Cirurgia suspensa por desabamento no centro cirúrgico: O inferno que vive um renomado médico de Camagüey



O prestigioso doutor Castor San Quintín de Camagüey sofreu um calvário após fraturar o quadril. A precariedade do sistema de saúde cubano se evidencia nas demoras e em uma sala de cirurgia em ruínas.

Castor San Quintín MuñozFoto © Facebook / José Luis Tan Estrada

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O doutor Castor San Quintín Muñoz, chefe de Radiologia do Hospital Pediátrico de Camagüey e formador de gerações de médicos na província, vive um autêntico pesadelo hospitalar.

Após sofrer uma fratura de quadril, ficou preso em um circuito de atrasos, precariedade extrema e riscos evitáveis dentro do próprio sistema de saúde ao qual dedicou sua vida, conforme denunciou o jornalista independente José Luis Tan Estrada.

Tan Estrada descreveu o especialista como um “professor de professores”, guia acadêmico e referência para centenas de estudantes que hoje exercem graças ao seu rigor e dedicação.

Sin embargo, sublinhou que nem seu prestígio nem sua trajetória foram suficientes para protegê-lo do colapso que vive a saúde camagüeyana, tornando-se agora na sua própria carne o calvário que enfrenta após seu acidente.

Tudo começou quando o médico sofreu uma queda que lhe causou uma fratura no quadril.

Captura do Facebook

A partir daquele momento, o que deveria ser uma atenção rápida e organizada se transformou em um verdadeiro calvário: o médico teve que esperar horas por uma ambulância para ser transferido e internado na Sala de Ortopedia do Hospital Provincial de Camagüey, onde ficou à espera da cirurgia corretiva, posicionado como o terceiro paciente na lista cirúrgica, conforme o relato do jornalista.

Quando finalmente chegou o momento de intervir, já bsob os efeitos da anestesia, ocorreu o que seus colegas classificaram como “o inconcebível”.

Um pedço do teto da sala de cirurgia cedeu e caiu dentro da área estéril, contaminando-a completamente.

Tan Estrada relata a reação alarmada da equipe médica, que se perguntava o que teria acontecido se o cirurgião já tivesse começado a operar.

“Imagine que já o tivessem aberto”, relatam, em alusão ao risco de uma infecção grave ou de uma tragédia maior.

A operação teve que ser suspensa imediatamente, e a intervenção foi adiada para segunda-feira, sem que —de acordo com a denúncia— fossem oferecidas alternativas claras ou garantias concretas ao paciente, que ficou novamente à espera em uma sala que não reúne condições adequadas.

Longe de melhorar, a situação se degradou ainda mais com o passar das horas.

Uma forte chuva à tarde transformou a entrada do médico em um episódio que Tan Estrada descreve como um ato de indignaçã.

O médico acabou se molhando dentro do próprio hospital, recluso em um cubículo em condições deploráveis, impróprias para qualquer paciente e “ainda mais inadmissíveis tratando-se de um médico que dedicou toda a sua vida ao serviço público”.

Para o jornalista, o caso do doutor Castor San Quintín é muito mais do que um incidente pontual: expõe a desproteção e a perigosa precariedade que marcam hoje o sistema de saúde cubano, e dói especialmente porque demonstra que nem mesmo seus melhores profissionais —os que sustentaram hospitais, salas de aula e plantões durante décadas— estão a salvo do abandono institucional.

Tan Estrada sustenta que o que este reconhecido especialista enfrenta hoje requer respostas e ações imediatas, não apenas em termos de infraestrutura —reparar telhados, assegurar salas de cirurgia, garantir ambulâncias—, mas também em termos de dignidade humana e respeito.

A seu ver, o país não pode se dar ao luxo de continuar tratando seus médicos “como se fossem dispensáveis”, e o calvário do doutor Castor San Quintín tornou-se um símbolo doloroso desse deterioro.

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