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O regime de Havana assegurou na tarde desta quarta-feira que todas as províncias foram reconectadas ao Sistema Elétrico Nacional (SEN) após o apagão massivo a nível regional, mas os relatos de cidadãos confirmam que as afetações continuam, em meio a um déficit de geração que mantém o país mergulhado em apagões praticamente permanentes.
O Ministério de Energia e Minas (MINEM) publicou no X que “todas as províncias estão conectadas ao SEN”, depois de que anteriormente o ocidente havia sofrido um apagão geral que deixou sem serviço territórios desde Pinar del Río até Cienfuegos, conforme informado em pelo jornalista oficialista Lázaro Manuel Alonso.
A Unión Eléctrica (UNE) afirmou estar investigando as causas da desconexão parcial do sistema, embora não tenha especificado a hora exata do incidente. Em seu boletim mais recente, das 19h, a empresa estatal reconheceu uma disponibilidade de apenas 1.389 MW em relação a uma demanda de 3.329 MW, um déficit significativo de 1.972 MW que explica por que, mesmo "conectadas", as províncias continuam sem energia.
Um SEN à beira do colapso: mais apagões, mais déficit e mais avarias
A situação energética do país continua a se deteriorar: na segunda-feira, o déficit de geração superou os 2.000 MW, com afetos nas 24 horas do dia.
Na jornada anterior, foram registrados problemas na unidade 2 de Felton e na unidade 3 de Renté, esta última sincronizada apenas no final da tarde.
Várias unidades continuam em manutenção: Mariel 5, Santa Cruz 2, Cienfuegos 4, além da planta de gás da Energás Puerto Escondido.
A crise também afeta a geração distribuída: 102 centrais ficaram paralisadas por falta de combustível (914 MW fora de serviço), enquanto outros 72 MW não funcionaram devido à escassez de lubrificantes.
A Havana sem fôlego
Na capital, a Empresa Eléctrica publicou durante semanas programas diários de interrupções que raramente são cumpridos porque o déficit supera o planejado. Os usuários estão há dias sem uma jornada completa de estabilidade.
Uma crise crônica: cinco apagões nacionais em menos de um ano
O país já sofreu cinco apagões nacionais no último ano, um sintoma da fragilidade extrema do SEN e da incapacidade do governo de reverter uma crise que afeta diretamente a economia, os serviços básicos, a alimentação e a vida cotidiana.
Há apenas algumas semanas, uma falha massiva deixou sem eletricidade a região oriental, afetando também o ocidente após o disparo da linha de 220 kV Nuevitas–Tunas, que desconectou completamente o sistema de Las Tunas até Guantánamo.
Reconectadas… mas apagadas
Embora o MINEM insista que “todas as províncias estão conectadas”, a realidade é que Cuba continua sem energia. A reconexão técnica não significa um serviço estável nem disponibilidade suficiente para atender à demanda.
A crise energética continua sendo um dos problemas mais graves do país, sem uma solução a curto prazo e com um sistema cada vez mais deteriorado.
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