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As tradicionais parrandas de Guayos, no município de Cabaiguán, província de Sancti Spíritus, continuam suspensas apesar do descontentamento dos moradores, que haviam se preparado por meses para a celebração do centenário da festividade, considerada Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade.
A decisão foi confirmada pelas autoridades locais através de uma nota oficial publicada pelos canais institucionais, onde são apresentadas razões econômicas, sanitárias e de sensibilidade social devido à situação nacional após a passagem do furacão Melissa, que devastou o leste cubano.
Os últimos tempos têm sido extremamente difíceis para os cubanos... agora, um ciclone atingiu a região oriental do país e deixou centenas de cubanos sem nada”, afirma o comunicado divulgado pelo governo local no jornal Escambray, que assegura ter tomado a decisão após “amplas análises” com as autoridades provinciais, as direções dos bairros e os líderes da comunidade.
No entanto, muitos guayenses consideram injustificada a suspensão e a interpretam como mais uma demonstração da falta de vontade política para sustentar as expressões culturais populares em meio à crise generalizada do país.
Nas redes sociais, usuários denunciaram que os recursos já investidos poderiam ser perdidos e que o entusiasmo comunitário "foi pisoteado por decisões burocráticas".
As parrandas de Guayos, protagonizadas pelos bairros El Chivo e La Rana, são uma das celebrações mais antigas e queridas do centro da ilha.
A cada ano, a comunidade se organiza durante meses para erguer carros alegóricos, construir fogos de artifício e ensaiar comparsas, numa competição de cor, música e tradição.
Este 2025 deverá marcar o centenário da festa, um marco para gerações de espirituanos que, mesmo em tempos de escassez, têm defendido o direito de celebrar sua cultura e sua identidade local.
“Iniciativas foram preparadas, recursos foram investidos, esperava-se uma grande afluência de visitantes... e agora tudo fica em uma pausa indefinida”, lamentou um vizinho em declarações compartilhadas nas redes sociais.
Em sua nota, o governo municipal de Cabaiguán citou a dificuldade da situação econômica e sanitária, com a presença de arboviroses na região, bem como a necessidade de priorizar a atenção ao leste do país após o furacão Melissa.
Aun assim, prometeu que “a maior festa de Guayos será celebrada quando as condições o permitirem” e que “todos os recursos adquiridos serão preservados”.
No obstante, em Guayos predomina o desencanto. Muitos lembram que esta não é a primeira vez que as autoridades suspendem as parrandas com argumentos políticos ou de força maior, enquanto a comunidade continua esperando apoio real para preservar seu patrimônio cultural.
As parrandas —declaradas pela UNESCO em 2018 como Patrimônio Imaterial da Humanidade— fazem parte do tecido cultural cubano, especialmente nas regiões centrais.
Sua suspensão em Guayos, além do impacto emocional, evidencia a perda de autonomia cultural e o deterioramento institucional que a ilha sofre sob o controle do Estado sobre a vida social e artística.
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