Irmãs, manifestantes do 11J, correm risco iminente de serem deportadas dos EUA para Cuba

Mariana de la Caridad Fernández León e Yaneris Redondo León foram condenadas a 4 anos de trabalho corretivo e a 7 de prisão, respectivamente, por um tribunal cubano que as acusou de atentado, desacato e desordens públicas. Elas escaparam da Ilha em balsa

Yaneris Redondo León e sua irmã Mariana de la Caridad Fernández León, ao chegarem a Miami em 2022.Foto © Imagens do Telemundo 51

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As irmãs Mariana de la Caridad Fernández León e Yaneris Redondo León, manifestantes do 11 de julho, foram condenadas em Havana a 4 anos de trabalho corretivo e 7 anos de prisão, respectivamente, pelos crimes de atentado, desacato e desordens públicas. Agora, nos Estados Unidos, ambas correm "risco iminente" de serem deportadas para Cuba pela Administração Trump, conforme informou na rede social X (antes Twitter) o perfil Justiça 11J Detenções por Motivos Políticos.

"A nós fizeram um julgamento e ficamos esperando pela sentença. Pensávamos que tudo ia ficar bem, mas no final nada mudou e foi aí que decidimos agir", relata Mariana Fernández León em declarações ao canal AmericaTeVe, após chegar aos Estados Unidos.

Ambas irmãs escaparam da Ilha em uma balsa e, após 16 horas de travessia, tocaram o solo americano em 13 de novembro de 2022. A embarcação, que partiu de Cojímar com 42 pessoas a bordo, encalhou nos Cayos Marquesas (a 50 quilômetros a oeste de Key West). Mariana, que na época das manifestações tinha 18 anos, foi hospitalizada ao chegar, após sofrer um colapso renal. Sua irmã mais velha, Yaneris Redondo, foi detida e depois liberada com um documento I-296, equivalente a uma ordem expedita de deportação, embora com possibilidades de defender um asilo político.

"Regressar a Cuba seria deixá-las sem vida", admitiu entre lágrimas a mãe delas, Yosima León, em declarações à Telemundo51 após a chegada de suas duas filhas aos Estados Unidos. León vive em Miramar (Broward) e recebeu suas filhas com ela. Além disso, buscou assessoria jurídica com o renomado escritório de Willy Allen, advogado que toda segunda-feira, às 11h (de Miami) esclarece dúvidas de Imigração para o público da CiberCuba.

Agora Mariana e Yaneris correm o risco iminente de serem devolvidas à Ilha, onde suas condenações continuam vigentes, pelo que com total certeza descerão do avião e serão conduzidas diretamente à prisão. Isso, segundo o perfil de X de Justiça 11J, viola o princípio de 'non-refoulement', que proíbe devolver pessoas a países onde estão sujeitas a perseguições, torturas e a serem submetidas a tratamentos desumanos ou degradantes, mesmo que lhes seja negado o pedido de asilo.

Para Justicia 11J, a situação é "extremamente grave" e a ameaça de deportação é real "apesar dos riscos documentados —represálias, reencarceramento e múltiplas formas de maus-tratos e torturas—" que as duas irmãs enfrentam caso sejam enviadas de volta a Cuba.

Desde Justicia 11J, fizeram um apelo urgente ao Governo e aos sistemas judicial e migratório dos Estados Unidos para que parem a tentativa de deportação das duas irmãs.

"Aos organismos internacionais de direitos humanos: ativem os mecanismos de proteção internacional. Ao exílio cubano e à sociedade civil internacional: amplifiquem esta denúncia e somem seu apoio. A causa de Mariana e Yaneris é legítima. Elas têm sido coerentes em sua defesa da liberdade de Cuba. Desde o exílio, continuam a denunciar as violações de direitos humanos do regime cubano em meios de comunicação, marchas e atos públicos, o que agrava ainda mais sua possível nova permanência em prisões da Ilha."

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Tania Costa

(Havana, 1973) vive na Espanha. Ela dirigiu o jornal espanhol El Faro de Melilla e FaroTV Melilla. Foi chefe da edição de Murcia do 20 minutos e assessora de Comunicação da Vice-Presidência do Governo de Múrcia (Espanha).