Com o dólar em queda, as Mipymes deixam de aceitar pagamentos nessa moeda

A queda do dólar no mercado informal cubano leva as Mipymes a rejeitar pagamentos nesta moeda, buscando se reabastecer. Usuários criticam a especulação e a falta de visão comercial.

Negócios privados em CubaFoto © CiberCuba

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A recente queda do dólar no mercado informal cubano —uma das mais acentuadas dos últimos meses— está provocando reações inesperadas entre os negócios privados.

Embora a lei proíba as Mipymes de cobrar diretamente em moeda estrangeira, muitos o fazem de forma encoberta para garantir a reposição de mercadorias, pois precisam de dólares ou euros para importar ou comprar em grandes quantidades no mercado negro. No entanto, aparentemente, nos últimos dias, vários estabelecimentos deixaram de aceitar pagamentos em dólares físicos, justo quando seu valor está caindo.

Captura de tela Facebook / Manuel Viera Porelcambio

En redes sociais, numerosos usuários denunciam que há três dias muitas Mipymes se recusam a aceitar dólares, mesmo para transações pequenas. O caso mais viral foi protagonizado pelo advogado e ativista Manuel Viera, que, em suas , contou que tentou comprar um pacote de frango com uma nota de 10 USD e ninguém quis trocá-la.

“Não entendo nada —escreveu—. Se um pacote de 10 libras custa 10 dólares, por que não posso pagá-lo com 10 dólares?”. Segundo Viera, o comportamento dos comerciantes responde a uma lógica especulativa: “Querem ganhar alguns pesos com a variação da mudança amanhã, mesmo que hoje percam vendas”.

Em um segundo , criticou a falta de visão daqueles que, ao rejeitar divisas, “estão entregando seus clientes ao Estado”, que mantém suas lojas dolarizadas. “Quando o governo tiver dólares suficientes para importar, ele os retirará do mercado”, advertiu.

Captura de tela Facebook / Manuel Viera Porelcambio

Um comportamento generalizado

As queixas se multiplicam por todo o país. “Não são poucas... são muitas”, respondeu uma usuária no tópico original. “Está acontecendo há três dias em muitos estabelecimentos privados.”

Outro comentário resumiu a paradoxal: "Não querem vender em dólares, mas compram a 420".

À inconformidade cidadã se soma a confusão legal: os negócios privados não têm permissão para operar em moeda estrangeira, embora a maioria o faça de forma informal, pois o peso cubano não lhes serve para se reabastecer.

Quando a taxa de câmbio cai, os proprietários preferem reter os produtos e esperar uma nova alta antes de vender.

Entre a especulação e o medo

Economistas consultados explicam que a conduta responde a uma mistura de precaução, oportunismo e falta de formação empresarial.

Many of these businesses are simple resellers, without strategy or reserve capital, who transfer each fluctuation of the dollar to prices, but only in the direction that benefits them.

Outros apontam para uma coordenação implícita entre grandes importadores privados para provocar uma queda temporária da taxa de câmbio e recomprar divisas mais baratas antes de um novo aumento.

O mal-estar cresce

Os comentários dos consumidores refletem raiva e desconfiança. “Quando o dólar sobe, os preços sobem; quando cai, não caem”, escreveu um leitor. “Aqui já não há comerciantes, há negociantes.”

Em meio à queda das divisas e ao aumento constante dos preços, a percepção geral é que o mercado privado cubano se comporta como um espelho distorcido do estatal: sem transparência, sem competição real e sem empatia.

“O dólar está em baixa, mas a vida continua a mesma”, resume um comentário. “E em Cuba, isso já não surpreende ninguém.”

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