Pedir penas de até 16 anos de prisão para os envolvidos em rede de tráfico de drogas em Matanzas



A Sala Primeira do Penal do Tribunal Provincial de Matanzas julgou sete cidadãos por tráfico de cannabinoides sintéticos, conhecidos popularmente como “químico”. O promotor pediu penas para os acusados que variam de 8 a 16 anos de privação de liberdade.

Julgamento no Tribunal Provincial de Matanzas (imagem de referência)Foto © Periódico Girón

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A Procuradoria pediu penas de entre oito e 16 anos de prisão para os integrantes de uma rede dedicada ao tráfico de drogas ilícitas, que foram julgados na segunda-feira no Tribunal Provincial de Matanzas, de acordo com fontes oficiais.

O julgamento oral foi realizado na Sala Primeira de Direito Penal do tribunal contra sete cidadãos acusados de posse e tráfico de canabinoides sintéticos, conhecidos como “químico”, informou a Polícia em um comunicado divulgado no perfil de Facebook “Heróis de azul em Cuba”.

Captura de Facebook/Héroes de azul em Cuba

Uma notícia da Agência Cubana de Notícias (ACN) especificou que duas acusadas adquiriram as drogas em Havana, através de um homem residente no município de San Miguel del Padrón, para vendê-las a preços mais elevados na cidade de Matanzas, especificamente nas localidades de Pueblo Nuevo e Peñas Altas.

Os narcóticos eram transportados da capital por "mulas" -pessoas responsáveis pelo transporte-, que também os ofereciam a potenciais compradores na província de Matanzas, detalhou o relatório.

Captura do Facebook/Periódico Girón

O promotor do caso solicitou para os imputados penas que variam entre oito e dezesseis anos de privação de liberdade, “de acordo com a gravidade da conduta dos seus comissários”. A sentença será notificada no próximo dia 30 de dezembro.

A juíza profissional Mirielis Morales Rondón destacou que os delitos julgados neste caso estão previstos nos artigos 235 a 238 do Código Penal vigente e seu processamento “é priorizado pela política de tolerância zero às drogas” promovida pelo governo, devido às graves consequências dessas substâncias na saúde, particularmente entre os jovens, que são os mais afetados pelo seu consumo e também figuram como os principais cometores dos delitos.

Segundo o comunicado oficial, “durante todo o trâmite do processo e na realização do julgamento oral, foi garantido o cumprimento rigoroso das garantias processuais e o respeito ao direito ao devido processo, tal como está consagrado na Constituição da República de Cuba”.

O tráfico e consumo de drogas em Cuba aumentou a níveis sem precedentes nos últimos anos.

Apesar de o regime ter intensificado as operações policiais e endurecido as penas, tanto a venda quanto o consumo de narcóticos —especialmente de substâncias sintéticas como o “químico” ou “papelillo”— continuam crescendo no país, evidenciando que a estratégia governamental é insuficiente.

De acordo com dados divulgados em setembro pelo Ministério do Interior, mais de 1.500 pessoas foram presas por delitos relacionados a drogas desde o início do ano. Além disso, foram apreendidos 81 kg de narcóticos, 11.000 plantas, 23.000 sementes, cinco armas de fogo e bens de traficantes, e cinco redes criminosas que operavam a partir do Aeroporto Internacional José Martí, em Havana, foram desarticuladas.

Em sua tentativa de conter a escalada delitiva associada às drogas, o regime desencadeou uma ofensiva judicial nacional que busca impor sanciones ejemplarizantes, as quais funcionam mais como avisos sociais do que como mecanismos eficazes de justiça.

Entretanto, o Tribunal Supremo aprovou em julho um parecer que aumentou as sanções penais para aqueles que possuírem ou distribuírem drogas sintéticas, que são altamente tóxicas e têm efeitos devastadores para a saúde.

No entanto, estas medidas não atacam as raízes do problema: a falta de oportunidades no país, o desemprego juvenil e a desproteção social que favorecem o tráfico e o consumo de drogas.

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