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A Unión Eléctrica (UNE) anunciou que estudantes do Politécnico Estanislao Gutiérrez, em Sancti Spíritus, estão participando das chamadas práticas pré-profissionais dentro do Parque Solar Fotovoltaico El Meso, em Jatibonico. No entanto, o detalhe que causou surpresa e indignação nas redes sociais é que tais práticas consistem, segundo a própria entidade, em separar e montar porcas e parafusos.
A publicação em Facebook destaca que os jovens “se juntam aos trabalhadores nas atividades de montagem de parafusos para a montagem das mesas do PSFV El Meso”, apresentando a atividade como parte do processo de aprendizagem.
Mas muitos usuários questionaram o escasso valor técnico e formativo de uma tarefa que pouco contribui para o desenvolvimento profissional ou para o conhecimento especializado que se espera de um estudante de nível médio técnico.
“Será que isso são realmente práticas pré-profissionais?”, se questionam alguns cubanos, apontando que a experiência deveria incluir treinamentos em eletricidade, energia solar, design de estruturas ou manutenção técnica, em vez de funções mecânicas básicas que não desenvolvem habilidades reais na profissão.
O episódio reavivou o debate sobre a crise do sistema de educação técnica em Cuba, onde as práticas de trabalho estão se reduzindo cada vez mais a atividades simbólicas que não preparam os jovens para o mercado de trabalho nem aproveitam seu potencial. Enquanto isso, o país enfrenta um déficit crônico de técnicos qualificados em setores estratégicos como a energia, a construção e a indústria.
Não é a primeira vez... também não será a última
Em Santiago de Cuba, no mês passado de fevereiro, trabalhadores da Empresa Elétrica “participaram ativamente” do processo de construção do Parque Solar Fotovoltaico Las Guásimas, um projeto chave para a geração de energia renovável na província, conforme explicou esta terça-feira a entidade.
Como parte das atividades preparatórias para a instalação dos painéis solares, os trabalhadores se dedicaram “ativamente” à classificação de porcas e arruelas, necessárias para a montagem das estruturas metálicas que sustentarão os módulos fotovoltaicos.
O fato de que trabalhadores da Empresa Elétrica tenham que realizar esse tipo de tarefas sugere um déficit na planejamento logístico do projeto ou uma precarização dos processos construtivos, o que poderia retardar em vez de acelerar a execução do parque solar.
Em novembro de 2024, a Empresa Elétrica de Holguín organizou um dia de classificação de parafusos para o parque solar de CORUA, em meio a um cenário de apagões que já ultrapassavam 15 horas diárias.
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