Estados Unidos apoia plano europeu para utilizar ativos russos congelados em apoio à Ucrânia

Os EUA apoiam o uso dos ativos russos congelados pela UE para financiar a defesa da Ucrânia. A proposta enfrenta resistência de alguns países europeus devido a preocupações legais e temores de represálias por parte da Rússia.

Sistema de mísseis defensivos PatriotFoto © X / @DefenceU

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Os Estados Unidos expressaram total apoio à União Europeia (UE) em seu plano de utilizar os ativos russos congelados como uma ferramenta financeira destinada a ajudar a Ucrânia e acelerar o fim da guerra, segundo informou uma fonte do governo americano citada pela Reuters.

A iniciativa da Comissão Europeia prevê que os governos do bloco possam utilizar até 185 bilhões de euros (cerca de 217 bilhões de dólares), provenientes dos aproximadamente 210 bilhões de euros em ativos soberanos russos atualmente retidos na Europa.

Captura de tela Facebook / Reuters

O plano não implica sua confiscação, mas sim o uso dos juros gerados para financiar a reconstrução e defesa da Ucrânia.

Washington “apoia absolutamente a UE e as medidas que estão tomando neste momento para poder utilizar esses ativos como ferramenta”, declarou a fonte, que pediu o anonimato devido à sensibilidade do assunto.

Após a invasão russa da Ucrânia em 2022, os Estados Unidos e seus aliados congelaram cerca de 300 bilhões de dólares em ativos do banco central e do Ministério das Finanças da Rússia, como parte de um amplo pacote de sanções contra Moscou.

No entanto, a proposta europeia enfrenta resistência dentro do bloco. A Bélgica, onde se concentra a maior parte dos fundos russos, manifestou preocupações com as implicações legais e os possíveis riscos de represálias.

Nos últimos dias, Berlim sugeriu que os recentes avistamentos de drones sobre bases militares e aeroportos belgas poderiam ser um aviso de Moscovo para dissuadir qualquer movimentação sobre os ativos.

O Kremlin, por sua vez, negou qualquer implicação e ameaçou com uma “resposta contundente” se forem concretizadas medidas que considerar uma apreensão.

Em paralelo, o presidente americano Donald Trump anunciou no final de outubro novas sancões contra a Rosneft e a Lukoil, as duas maiores petroleiras russas, como parte de um esforço renovado para pressionar as finanças do Kremlin e forçar um acordo de paz.

Washington avalia os efeitos dessas sanções e, segundo a fonte, “há mais coisas que poderíamos fazer para aumentar a pressão” sobre o regime de Vladimir Putin, cuja ofensiva sobre a Ucrânia já entrou em seu quarto ano.

Um debate que divide a Europa e preocupa Moscovo

A proposta da Comissão Europeia para empregar os juros gerados pelos ativos russos congelados abriu um intenso debate dentro do bloco e entre seus aliados ocidentais.

Segundo Financial Times e Reuters, o bloco europeu busca que o plano não apenas sirva para financiar a defesa e a reconstrução da Ucrânia, mas também como um sinal de que a UE manterá a pressão sobre Moscovo enquanto a guerra continuar.

No plano jurídico, a medida foi elaborada para evitar a confiscação direta dos fundos — algo que violaria normas internacionais sobre imunidade soberana — e se limitar ao uso dos rendimentos financeiros que esses ativos produzem enquanto permanecem imobilizados em bancos europeus, principalmente na Bélgica, França e Alemanha.

Para a Ucrânia, esta proposta representa uma das poucas vias realistas para sustentar sua economia e seu esforço bélico sem depender exclusivamente dos orçamentos nacionais dos parceiros ocidentais.

Fontes do Ministério das Finanças ucraniano citadas por Politico Europe e The Guardian insistiram que “é justo que os recursos do agressor financiem a reparação dos danos que causou”.

Kiev considera que esses fundos devem ser direcionados para infraestruturas críticas, compensações a civis deslocados e apoio à indústria de energia, severamente afetada pelos bombardeios russos.

No entanto, alguns governos europeus temem que o movimento crie um precedente perigoso para o sistema financeiro internacional. Bélgica e Luxemburgo solicitaram garantias legais adicionais, enquanto a Alemanha propôs uma fórmula temporária que permita liberar os benefícios de forma gradual e supervisionada.

Washington, embora apoie plenamente o princípio do plano, defendeu a manutenção da coordenação com o G7 para evitar que a medida seja percebida como uma expropriação.

Segundo AP New, o Departamento do Tesouro dos EUA considera que qualquer passo em falso pode provocar represálias econômicas do Kremlin ou desestabilizar os mercados financeiros globais.

Em Kiev, a mensagem é clara: “A Rússia destrói a nossa infraestrutura a cada dia, e o nosso povo paga o preço. É hora de que ela também pague com seu dinheiro”, disse recentemente um alto funcionário ucraniano citado pela BBC News.

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