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O presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski, reafirmou que seu país não cederá nenhum território à Rússia e anunciou que está preparando um novo plano de paz com o apoio dos líderes europeus, em meio às negociações impulsionadas por Washington para pôr fim a mais de três anos de guerra.
“Ucrânia não tem o direito de dar nada, nem sob a lei nacional, nem internacional, nem moral”, declarou o mandatário durante uma reunião em Londres com o primeiro-ministro britânico, Sir Keir Starmer; o presidente francês, Emmanuel Macron; e o chanceler alemão, Friedrich Merz.
Zelenski insistiu que qualquer concessão territorial "colocaria em risco a soberania do país e a segurança futura da Europa", em resposta às pressões da administração de Donald Trump, que busca fechar um acordo de paz com o Kremlin antes do final do ano.
O primeiro rascunho do plano, vazado semanas atrás, foi rejeitado por Kiev e por várias capitais europeias por incluir exigências russas, como a cessão da região do Donbass e o compromisso da Ucrânia de não se juntar à OTAN.
Segundo fontes diplomáticas citadas pela agência Interfax-Ucrânia, a nova versão reduziria o documento de 28 para 20 pontos, mas mantém intactas as posições "pró-ucranianas".
Zelenski confirmou que sua equipe enviará uma proposta revisada à Casa Branca nos próximos dias e assegurou que tem mantido “conversas construtivas, embora difíceis”, com o enviado de paz americano Steve Witkoff e Jared Kushner, genro do presidente Trump.
Após o encontro em Londres, o líder ucraniano viajou a Bruxelas para se reunir com o secretário geral da OTAN, Mark Rutte, e com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, em busca de apoio político e econômico para seu plano. Nesta terça-feira, Zelenski também teve outra reunião com a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni.
Além disso, durante sua turnê europeia, Zelensky foi recebido em audiência pelo papa Leão XIV no Vaticano, onde agradeceu a "constante oração pela Ucrânia e pelo seu povo", assim como os apelos do pontífice por uma "paz justa".
O mandatário informou ao Papa sobre os esforços diplomáticos com os Estados Unidos para alcançar um acordo e destacou a disposição da Santa Sé em ampliar suas missões humanitárias, especialmente na mediação para o retorno das crianças ucranianas sequestradas pela Rússia.
"Convidei o Santo Padre a visitar a Ucrânia; seria um poderoso sinal de apoio para o nosso povo", escreveu o presidente na rede social X.
Enquanto isso, os combates continuam na frente oriental. Moscou afirmou ter tomado a estratégica cidade de Pokrovsk, em Donetsk, embora Kiev tenha desmentido a versão, mostrando imagens de suas tropas ainda em combate.
O chefe do Estado-Maior russo, Valeri Gerásimov, afirmou que as forças do Kremlin estão avançando em direção a Myrnohrad, enquanto a Ucrânia denuncia ataques com drones e mísseis contra infraestruturas elétricas no norte e no oeste do país.
Zelenski reiterou que qualquer modificação das fronteiras ucranianas deverá ser submetida a um referendo nacional e advertiu que “ceder território seria trair os soldados e os cidadãos que resistem desde 2022”.
"Queremos a paz, mas não a qualquer custo", sublinhou o presidente ucraniano, enquanto a Europa se posiciona como seu principal aliado diante das pressões de Washington e das exigências do Kremlin.
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