Por que os EUA devem derrubar Maduro?: Especialista explica razões no New York Times

“Fora da Coreia do Norte, poucos governos produziram mais miséria para seu próprio povo do que o de Venezuela”, advertiu Bret Stephens, destacando que não é apenas por causa do narcotráfico, mas pela ilegitimidade de um regime ditatorial que roubou as últimas eleições.

Nicolás Maduro e embarcação da marinha dos Estados Unidos no CaribeFoto © Instagram / @nicolasmaduro - media.defense.gov

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O columnista e analista político Bret Stephens, vencedor do Prêmio Pulitzer e uma das vozes mais influentes da política externa dos Estados Unidos, publicou nesta segunda-feira no The New York Times um artigo de opinião em que defende abertamente que os Estados Unidos deveriam derrubar Nicolás Maduro.

Assim, ao analisar possíveis cenários deste conflito, o especialista apontou a possibilidade de que Washington conceda ao ditador a chance de abandonar o poder e sair com um salvoconducto para países dispostos a acolhê-lo. Caso o ditador venezuelano se agarre ao poder, Stephens considerou que uma intervenção militar liderada por Donald Trump poderia ser inevitável.

Captura de tela Facebook / The New York Times Seção de Opinião

En seu texto, intitulado “The Case for Overthrowing Maduro” (O caso para derrubar Maduro), Stephens sustentou que o regime chavista se transformou em uma ameaça direta à segurança nacional dos Estados Unidos, tanto pela sua participação no narcotráfico quanto pela sua aliança com a China, Rússia e Irã, países que —segundo o analista— conseguiram instalar uma “cabeça de praia estratégica” no continente americano.

“Fora da Coreia do Norte, poucos governos produziram mais miséria para seu próprio povo do que o da Venezuela”, advertiu Stephens, que durante anos defendeu a necessidade de Washington exercer uma liderança ativa frente a regimes autoritários que exportam instabilidade.

Um contexto de máxima tensão

O artigo surge em um momento especialmente sensível: os Estados Unidos têm um grupo de ataque com porta-aviões e 15.000 militares deslocados no Caribe, enquanto o Departamento de Estado, sob a direção de Marco Rubio, designou nesta segunda-feira o Cartel de los Soles —liderado por altos mandos chavistas e pelo próprio Maduro— como organização terrorista estrangeira (FTO).

Essa classificação permite a Washington aplicar o marco legal antiterrorista para perseguir seus membros, confiscar ativos e sancionar qualquer ator que mantenha vínculos com o regime venezuelano. Stephens considerou que essa decisão “amplia significativamente as ferramentas de ação” e prepara o terreno para medidas mais contundentes.

Em sua análise, o especialista lembrou que as sanções econômicas impostas nos últimos anos não enfraqueceram o regime, mas sim empobreceram o povo e fortaleceram o controle interno do chavismo.

Frente a isso, propôs que a única saída realista é forçar a queda de Maduro, por meio de pressão militar ou uma operação de captura semelhante à executada pelos Estados Unidos no Panamá em 1989 contra o ditador e narcotraficante Manuel Noriega.

Nesse sentido, Stephens sugeriu oferecer a Maduro uma “última oportunidade” para se exilar em Havana, Moscovo ou Teerã, e advertiu que, se não o fizer, deverá enfrentar o que chama de “tratamento Noriega”: destruição das defesas aéreas venezuelanas, captura dos altos comandantes e traslado do líder chavista para os Estados Unidos para ser julgado.

Um especialista influente em Washington

Stephens, nascido em Nova York em 1973 e criado na Cidade do México, é um dos analistas de política internacional mais ouvidos no âmbito conservador americano.

Ha sido colunista do Wall Street Journal, editor do Jerusalem Post e colaborador habitual da NBC News. Em 2013, recebeu o Prêmio Pulitzer de comentário por suas análises sobre política externa.

Seu pensamento se insere na corrente neoconservadora: defende o uso do poder militar americano para proteger a ordem democrática e conter regimes autoritários. Sob essa perspectiva, considera que a Venezuela é um Estado criminoso que ameaça a estabilidade do hemisfério, e que a inação de Washington apenas fortalece Moscovo e Pequim.

“Se você começar a tomar Viena, tome Viena. O mesmo vale para Caracas”, concluiu Stephens citando Napoleão, em um apelo a Trump para agir sem hesitações.

Implicações regionais

A opinião de Stephens reflete o debate estratégico que se intensifica em Washington sobre o futuro da Venezuela e o papel dos Estados Unidos na América Latina.

Para muitos analistas, a publicação coincide com uma fase de endurecimento diplomático e militar da administração Trump em relação aos regimes aliados ao chavismo, especialmente Cuba e Nicarágua.

Se a tese do colunista ganhar força entre os círculos de segurança e defesa dos Estados Unidos, a queda de Maduro pode deixar de ser uma hipótese teórica para se tornar um cenário operacional real, com consequências imprevisíveis para o Caribe e para Havana, seu principal parceiro político e militar.

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