Cientistas cubanos alertam: O Chikungunya pode ser mortal em bebês e gestantes



O Chikungunya atinge as famílias cubanas e ameaça bebês e gestantes, enquanto a crise sanitária e a falta de recursos expõem a incapacidade do regime em proteger seu povo.

As crianças fazem parte do grupo com maior risco de sofrer complicações associadas ao vírus Chikungunya.Foto © Facebook / Periódico Girón

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Especialistas do sistema de saúde alertaram que o vírus do Chikungunya representa um grave risco para a vida dos recém-nascidos e das gestantes, diante do aumento de contágios em Cuba.

As informações foram publicadas nesta quarta-feira pelo jornal oficialista Granma, após um encontro do governante Miguel Díaz-Canel com cientistas e autoridades sanitárias para avaliar o avanço da doença.

Durante a reunião foram apresentados estudos clínicos e evidências recentes que confirmam a transmissão vertical do vírus, ou seja, de mãe para filho durante o parto, o que pode provocar quadros graves nos neonatos.

A doutora Tania Roing Álvarez, chefe do Grupo Nacional de Neonatologia, explicou que a doença pode causar febre, mas também complicações neurológicas, respiratórias, cardiovasculares e gastrointestinais que colocam em risco a vida dos recém-nascidos.

O alarme soa quando o regime admite estar atravessando o pico da epidemia de chikungunya, depois de meses de inação que resultaram em uma situação que se espalhou por todo o país e começou em Matanzas.

Por sua parte, a pediatra infectologista Ileana Álvarez Lam destacou que o Ministério da Saúde elaborou um protocolo dividido em três etapas para o atendimento infantil: identificação de sintomas, detecção precoce de sinais de alerta e um algoritmo clínico para o manejo pediátrico.

As autoridades pediram às famílias que fiquem atentas a sintomas como irritabilidade, sonolência, falta de apetite ou distensão abdominal, que podem indicar complicações graves.

A diretora nacional de Atenção Primária, doutora Yagen Pomares, assegurou que as ações preventivas estão sendo reforçadas em lares maternos e comunidades com gestantes e lactantes, além do acompanhamento diário dos neonatos.

O epidemiologista Raúl Guinovart, da Universidade de Havana, advertiu que os modelos matemáticos confirmam um pico de casos e um crescimento sustentado das arboviroses, o que obriga a reforçar as medidas de controle vetorial, apesar das denúncias cidadãs sobre a ineficiente atuação do regime.

O próprio Díaz-Canel insistiu em “priorizar a prevenção e o controle com inteligência e efetividade”, embora o aumento do vírus exponha mais uma vez a fragilidade do sistema de saúde cubano diante de surtos epidêmicos recorrentes.

O surto de chikungunya em Cuba atingiu uma magnitude preocupante, com impacto crescente entre crianças, gestantes e idosos.

Segundo autoridades do Ministério da Saúde Pública, foi confirmado que o vírus afeta com maior severidade a população infantil e a de idosos, o que levou a declarar que o país atravessa uma das piores fases de transmissão viral em anos.

Assim o expressou o doutor Francisco Durán durante uma recentemente realizada sobre o aumento epidemiológico.

A situação provocou um aumento significativo de casos graves entre menores. Em hospitais pediátricos, atualmente são relatados pelo menos 63 crianças em estado crítico devido a complicações associadas ao vírus, segundo dados oficiais divulgados pelo Ministério.

O quadro clínico desses pacientes inclui febre persistente, alterações neurológicas e desidratação severa, o que tem exigido o reforço da capacidade de atendimento em unidades de terapia intensiva pediátrica.

As cifras gerais também são alarmantes: mais de 100 pessoas permanecem em terapia intensiva em razão do chikungunya e do dengue, o que reflete o colapso de um sistema hospitalar que não conta com recursos suficientes nem pessoal capacitado em todas as províncias.

O pico da epidemia coincide com sérias limitações no controle vetorial e com a escassez de medicamentos e insumos essenciais.

Enquanto isso, começaram a circular denúncias de meios independentes sobre falecimentos infantis vinculados ao vírus. Um jornalista alertou sobre a morte de pelo menos quatro crianças por chikungunya em uma única semana em Havana, afirmando que as autoridades estão ocultando a magnitude real do problema.

Estas mortes estariam associadas a complicações derivadas da transmissão vertical do vírus e a um atendimento tardio.

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