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O Governo cubano e o Clube de Paris concordaram em modificar seu acordo de renegociação da dívida do país caribenho, que atualmente se encontra em situação de calote, informou nesta quinta-feira a agência estatal Prensa Latina, sem oferecer mais detalhes.
Durante sua viagem à França, Ricardo Cabrisas, vice-primeiro-ministro de Cuba e habitual negociador de sua dívida externa, se reuniu com Emmanuel Moulin, diretor-geral do Tesouro e presidente do chamado Clube de Paris, que agrupa 14 países, para acordar essas novas condições.
As delegações presididas por ambos decidiram "introduzir adequações ao mecanismo assinado em 2015", indicou o relatório da Prensa Latina, sem fornecer mais detalhes sobre o conteúdo do novo acordo.
O acordo surgiu após a visita a Cuba em maio de uma missão técnica do grupo de credores.
O meio estatal, que citou fontes diplomáticas em Paris, destacou que "as negociações ocorreram em um clima construtivo e de compreensão mútua".
Um comunicado posterior assinado em conjunto pelo governo cubano e pelo grupo de credores afirma que o acordo "concede um prazo suplementar à República de Cuba para liquidar vários pagamentos de dívida de acordo com o acordo de 2015, mantendo o valor atual desses montantes", segundo precisaram em uma nota
Cabrisas atribuiu os impagos ao "recrudescimento sem precedentes do bloqueio econômico, comercial e financeiro dos Estados Unidos e ao impacto de fenômenos associados às mudanças climáticas e à pandemia da COVID-19".
Cuba firmou em 2015 um acordo histórico com o Clube de Paris, que cancelou 8,5 bilhões de dólares de uma dívida total de 11 bilhões, com o compromisso de pagar em parcelas o montante restante até 2023.
O país caribenho descumpriu parcialmente suas obrigações em 2019, e em 2020 declarou-se incapaz de assumir a parcela na totalidade, que era de 85 milhões.
Por isso, solicitou uma moratória de dois anos para um total de cerca de 200 milhões em pagamentos atrasados ao organismo multilateral, que aceitou apenas um ano com a possibilidade de renegociar.
No comunicado conjunto, ambas partes confirmaram "sua vontade de preservar o acordo de 2015 e seu compromisso de garantir a plena aplicação desse acordo" que "permitiu uma normalização das relações financeiras".
Quanto à dívida com os credores privados, gerida pelo Clube de Londres, o fundo de investimento CRF I Ltd - que possui a maior parte (1,5 bilhões de dólares) - fez recentemente uma proposta de reestruturação com um desconto de 60% ao presidente Miguel Díaz-Canel, em uma carta que ficou sem resposta.
Cuba, mergulhada em uma profunda crise econômica, prevê para este ano um déficit fiscal equivalente a 18% do seu PIB, que em 2020 encolheu 11% após o turismo estrangeiro ter sido reduzido a mínimos devido à pandemia e, em 2021, espera recuperar apenas metade do que foi perdido, de acordo com cifras oficiais.
A modificação do acordo coincidiu com o anúncio de que o sistema bancário cubano deixará de receber dólares em espécie.
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