Até 72 mil pesos de multa por vender frango! O regime castiga aqueles que tentam sobreviver em Cuba

As autoridades de Granma multaram cubanos em até 72.000 pesos por vender frango ou trabalhar sem licença, refletindo a repressão econômica em um país onde as pessoas buscam apenas sobreviver.

Venda de frango (Imagem de referência)Foto © Facebook / Anay Marian

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Em meio à crise econômica e alimentar que assola Cuba, as autoridades de Granma impuseram multas de até 72 mil pesos a cidadãos que vendiam frango ou prestavam serviços sem autorização estatal.

O perfil de Facebook Inspección Provincial de Granma informou nesta terça-feira que seus inspetores “continuam em ações de controle” para aplicar o Decreto Lei 91/2024, que endurece as sanções contra a população por supostas violações econômicas.

Captura Facebook / Inspeção Provincial Granma

Segundo o relatório, as autoridades impuseram multas entre 16.000 e 72.000 pesos cubanos a vários cidadãos por exercer atividades sem licença ou aplicar preços considerados "abusivos".

Entre os casos mais chamativos, a publicação menciona um vendedor de frango picado na rua Figueredo, em Bayamo, que foi multado em 72.000 pesos por vender o produto a 420 pesos a libra.

Outro vendedor do mesmo alimento, na mesma área, foi multado em 36.000 pesos por oferecê-lo a 410 pesos a libra.

Os inspetores afirmaram que o primeiro sancionado “obstruiu a inspeção” e foi convocado pela Polícia através do chefe de setor.

A publicação destaca ainda que foram detectados “outros TCP” (trabalhadores por conta própria) vendendo produtos “sem ficha de custo”, a quem foram aplicadas multas de 16.000 pesos cada um.

O relatório também inclui quatro motoristas particulares penalizados por transportar passageiros sem licença operacional —com multas entre 16.000 e 36.000 pesos— e um motorista de ônibus sancionado por cobrar preços "abusivos" na rota Bayamo-La Habana.

Além disso, um cuentapropista na avenida Jimmy Hirzel foi multado em 36.000 pesos por não aceitar pagamentos eletrônicos ou aplicar uma taxa de 10% aos clientes que desejavam pagar por esse meio.

Frente ao restaurante Tuxpan, os inspetores detectaram a venda "ilegal" de farinha, cervejas e outros produtos, embora não tenham especificado o valor das multas aplicadas.

O comunicado oficial conclui afirmando que os inspetores “continuarão em ações para detectar violações de preços e outras contravenções que afetam o nosso povo”.

No entanto, a realidade econômica mostra o contrário: com salários estatais que mal superam os 6.000 pesos mensais, as sanções de dezenas de milhares de pesos se tornaram uma nova forma de punição para os cubanos que tentam sobreviver à inflação e à escassez.

Estas multas se inserem na política do regime de controlar a atividade privada e reprimir o mercado informal, que em muitos casos é a única forma de acessar alimentos básicos como o frango, diante da incapacidade do Estado em garantir a cesta básica.

As recentes sanções impostas em Granma fazem parte de uma escalada de repressão econômica que se estende por todo o país.

Em Ciego de Ávila, um vendedor de arroz foi multado em 40.000 pesos por “violação de preços”, enquanto outro comerciante foi sancionado por supostamente aplicar sobretaxas injustificadas.

Esses casos refletem como as autoridades aplicam o Decreto Lei 91 com total rigidez, mesmo quando os afetados dependem dessas vendas para sobreviver.

Já em outubro, o regime havia intensificado seus controles sobre pequenos vendedores, com multas de até 16.000 pesos por comerciar sem licença ou sem apresentar fichas de custo, mesmo em atividades como a venda de pão, vegetais ou alimentos elaborados de forma artesanal.

O argumento oficial tem sido o controle da inflação, embora na prática muitas dessas medidas tenham atingido diretamente trabalhadores autônomos e famílias que vivem do mercado informal.

Em setembro, operações em Havana contra vendedores ambulantes deixaram imagens de apreensões em massa e de cidadãos desesperados por não conseguirem continuar suas atividades diárias.

Entre os afetados estavam idosos e jovens que transportavam frutas, doces ou pão em carroças e caixas improvisadas.

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