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O sistema aéreo dos Estados Unidos enfrenta seu dia mais crítico desde o início do fechamento do governo federal, com mais de 2.100 voos cancelados e mais de 7.000 atrasos neste domingo, segundo dados da FlightAware citados por The Associated Press.
Desde sexta-feira, o secretário de Transporte, Sean Duffy, advertiu que o tráfego aéreo poderia “reduzir-se drasticamente” se o fechamento se prolongar durante a alta temporada de viagens do Dia de Ação de Graças.
Duffy reconheceu que os controladores aéreos estão há mais de um mês sem receber, o que provocou ausências massivas nos aeroportos mais movimentados do país.
A FAA implementou cortes de voos que começaram com 4% na sexta-feira e aumentarão para 10% no dia 14 de novembro, entre 6h e 22h, afetando todas as companhias aéreas comerciais. A medida visa evitar incidentes em um sistema "sobrecarregado", segundo Duffy, que afirmou que "a cada dia há mais controladores que não vêm trabalhar" devido à falta de pagamento.
“Isso vai gerar uma grande disrupção. Muitos americanos ficarão furiosos”, disse Duffy em uma entrevista televisiva. “Não vai melhorar, vai piorar até que os controladores de tráfego aéreo sejam pagos.”
De acordo com a empresa de monitoramento Flighty, as quatro principais companhias aéreas americanas —American, Delta, United e Southwest— relataram 42% de operações interrompidas, com uma média de 9% de cancelamentos e 33% de atrasos.
Delta lidera a lista com 14% de voos cancelados, enquanto Southwest mantém o menor índice, com 3,7%, embora os analistas alertem que "eventualmente seu tempo se esgotará".
O caos chega à Flórida
Florida, um dos estados mais visitados por turistas e viajantes latino-americanos, se tornou um dos epicentros do caos aéreo. Segundo , mais de 160 voos foram cancelados neste domingo em aeroportos de Miami, Fort Lauderdale, Orlando e Tampa, deixando milhares de passageiros presos.
No Aeroporto Internacional de Miami (MIA), Local 10 News relatou 45 voos atrasados e 24 cancelados, enquanto em Fort Lauderdale-Hollywood (FLL) ocorreram 33 atrasos e 31 suspensões. Alguns viajantes passaram a noite nos terminais.
As autoridades de aviação recomendaram aos passageiros que verifiquem o status de seus voos antes de sair de casa e que prevejam longas esperas nos pontos de controle. A Administração de Segurança da Transportação (TSA) alertou que as filas podem se estender ainda mais enquanto continuar o fechamento federal.
Crise política e efeitos humanos
O fechamento do governo —originado pelo impasse no Congresso sobre o orçamento federal— está tendo um efeito dominó sobre a infraestrutura crítica do país, desde o transporte aéreo até os serviços civis.
O secretário de Transporte assegurou que poderão ser necessários cortes de até 20% se os pagamentos aos controladores não forem retomados. “Haverá alguns poucos voos decolando e aterrissando”, alertou.
Duffy negou que as cancelamentos sejam uma tática política, mas suas declarações geraram tensão em Washington. Enquanto isso, os aeroportos mostram o outro lado do conflito: corredores lotados, telas vermelhas e passageiros exaustos que pagam o preço de uma crise provocada pela paralisia do governo.
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