Imagens que perturbam: denunciam condições deploráveis no hospital de Contramaestre



O Hospital Geral Orlando Pantoja Tamayo em Contramaestre enfrenta denúncias de insalubridade e corrupção, com banheiros colapsados, falta de recursos e supostos desvios de fundos, refletindo a crise sanitária em Cuba.

Condições deploráveis no hospital de ContramaestreFoto © Facebook / Yois Ramos

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Uma denúncia publicada em Facebook pelo cubano Yois Ramos expôs com imagens o deterioro e a falta de higiene no Hospital Geral Orlando Pantoja Tamayo, do município de Contramaestre, em Santiago de Cuba, onde se observam banheiros colapsados, sujeira acumulada e condições que refletem o grave deterioro do sistema de saúde na ilha.

Em sua mensagem, Ramos - que, segundo informações de seu perfil, é criador digital, originário de Santiago de Cuba e residente em Miami - descreveu a situação como “terrorismo contra o povo”, afirmando que não são necessárias bombas nem guerra para destruir os cubanos, porque “eles mesmos, a ditadura, se dão o autogolpe”. O denunciante assegurou que o centro médico “é o reflexo da podridão comunista e de um sistema que chegou, para se salvar, a matar seu próprio povo”.

Ramos enumerou uma lista de deficiências: “sujeira, infiltrações, vermes, banheiros em total precariedade, falta de manutenção, falta de higiene, baratas e ratos”. Ele disse que essas condições representam a verdadeira face da saúde pública no município: “Salvar vidas ou matar pessoas, qual será a função?”.

Segundo a publicação, o hospital carece de medicamentos, comida, água, macas e ambulâncias. “Roupas de pacientes em total ruptura e desperdício”, escreveu, sublinhando que nem mesmo os profissionais de saúde —a quem descreveu como “bons, mas abandonados”— dispõem dos recursos mínimos para trabalhar.

Facebook / Yois Ramos

O denunciante também se referiu a supostos casos de corrupção e malversação: “Um computador avaliado em mais de 2 milhões de pesos aprovado por finanças e preços, medicamentos e tanques de álcool encontrados em armazéns para a venda ilícita, utilização do orçamento do hospital para peças do carro do diretor e comida desviada para negócios particulares”. Segundo Ramos, todos esses fatos foram detectados em auditorias internas, mas “os responsáveis se lavaram as mãos”.

A publicação foi acompanhada por várias fotografias e um vídeo onde se podem ver banheiros destruídos, sujos e com resíduos acumulados, confirmando visualmente as denúncias. Nas imagens, também é possível observar paredes manchadas, portas enferrujadas e lavatórios cobertos de dejetos.

Facebook / Yois Ramos

No texto, o autor questionou a falta de ação das autoridades: “Para onde acudir se os responsáveis não agem, se os responsáveis roubam, se os responsáveis escondem a verdade?” e concluiu com um aviso ao regime: “O povo que espere, que sofra, que agonize. Ainda podemos tê-los 62 milênios. Ou ao que chegar em emergência, dê-lhe uma dipirona.”

Indignação cidadã

A publicação gerou dezenas de comentários de repúdio. Usuários qualificaram as imagens como “um desastre total” e “uma vergonha para o país”. Um escreveu que se trata de “uma fachada para mostrar ao mundo que Cuba continua sendo uma potência médica quando todos sabem que é um total desastre”.

Outros apontaram que o hospital “parece um criadouro de percevejos”, enquanto alguns afirmaram que “é melhor morrer em casa do que em tanta podridão”. Também houve aqueles que destacaram a responsabilidade do governo local: “Quando um município permite que seu hospital se deteriore, também permite que a vida se deteriore”.

Entre as reações, repetem-se frases como “que horror”, “falta de respeito total” ou “pura realidade cubana”. Alguns lembraram que as condições de outros hospitais do país são semelhantes e que “assim está o hospital de Mayarí, em Holguín”. Outros denunciavam a falta de pessoal de limpeza, o abandono institucional e a indiferença oficial diante de um problema que qualificaram como “crime contra o povo”.

Uma usuária resumiu o sentimento geral: “O povo não faz nada, cala e esquece os valentes do 11 de julho. Por isso continuamos assim, aguentando entre a miséria e a doença”.

Denúncias similares em Santiago de Cuba

As condições do hospital de Contramaestre se somam a uma série de denúncias recentes sobre outros centros de saúde da província. No Hospital Juan Bruno Zayas, pacientes e familiares relataram banheiros quebrados, corredores alagados e áreas sem manutenção. No Hospital Infantil Norte “La ONDI”, mães denunciaram a falta de água, a presença de percevejos e longas esperas no pronto-socorro.

Ambos os casos revelam um deterioro sistemático nos hospitais de Santiago de Cuba, onde a escassez de recursos, a falta de higiene e a negligência estrutural se tornaram parte do dia a dia.

Escassez de medicamentos e desvios

A falta de medicamentos é outro elemento que agrava a crise sanitária. Um operativo policial em Morón contra a venda ilícita de fármacos provocou rejeição nas redes sociais, onde os cubanos questionaram a abordagem do governo: “Perseguem os que vendem remédios na rua, mas não abastecem as farmácias”, comentou um internauta. A denúncia de Contramaestre coincide com essas reclamações, ao apontar que muitos medicamentos “são vendidos no Revolico porque as pessoas se viram para não morrer”.

Brote epidêmico e colapso sanitário

As denúncias surgem em plena crise epidemiológica. Cuba enfrenta um surto de dengue e chikungunya que, segundo dados oficiais recolhidos por meios estatais, já causou 33 mortes —a maioria delas de menores— e mais de 38 mil contágios em todo o país. Santiago de Cuba continua entre as províncias mais afetadas. Paralelamente, o número de pacientes em terapia intensiva por arbovirose continua a aumentar, segundo relatórios recentes, o que confirma que o sistema de saúde está sobrecarregado e sem capacidade de resposta.

A combinação de falta de higiene hospitalar, corrupção, escassez de medicamentos e epidemias reflete o colapso de um sistema que um dia foi considerado “potência médica” e que hoje mal sobrevive entre a carência e a desconfiança.

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