Autoridades médicas cubanas alertaram que o chikungunya pode causar complicações graves em crianças pequenas e gestantes, grupos especialmente sensíveis a essa doença viral.
Durante uma coletiva de imprensa reportada pela Televisão Cubana, especialistas do Ministério da Saúde Pública (MINSAP) explicaram que crianças com menos de três meses e mulheres grávidas são os grupos mais vulneráveis ao chikungunya, uma doença que continua se espalhando por todo o país.
A doutora Yamirka Montesinos, chefe do Grupo Nacional de Medicina Intensiva e Emergência Pediátrica, alertou que nos lactentes mais pequenos a infecção pode apresentar complicações com maior frequência, por isso o protocolo de atendimento médico estabelece uma vigilância diferenciada para este grupo.
“É uma doença muito sintomática que começa com febre súbita e persistente de 48 a 72 horas, difícil de controlar com as medidas antipiréticas habituais. Isso gera ansiedade e desespero nas famílias, por isso é essencial procurar o pessoal médico para garantir que as doses de antipiréticos sejam corretas de acordo com o peso da criança”, explicou a especialista.
Por sua parte, a doutora Dayana Couto, presidente da Sociedade Cubana de Ginecologia e Obstetrícia, insistiu que as grávidas devem buscar atendimento médico imediato diante de qualquer febre ou sintoma suspeito.
"Está tudo organizado nas salas para a vigilância de uma gestante com síndrome febril. O importante é não atrasar o atendimento", sublinhou.
Após as advertências dos especialistas, a vice-ministra de Saúde Pública, Carilda Peña García, ofereceu um panorama geral da complexa situação epidemiológica que o país enfrenta, com relatos de casos suspeitos e confirmados de chikungunya e dengue em todas as províncias.
Peña ressaltou que o maior risco epidemiológico está atualmente localizado em Matanzas, Cienfuegos, Havana, Pinar del Río e Guantánamo, enquanto os índices mais altos de infestação do mosquito Aedes aegypti são registrados em Sancti Spíritus, Camagüey, Santiago de Cuba, Havana e Villa Clara.
As autoridades de saúde reiteraram o apelo para que as pessoas procurem o médico precocemente e mantenham a prevenção doméstica contra o mosquito transmissor, em um contexto de crescente pressão sobre o sistema de saúde e escassez de recursos para o controle vetorial.
Embora as autoridades de saúde insistam em transmitir tranquilidade em relação à propagação do chikungunya e de outras arboviroses, os fatos mostram uma situação muito mais crítica.
Em várias províncias, a epidemia tem cobrado a vida de menores e mantém os hospitais à beira do colapso, onde faltam medicamentos e recursos básicos para atender os pacientes.
Enquanto os meios oficiais tentam transmitir normalidade, famílias inteiras estão doentes e denunciam que os centros de saúde não dão conta.
Depoimentos de diferentes províncias relatam a falta de mosquiteiros, a ausência de fumigações e a demora em receber atendimento médico, especialmente em comunidades vulneráveis.
Em regiões orientais do país, Guantánamo precisou habilitar abrigos para crianças devido ao aumento dos casos febris.
A decisão evidenciou a magnitude do surto e a impossibilidade do sistema hospitalar em responder ao aumento de contágios. Apesar disso, as autoridades locais mantêm um discurso de controle e estabilidade sanitária.
A crise chegou ao ponto em que o governo se viu obrigado a improvisar hospitais para crianças diante do colapso dos centros pediátricos.
Esses espaços improvisados, carentes de equipamentos adequados, são uma clara demonstração da distância entre o relato oficial e a realidade que enfrentam milhares de famílias cubanas afetadas pelo chikungunya e pelo dengue.
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