sua saúde.
Por que Jorge Bello Domínguez foi condenado?
Jorge Bello Domínguez foi condenado a 15 anos de prisão por crimes de sabotagem contínua, roubo com força, desordens públicas e desacato, relacionados com sua participação nas manifestações de 11 de julho de 2021 em Güira de Melena. O julgamento esteve repleto de irregularidades, onde as declarações da defesa foram ignoradas e se baseou principalmente em testemunhos de duvidosa solidez fornecidos pela Fiscalia Militar.
Como são as condições de alimentação na prisão de Guanajay?
A alimentação na prisão de Guanajay é deficiente, segundo denúncias da mãe de Jorge Bello Domínguez. Os presos recebem refeições escassas, como inhame com água, o que é inadequado para satisfazer as necessidades nutricionais dos reclusos, especialmente daqueles com condições médicas como Bello.
Que outras situações enfrentam os prisioneiros políticos do 11J em Cuba?
Além de Jorge Bello Domínguez, outros prisioneiros políticos do 11J, como Alexander Díaz Rodríguez e Dixan Gaínza Moré, enfrentam situações críticas. A falta de atendimento médico adequado é uma constante, e muitos sofrem de doenças graves sem receber tratamento. As condições carcerárias são severas, com surtos de doenças e negligência médica generalizada, o que tem causado mortes e o deterioro da saúde de numerosos detentos.
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