Liberam o jovem cubano José Alejandro Rodríguez Gelín, preso por participar no 11J

"Deus o traz de volta entre nós, um homem maduro, firme em suas convicções, com sequelas que apenas o tempo e nosso amor conseguirão apagar", disse a mãe do jovem.

José Alejandro Rodríguez Gelín, após sair da prisãoFoto © Facebook / Meibel Gelin García

O jovem cubano José Alejandro Rodríguez Gelín retornou na terça-feira para sua casa após passar quatro anos e meio na prisão por participar das manifestações pacíficas de 11 de julho de 2021.

Sua mãe, Meibel Gelin García, compartilhou no Facebook o momento de sua saída, descrevendo o reencontro como um instante de alegria que chega após anos marcados pelo sofrimento, pela incerteza e pela impotência diante de um sistema judicial utilizado para punir a inconformidade cidadã.

O retorno de José Alejandro não apaga o que vivemos: "Sofremos e choramos muito, mas hoje Deus o traz de volta entre nós, um homem maduro, firme em suas convicções, com sequelas que apenas o tempo e nosso amor conseguirão apagar", destacou Meibel.

Captura do Facebook / Meibel Gelin García

A mãe agradeceu as manifestações de apoio recebidas ao longo destes anos e ressaltou que sua felicidade não pode ser completa enquanto dezenas de mães cubanas continuam esperando por seus filhos ainda na prisão.

"Não deixaremos de pensar nas mães que hoje gostariam de sentir o abraço e a liberdade de seus filhos, nem deixaremos de exigir a liberdade de todos os presos políticos e de ajudar e apoiar aqueles que permanecem injustamente atrás das grades", enfatizou.

Uma condenação baseada em acusações sem provas

A história de José Alejandro resume o padrão de repressão judicial que acompanhou as maiores manifestações na ditadura cubana: centenas de jovens foram acusados de crimes como atentado, incitação à delinquência ou desordem pública, sem que nos julgamentos houvesse provas de agressão ou dano algum.

No caso de Rodríguez Gelín, a Segurança do Estado reconheceu que o jovem não cometeu atentado, delito pelo qual foi igualmente condenado a nove anos de prisão, uma sanção desproporcional que sua família sempre denunciou como uma punição política.

Em janeiro de 2022, os familiares de cinco detidos de Jovellanos -entre eles Rodríguez Gelín- denunciaram publicamente a falta de garantias jurídicas em Cuba.

Apontaram a ausência de provas e a atitude de juízes e promotores que atuaram como braço repressor do Estado, ignorando depoimentos, evidências e direitos fundamentais.

A mãe do jovem explicou, então, que o julgamento tentou apresentá-lo como "líder" da manifestação do povo, embora ninguém pudesse afirmar que ele convocou, organizou ou dirigiu o protesto.

Um estudante que tentaram transformar em delinquente

Em outubro de 2021, Meibel Gelin García enviou uma carta aberta ao governante Miguel Díaz-Canel, na qual expôs quem era realmente seu filho: não um agitador político, mas um estudante de Espanhol-Literatura, com graves problemas de saúde e aspirações de superação, como muitos jovens cubanos decepcionados com a realidade do país.

A carta também ridicularizava as acusações da Promotoria, que o apresentou como um "desempregado", apesar de que o jovem estava cursando estudos universitários antes de sua prisão.

A mãe relatou que seu filho não agrediu ninguém, que apenas gritou consignas e pediu aos outros manifestantes que não ofendessem diante do hospital nem protestassem sem proteção sanitária. Mesmo assim, ele foi punido como se fosse um criminoso perigoso.

Também denunciou que ficou 40 dias trancado em um quarto sem ventilação, incomunicado, e que até mesmo durante crises de saúde as autoridades se negaram a conceder uma mudança de medida.

Nessa carta, Gelin escreveu palavras que hoje, com seu filho em casa, continuam sendo uma acusação atual: "Eu sim sei como chamar o que fazem com meu filho: injustiça, repressão".

Uma liberdade que não é justiça

A libertação de José Alejandro Rodríguez Gelín não repara o dano sofrido nem corrige a impunidade do sistema que o encarcerou. Apenas evidencia como a justiça cubana tem sido utilizada para punir a dissidência e exemplificar o medo.

Como ele, muitos jovens continuam atrás das grades, condenados por exercer um direito universal: manifestar-se contra o governo.

A mãe do jovem deixou claro ao recebê-lo em casa: a felicidade não será plena enquanto houver presos políticos em Cuba. Seu filho está livre, mas a justiça continua encarcerada.

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