Apagões e propaganda: A termoelétrica Guiteras exibe sua 'solidariedade'

A termoelétrica Guiteras anunciou doações para os afetados pelo furacão Melissa, enquanto o sistema elétrico de Cuba enfrenta apagões devido a um déficit de geração e problemas técnicos em várias usinas.

Doações da CTE GuiterasFoto © Facebook / UNE

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A termoelétrica Antonio Guiteras divulgou que, em paralelo aos preparativos para a saída de sua planta do Sistema Elétrico Nacional, seu escritório sindical liderou a classificação e recepção de doações para os afetados do oriente cubano após o furacão Melissa, em uma comunicação que destaca a “solidariedade do nosso povo” enquanto o país enfrenta apagões prolongados devido à falta de geração.

Segundo o relatório, a primeira entrega —“continuamos recebendo contribuições”, afirmam— partirá para a CTC provincial antes de chegar às famílias afetadas.

O carregamento anunciado contém 52 linhas agrupadas em 17 volumes, incluindo um berço, com roupas e calçados para adultos e crianças, artigos de higiene, brinquedos e outros acessórios.

A empresa insere o gesto em uma campanha interna de apoio aos territórios mais afetados pelas inundações e pelos ventos.

Captura do Facebook

A exibição de doações ocorre enquanto o panorama energético se agrava no resto do país. Embora no leste já tenha sido restabelecido mais de 50% do serviço, a UNE informou que o déficit nacional continua em ascensão, com cortes de 24 horas e uma afetacão máxima de 1.244 MW na quinta-feira, aos quais se somaram 334 MW indisponíveis entre Las Tunas e Guantánamo devido aos efeitos de Melissa.

Para sexta-feira, a previsão de afetação superava os 1.400 MW, refletindo um sistema com disponibilidade precária frente a uma demanda que gira em torno de 2.800 MW no pico.

O relatório técnico detalha saídas por avaria nos blocos 5 e 6 de Nuevitas, no bloco 2 de Felton e no 6 de Renté, além de manutenções no 2 de Santa Cruz e no 4 de Cienfuegos.

A esse quadro se acrescentam limitações técnicas de 552 MW no parque térmico e a parada reiterada da própria Guiteras, que voltou a ser desligada do sistema por “defeitos inadiáveis”. Na geração distribuída, mais de 70 centrais permanecem paradas por falta de combustível, e 120 MW não podem operar devido à falta de lubrificantes.

Com uma disponibilidade às 6:00 da manhã de 1.529 MW frente a uma demanda de 2.107 MW —589 MW já afetados a essa hora—, a UNE calculou para o meio-dia 850 MW de interrupções e estimou para a noite uma disponibilidade de 1.495 MW diante de 2.830 MW de demanda, o que projetava um déficit de 1.335 MW e uma afetação de 1.405 MW se fossem cumpridos os pressupostos de entrada de alguns motores e um bloco de Nuevitas.

O resultado, adverte o relatório, é um estancamento do déficit em níveis críticos, apesar da recuperação parcial de certas usinas e da contribuição de novos parques solares.

Nesse contexto de fragilidade estrutural do SEN, a comunicação institucional da Guiteras destaca o envio de ajuda por parte de seu coletivo de trabalhadores, ao mesmo tempo em que o sistema continua lidando com saídas não planejadas, escassez de combustível e lubrificantes, além de uma demanda que supera amplamente a capacidade disponível.

A paradoxa entre a mensagem solidária e a persistência dos apagões marca o dia, com promessas de novas entradas pontuais de geração que, por enquanto, não conseguem aliviar a crise.

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