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A imagem fala por si só: uma mulher com o coração partido, carregando no peito um cartaz com o rosto de sua filha desaparecida.
Essa mulher é Maura Vázquez, mãe de Doraiky Águila, que esta semana iniciou uma visita ao Santuário Nacional de San Lázaro, em El Rincón, na esperança de que a fé ilumine o caminho que a leve a reencontrar-se com sua filha.
Sua presença lá foi divulgada em Facebook pelo usuário Damián Rodríguez Consuegra nas redes sociais, que pediu solidariedade para "acompanhar com um grão de esperança uma mãe que busca incansavelmente".
Maura chegou ao local considerado um dos espaços espirituais mais significativos para os cubanos, onde milhares de fiéis peregrinam todos os anos para agradecer ou pedir aquilo que sentem ser impossível de alcançar por outros meios.
Com a foto da filha pendurada no peito, a mulher levou apenas um pedido: que aconteça um milagre e Doraiky volte para casa com vida.
Sua visita, compartilhada e replicada nas redes sociais, simboliza a persistência de uma mãe que não baixou os braços nem um único dia desde o desaparecimento de sua filha.
"Coitada da senhora! É visível o sofrimento em seu rosto, que Deus e o milagroso São Lázaro concedam um milagre e que sua filha apareça logo", comentou uma habanera na postagem.
"El viejito Lázaro vai te guiar o Caminho para que você possa encontrar sua filha, San Lázaro é poderoso", afirmou outra.
Doraiky Águila Vázquez desapareceu no dia 15 de março em Havana. Desde então, não há relatos oficiais que expliquem o que aconteceu, onde ela poderia estar ou se existe algum avanço real nas investigações.
A mãe dela não apenas saiu para procurá-la pelas ruas; ela também levou seu clamor a cada espaço disponível na Internet.
Em outubro, sete meses após o desaparecimento, Maura escreveu no Facebook: "Minha grande sorte seria encontrar minha filha. Peço ajuda urgente". Suas palavras foram compartilhadas por vizinhos, desconhecidos e usuários que insistem em não deixar o caso cair no esquecimento.
Em outra de suas mensagens, a idosa descreveu a impotência da busca diária, na qual ela, o esposo de Doraiky e outros familiares percorreram áreas inteiras sem encontrar nenhuma pista. Clamou por ajuda divina e humana, implorando pela oportunidade de voltar a abraçar sua filha.
Mais tarde, seu chamado se transformou em um grito dirigido a toda a população: "Buscar cada casa, cada bairro, cada província. É salvar uma vida, uma família".
Os familiares relataram que Doraiky é mãe de dois filhos, de pele morena, cabelo grisalho e olhos castanhos.
Ela tem uma condição médica que requer atenção e sofre de episódios de perda de memória transitória, um detalhe que tem aumentado a angústia de quem a ama.
Ante o temor de que sua vida corra perigo, sua família ofereceu uma recompensa de 350.000 CUP a quem fornecer informações verificáveis sobre seu paradeiro.
A dor se intensificou ao se ver obrigados a enfrentar rumores e desinformação.
No início de outubro, Circularam publicações afirmando que Doraiky havia sido encontrada sem vida. A família desmentiu esse conteúdo imediatamente para parar o dano causado pela especulação e pelo sensacionalismo.
Frente ao vazio oficial, os próximos têm recorrido a coletivos feministas e redes cidadãs. A organização Yo Sí Te Creo em Cuba e o Observatório de Gênero de Alas Tensas ativaram o Alerta Yeniset, um mecanismo utilizado em casos prolongados de mulheres desaparecidas.
No entanto, embora esses grupos ajudem a dar visibilidade, não têm capacidade legal para investigar. A responsabilidade recai sobre as instituições estatais, e a resposta tem sido dolorosamente lenta.
Apesar de a imprensa estatal ter mencionado o caso em julho, não há evidências de avanços reais.
A família sustenta que a investigação não ofereceu resultados concretos, e que, sem ajuda pública e sem pressão social, casos como o de Doraiky correm o risco de se apagarem no silêncio.
Por isso, Maura insiste. Por isso caminha, implora, percorre bairros, bate às portas, compartilha publicações, corrige rumores, volta e volta a implorar.
E agora, também peregrina. Ela sabe que, quando as instituições funcionam lentamente e sem recursos, o povo se transforma em uma rede de busca.
Em um país onde muitas famílias encontraram nas redes sociais sua única ferramenta para pedir ajuda, Maura aposta na fé e na solidariedade coletiva.
"Estou perdendo a vida esperando pela minha filha", escreveu dias atrás.
Essa espera, que já se estende por meses, é o que a levou ao Rincón. Ali, onde milhares pedem milagres, ela deixou o seu aos pés de São Lázaro: que Doraiky volte para casa.
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