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O preço da carne bovina nos Estados Unidos continua aumentando com força e já registra uma alta de 14,7% em relação ao ano anterior, segundo os dados mais recentes do Índice de Preços ao Consumidor (CPI) citados por CNBC.
O aumento, de acordo com a reportagem, contrasta com a alta média de 3,1% na categoria de alimentos, o que confirma que os consumidores estão enfrentando uma pressão muito maior nesse produto.
A raiz do fenômeno -expôs o site de notícias- está em uma combinação de fatores que afetam diretamente a oferta: a nação começou 2025 com a menor quantidade de gado desde 1951, um nível historicamente baixo associado à contração do chamado “ciclo pecuário”.
Neste processo natural —que flutua a cada 8 a 12 anos— os produtores decidem se retêm fêmeas para reprodução ou se as enviam ao mercado. Com os preços atuais e a alta demanda, muitos pecuaristas optaram por vender, aprofundando o déficit de animais disponíveis.
A esta dinâmica se acrescenta o impacto persistente de vários anos de seca severa, que limitou a produção de pasto, feno e alfafa, obrigando os pecuaristas a investir em ração suplementar.
Embora os grãos tenham caído de preço desde 2022, continuam a ser uma despesa inesperada e significativa em um contexto onde os custos operacionais do setor aumentaram mais de 50% nos últimos cinco anos, segundo a American Farm Bureau Federation.
Importações, doenças e tarifas também pressionam o mercado
O cenário, segundo o referido meio de comunicação americano, se complica ainda mais por fatores externos. As importações de carne — importantes sobretudo para a produção de carne moída — enfrentam dificuldades adicionais. O Brasil lida com um ambiente tarifário em mudança e o México com surtos de doenças parasitárias no gado, o que reduz a oferta internacional e pressiona ainda mais os preços para cima nos EUA.
Apesar da redução do rebanho nacional, a produção total de carne aumentou levemente devido ao fato de que os exemplares enviados ao abate são maiores do que em anos anteriores. No entanto, especialistas apontam que essa estratégia não é sustentável a longo prazo e que a verdadeira solução está em reconstituir a população de gado do país.
Quando poderiam baixar os preços?
Especialistas alertam que a estabilização não será imediata. Se os produtores começarem a reter fêmeas para reprodução —um passo crucial para reconstruir a oferta— a disponibilidade de carne diminuirá ainda mais no curto prazo, mantendo os preços elevados.
Somente após aproximadamente três anos, quando as novas gerações de gado entrarem no sistema, deverá começar a observar-se uma redução gradual nos preços tanto do gado quanto da carne ao consumidor.
Enquanto isso, empresas como Omaha Steaks já reconhecem que o custo da matéria-prima está alcançando níveis insustentáveis e que, eventualmente, podem repassar parte do aumento aos consumidores. Para as famílias americanas, isso significa que o "sticker shock" no supermercado com a carne de boi pode se prolongar por mais tempo do que o previsto.
Cero inflação, segundo Donald Trump
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou na terça-feira passada que seu governo conseguiu detener a inflação e que o país está “muito perto de alcançar um nível perfeito” de estabilidade econômica.
“Desde janeiro, desaceleramos a inflação drasticamente, e ainda há mais a fazer, mas a reduzimos a um nível muito bom. (...) Em breve estará em um nível perfeito. Herdamos a pior inflação”, disse, referindo-se ao governo democrata de Joe Biden.
As declarações foram na reunião de gabinete do passado dia 2 de dezembro, quando o mandatário afirmou que sua Administração herdou uma inflação descontrolada, por isso defendeu as medidas econômicas que, segundo disse, permitiram estabilizar os preços e fortalecer o poder de compra das famílias americanas.
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