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O ex-dirigente comunista Yuniel Báez Pedrera foi detido em Miami após retornar de uma viagem a Cuba, depois que as autoridades de imigração detectaram suposta fraude em seu processo de residência.
Báez, de 46 anos, encontra-se sob custódia no centro de detenção de Krome, na Flórida, e deverá comparecer perante um juiz de imigração nas próximas semanas, reportou Martí Notícias.
Os registros oficiais indicam que ele teria omitido informações relevantes sobre seu passado como funcionário do regime cubano, o que constitui uma possível violação da Lei de Ajuste Cubano.
Báez Pedrera foi por mais de uma década o primeiro secretário da União dos Jovens Comunistas (UJC) em Havana, uma das estruturas políticas subordinadas diretamente ao Partido Comunista de Cuba.
Em declarações públicas durante essa fase, o agora detido defendia a “formação revolucionária” dos jovens e qualificava a organização como “a alma da nação”.
O ex-dirigente chegou aos Estados Unidos no dia 11 de setembro de 2022 pela fronteira sul, alegando perseguição política do mesmo sistema que havia servido.
Pouco depois, obteve a residência permanente e se estabeleceu em Gainesville, Flórida.
Segundo a fonte citada, em abril de 2024, registrou junto com sua esposa a empresa Pa’La Familia LLC, dedicada ao envio de pacotes, passagens aéreas e trâmites migratórios.
Nas redes sociais, promoviam também combos de alimentos para Cuba, um negócio em ascensão devido à escassez que a ilha enfrenta.
De acordo com a pesquisa, Báez realizou várias viagens recentes a Cuba, o que acionou os alarmes do Serviço de Imigração e Controle de Alfândega (ICE).
Foi detido ao voltar na semana passada, após constatarem-se contradições em seu expediente migratório.
O advogado de imigração Ismael Labrador explicou à Martí Noticias que a residência permanente pode ser revogada se for provado que o solicitante mentiu ou ocultou sua afiliação política.
“Por membresia no Partido Comunista ou na UJC, as pessoas são inadmissíveis para obter residência sob a Lei de Ajuste Cubano”, advertiu.
Se um juiz confirmar que Báez cometeu fraude migratória, ele poderá enfrentar a revogação de sua residência, deportação e proibição de reingresso aos Estados Unidos.
O caso de Yuniel Báez Pedrera se junta a uma lista crescente de ex-funcionários, juízes e propagandistas do regime cubano que entraram no país norte-americano ocultando seu histórico político.
Entre eles estão Jorge Javier Rodríguez Cabrera, amigo do neto de Raúl Castro, e Orlando Ernesto Pérez Núñez, ex-presidente do Movimento Juvenil Martiano.
Enquanto o regime em Havana continua a perseguir opositores, vários de seus antigos membros vivem hoje nos Estados Unidos sob proteção migratória, em um contraste que evidencia a dupla moral e a descomposição interna do sistema comunista cubano.
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