
Vídeos relacionados:
Os motoristas da Flórida enfrentam sanções muito mais severas por alterar, manipular ou instalar dispositivos que modifiquem a placa do veículo a partir de 1º de outubro, quando entrou em vigor o Projeto de Lei 253 (HB 253), denominado "Crimes relacionados a veículos motorizados".
A nova normativa transforma em crime penal, e não apenas em infração de trânsito, qualquer alteração que afete a legibilidade ou a aparência da matrícula.
A lei proíbe mudar a cor da placa, aplicar revestimentos, aerossóis, tintas ou películas, usar coberturas transparentes ou fumê, instalar luzes que apontem para a matrícula ou colocar mecanismos que a virem ou ocultem.
Também é punida a compra, posse, fabricação ou distribuição de dispositivos projetados para ocultá-la, assim como o uso desses para cometer crimes.
As sanções variam de 60 dias de prisão e multas de 500 dólares por manipulação ou posse de dispositivos, até um ano de prisão e 1.000 dólares de multa por fabricá-los ou vendê-los.
Se utilizados para facilitar crimes, a acusação pode ser elevada a crime grave de terceiro grau, com penas de até cinco anos de prisão e multas de 5.000 dólares.
As autoridades insistem que os motoristas devem manter a matrícula limpa, visível, com iluminação adequada e sem acessórios que obstruam os números ou adesivos.
Aumento de infrações e operação estatal prévia
O endurecimento legal ocorre após um aumento significativo de motoristas que alteram placas na Flórida.
Em novembro de 2024, a Patrulha de Estradas do estado (FHP) lançou uma operação contra placas de veículos alteradas.
O tenente Alex Camacho alertou que um veículo com placa irregular pode ser confiscado e rebocado, além de receber uma multa. Segundo ele, o problema é "muito maior do que as pessoas pensam".
As multas por alterações haviam crescido mais de 98% em um ano, e cerca de 80% estavam concentradas no sul da Flórida. Das 893 infrações estaduais, 702 ocorreram em Miami-Dade, Broward e Palm Beach.
O oficial também destacou que haviam proliferado negócios que anunciavam serviços ilegais de personalização de placas nas redes sociais, e que o Escritório de Investigações do FHP já estava monitorando essas atividades.
Outro debate: a Lei Lilly Glaubach e a proposta de duas matrículas
O ajuste da normativa ocorre após outra tentativa fracassada de reforçar a regulamentação para melhorar a segurança viária na Flórida.
Em dezembro do ano passado, foi apresentado o projeto SB-92, "Lei Lilly Glaubach", nomeado em homenagem a uma menina de 13 anos de Tampa que foi fatalmente atropelada ao voltar da escola.
A proposta buscava obrigar os oficinas de reparação a solicitar um relatório escrito de acidente se os danos superassem 5.000 dólares, de forma a poder detectar motoristas fugitivos.
Também exigia duas placas obrigatórias - frontal e traseira - para facilitar a identificação de veículos envolvidos em atropelamentos com fuga.
O senador estadual Joe Gruters defendeu a medida, alegando que seu objetivo era evitar reparações sob falsas identidades, mas, apesar de seu avanço inicial no comitê, o projeto não obteve aprovação final.
Mais mudanças no sistema veicular
A nova regulamentação sobre a manipulação de matrículas coincide com outras duas leis aprovadas recentemente:
HB 403: amplia o catálogo de matrículas especializadas, cujos preços anuais de 15 a 20 dólares financiarão melhorias na infraestrutura viária e nos sistemas de registro.
HB 431: permite que pessoas com deficiência comprovada medicamente registrem essa condição em sua matrícula para facilitar seu trato com as autoridades em situações de emergência.
Enquanto o estado aumenta as penas criminais para proteger a legibilidade das placas, a Flórida continua debatendo mudanças pendentes, como a dupla matrícula, o que demonstra que o controle veicular - desde a identificação até a segurança pública - se tornou uma frente prioritária do sistema legal.
Arquivado em: