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Santiago de Cuba está de luto após a confirmação do falecimento de Carlos Acosta Laguna, diretor do Paseo La Placita e uma das personalidades mais emblemáticas do carnaval santiaguero.
“Com ele se vai um pilar do patrimônio cultural da cidade, mas também um homem que marcou a vida de aqueles que tivemos a honra de compartilhar seu caminho", escreveu nas redes sociais o jornalista Yosmany Mayeta Labrada.
"Conheci Carlitos na minha adolescência, quando eu era apenas um dançarino faminto por ritmo e ele já se destacava como um dos coreógrafos do Paseo La Placita. Cheguei ao passeio sob a direção do querido Franciaco Zarzabal 'El Nene', que também faleceu há alguns anos, e nesse universo de tambores e ensaios intermináveis, Carlos foi para muitos de nós um guia, um mestre, um exemplo", acrescentou o comunicador.
Yosmany Mayeta destacou o talento de Acosta Laguna.
"Como coreógrafo, tinha a capacidade de transformar passos em identidade; de converter uma simples formação em um ato de pertencimento. Junto a outros grandes coreógrafos de carnaval, elevou a estética de La Placita a um nível que transcendeu gerações", recordou.
"Já como diretor do passeio, seu legado se tornou ainda mais visível. Ele foi o guardião da memória histórica de La Placita, um defensor incansável das raízes e um trabalhador incansável da cultura popular", destacou o comunicador.
Em 2017, Carlos Acosta Laguna recebeu o Prêmio Memória Viva, na categoria Personalidades, como reconhecimento por seu empenho em salvaguardar a tradição.
Durante anos, "acadêmicos, pesquisadores e meios de comunicação o citaram como uma voz autorizada sobre a origem e a evolução do passeio, e em todos os processos de ratificação à frente de La Placita, recebeu o apoio unânime daqueles que conheciam sua dedicação".
"Hoje, sua partida não apenas entristece o carnaval: entristece todos nós que algum dia caminhamos, dançamos ou sonhamos dentro de La Placita", apontou o jornalista, que não especificou a idade do falecido nem a causa da morte.
"Quem crescemos lá, quem sentimos esse orgulho de ser comparsero desde crianças, sabemos que homens como 'Carlitos' não morrem: se tornam tradição. Santiago perde um diretor. A Placita perde um pilar. E nós perdemos um mestre. Mas seu legado continuará desfilando a cada julho e sempre que um tambor tocar. Porque Carlos não apenas dirigiu um passeio: construiu memória, identidade e espírito", concluiu Mayeta Labrada em seu emotivo texto.
A morte de Carlos Acosta Laguna provocou uma profunda consternação entre artistas, integrantes de comparsas, vizinhos e gerações de santiagueros que viram nele muito mais do que um coreógrafo: um formador, um mestre e um referente da identidade popular.
Uma cidade que chora
A morte de Acosta Laguna desatou uma onda de luto nas redes sociais, onde centenas de pessoas expressaram sua dor, gratidão e admiração.
Muitos o lembraram por sua generosidade, sua exigência artística, sua entrega absoluta ao bairro e sua calorosidade humana.
A seguir, uma seleção das reações mais representativas:
“Um baluarte da nossa cultura santiaguera, mestre dos mestres, difícil de esquecer”, escreveu um usuário.
“Obrigado por nos ensinar a arte de dançar. Compartilhamos muitos anos na La Placita, desde crianças até a adolescência”, lembrou uma internauta.
“Ele foi um grande artista e um pai ainda melhor. Deixas um vazio imenso, meu rei”, expressou uma ex-integrante da comparsa.
“Sempre amável, sempre disposto a ajudar. Era um vizinho excepcional”, destacou outro comentarista.
“Ele me deu minha primeira oportunidade de trabalhar em San Pedro del Mar. Que tristeza tão grande”; “Eu o conheci como professor de dança, mas também como um ser humano admirável. Seu carisma, seu sorriso e sua disciplina nos marcaram”; “Obrigado pela sua paciência e por nunca dizer não a ninguém. Você fez todos que se aproximaram de você crescerem”; “Ele foi a alma do projeto Kabiosilé. Diretor de diretores. Que o Senhor o tenha na glória”, foram outras opiniões.
"Você foi meu mestre nos anos 80, e seu legado vive em cada passo que ensinou. Luz eterna para seu espírito", apontou outro internauta.
“Não tive coragem de te ver naquele caixão porque prefiro te lembrar vivo. Voe alto, Carlitos”, sentenciou emocionado outra pessoa que o conhecia.
Além desses testemunhos espontâneos, vários ex-bailarinos e artistas confirmaram que nenhuma autoridade da Direção Municipal de Cultura compareceu ao sepultamento, uma omissão que foi duramente criticada nos comentários.
“Uma pena que em sua última despedida não estivesse presente nenhuma instituição oficial. Foi um grande da cultura santiaguera”, denunciou um comentarista.
O que é o Paseo La Placita?
El Paseo La Placita é uma das comparsas mais antigas e queridas do carnaval de Santiago de Cuba. Nascida no bairro do mesmo nome na década de 1930, originou-se como um desfile espontâneo de jovens que tocavam tambores feitos com latas e dançavam pelas ruas.
Ao longo dos anos, evoluiu para um grupo formal de carnaval que combina coreografias, figurinos, música popular e tradição oral.
Reconhecida como uma manifestação de patrimônio imaterial, La Placita representa não apenas uma expressão artística, mas também a história viva de um bairro que fez da festa sua identidade. Carlos Acosta Laguna foi, durante décadas, a alma desse passeio.
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