O que Maduro implorou a Trump em uma ligação telefônica: Anistia para ele e deixar Delcy Rodríguez no poder



Novas vazamentos revelam que o ditador venezuelano tentou negociar com a Casa Branca sua saída do Palácio de Miraflores em troca de imunidade para ele e sua família, e deixar o chavismo no poder.

Nicolás Maduro e Donald TrumpFoto © Instagram / @nicolasmaduro - whitehouse.gov

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Novas revelações de Reuters e o Miami Herald confirmam que o presidente venezuelano Nicolás Maduro solicitou uma anistia total para ele e sua família, assim como a suspensão de sanções internacionais, em troca de abdicar do poder e permitir uma transição liderada pela sua vice-presidente, Delcy Rodríguez.

A conversa telefônica, realizada em 21 de novembro e que durou menos de 15 minutos, foi o primeiro contato direto entre Maduro e Donald Trump desde o retorno do republicano à Casa Branca.

Segundo as fontes citadas, o mandatário venezuelano propôs um acordo que incluía três condições principais:

  1. Garantias de imunidade judicial para ele, sua esposa Cilia Flores e seus filhos.
  2. Anulação do processo perante o Tribunal Penal Internacional (TPI) por crimes contra a humanidade.
  3. Levantamento de sanções contra mais de uma centena de altos funcionários chavistas, incluindo aqueles acusados nos Estados Unidos de narcotráfico e corrupção.

Como parte do plano, Maduro pediu que Delcy Rodríguez assumisse um "governo interino", encarregado de organizar eleições com supervisão internacional. Sob essa fórmula, o chavismo manteria o controle do aparato estatal e militar durante o período de transição.

Fontes consultadas pela Reuters afirmam que Trump rejeitou quase todas as condições. A única proposta que Washington aceitou considerar foi um salvoconducto limitado para que Maduro deixasse a Venezuela com sua família em um prazo de 72 horas.

Esse prazo expirou na sexta-feira, 29 de novembro, sem resposta de Caracas. No dia seguinte, Trump ordenou o fechamento total do espaço aéreo venezuelano, interpretado por analistas como o fim do ultimato diplomático.

Uma negociação fracassada sob pressão militar

A chamada ocorreu em um contexto de crescente pressão internacional. Dias antes, o Departamento de Estado havia designado o Cartel de los Soles —uma rede supostamente vinculada ao regime venezuelano— como organização terrorista estrangeira, o que amplia as capacidades do Pentágono para agir militarmente sem a necessidade de autorização do Congresso.

Desde setembro, os Estados Unidos têm desdobrado no Caribe o porta-aviões USS Gerald R. Ford, um submarino nuclear, destróieres e caças F-35 como parte da Operação Lança do Sul. Nesse contexto, as forças estadunidenses destruíram mais de 20 embarcações supostamente dedicadas ao narcotráfico, resultando em mais de 80 mortes.

De acordo com o Miami Herald, o objetivo da chamada era evitar uma confrontação direta, oferecendo a Maduro uma saída negociada. No entanto, a exigência dos Estados Unidos de uma renúncia imediata e a transferência do poder para uma autoridade civil da oposição romperam o diálogo.

A resposta de Caracas e o cálculo de Washington

Após a ruptura, fontes citadas pela Reuters afirmam que o regime tentou reabrir canais de comunicação, mas a Casa Branca não respondeu. Um funcionário americano declarou ao meio que uma saída negociada “não está descartada”, embora exigisse mudanças profundas na posição de Caracas.

Em uma aparição na televisão na última segunda-feira, Maduro negou ter solicitado anistia e acusou os Estados Unidos de buscar uma “mudança de regime para se apropriar dos recursos naturais venezuelanos”.

Enquanto isso, Trump convocou uma reunião do Conselho de Segurança Nacional na Casa Branca para avaliar “novas medidas de pressão” sobre Caracas, em meio a relatos de atividade aérea militar americana sobre o Caribe.

As revelações marcam o momento mais delicado da crise hemisférica desde o anúncio do fechamento do espaço aéreo. Com a Argentina exigindo a prisão internacional de Maduro e Cabello perante o CPI, e Cuba denunciando "uma agressão imperialista", a região se encontra à beira de uma reconfiguração diplomática sem precedentes, onde a sobrevivência do chavismo pende de uma linha tênue entre a negociação e o colapso.

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