
Vídeos relacionados:
O Hospital Pediátrico William Soler, em Havana, encontra-se totalmente colapsado, com saturação nos atendimentos de urgência, déficit de pessoal e falta de insumos, segundo denúncias divulgadas por familiares de pacientes.
Nos relatórios compartilhados pela página de La Tijera e Saúl Manuel na jornada deste sábado, consta a denúncia de pais e cuidadores que descrevem longas esperas, filas que não avançam e condições precárias dentro do centro.
De acordo com os depoimentos, em áreas sensíveis do hospital “só há dois estudantes e uma médica” para atender a um volume de doentes que não cessa, incluindo recém-nascidos.
A isso se somam problemas higiênicos: “nem falar dos banheiros”, resume um dos relatos, em um panorama que as famílias qualificam de caótico diante do aumento de casos febris e complicações compatíveis com dengue.
Um pai contou que, após chegar com sua filha apresentando vômitos em aumento, foi anotado em uma lista que não se moveu durante três horas; descreveu outros pais irritados e uma entrada no serviço “praticamente à força” quando a menina piorou.
“É realmente um caos”, disse ao solicitar atenção imediata para os casos que estão se agravando na sala de espera.
Outra denunciante relatou que o filho de sua amiga foi devolvido para casa em duas ocasiões por falta de medicamentos e acabou desidratado. Ela afirmou que a família teve que comprar na rua os soros e até o equipamento completo para a canalização.
“Não há medicamentos para vômitos, não há nada”, acrescentou, enquanto questionava um critério de atendimento que — segundo sua versão — prioriza apenas os casos graves devido à escassez e condiciona a administração de fármacos a gestantes e crianças menores de 12 anos, deixando o restante “à sua sorte”.
Nesse contexto, familiares informaram duas mortes de crianças por dengue hemorrágica, um dado que alimenta a alarme sobre a capacidade do sistema para responder aos picos de demanda pediátrica e para garantir os insumos mais básicos em um hospital de referência nacional.
A situação, descrita pelas famílias como insustentável, destaca a necessidade de reforço de pessoal, abastecimento de medicamentos e fluidos, e melhorias urgentes na higiene hospitalar, para evitar novos desfechos fatais e complicações preveníveis em pacientes pediátricos.
Uma situação semelhante foi denunciada no início de outubro em Matanzas, quando as autoridades informaram que o Hospital Pediátrico Provincial Eliseo Noel Caamaño estava operando sob máxima pressão assistencial, com a ocupação de leitos no limite devido ao aumento de doenças virais na província.
A direção do centro relatou um elevado fluxo de receitas e reorganizou o atendimento para responder ao pico de demanda.
Além disso, procederam a redistribuir os pacientes em outras instalações da província para descentralizar o atendimento do hospital.
Crise sanitária em Cuba
Em uma atualização sobre a crise sanitária em Cuba, a funcionária explicou que, durante a última semana, houve um aumento significativo de síndromes febril inespecíficos, com 109 municípios relatando mais atendimentos por essa causa, e que a positividade da IgM para dengue também aumentou, evidência de transmissão ativa em várias províncias.
Mencionou entre as áreas mais afetadas Guantánamo, Matanzas, Sancti Spíritus, Ciego de Ávila e Villa Clara.
A vice-ministra acrescentou que, embora se observe uma diminuição das infecções respiratórias agudas, a circulação viral persiste, por isso pediu para manter as medidas de proteção individual, especialmente diante do aumento das chuvas, que podem afetar a qualidade sanitária da água e favorecer a proliferação de vetores.
Arquivado em: