"Não há comida": Denúncia cubana desde centro de evacuação em Río Cauto

"Não há comida": Denúncia cubana desde centro de evacuação em Río Cauto

Centro de evacuaçãoFoto © Facebook

Um cubano identificado como Richar Alarcón denunciou nas redes sociais as condições precárias em um dos centros de evacuação do município Río Cauto, na província de Granma, onde dezenas de famílias permanecem refugiadas após as inundações provocadas pelo furacão Melissa.

Em um vídeo publicado no Facebook, Alarcón afirma que os evacuados na área conhecida como Vado del Yeso estão “dois dias sem comer” e acusa o governo cubano de ocultar a gravidade da situação, enquanto os meios de comunicação oficiais publicam apenas notícias favoráveis sobre a gestão da emergência.

O governo cubano publica o que lhe convém, mas a realidade é a que vemos: pessoas abandonadas, evacuadas sem comida, em Vado del Yeso, província de Río Cauto. Estão há dois dias sem comer. As famosas mipimes são as que vendem a preços exagerados, porque o governo cubano não tem como enfrentar essa situação”, expressou.

Enquanto isso, relatos de Bayamo indicam que vários centros de evacuação dessa cidade receberam apoio da comunidade, com vizinhos que levaram comida, brinquedos e doações para as crianças e as famílias deslocadas pela cheia do Rio Cauto.

No entanto, a situação nos centros de evacuação em Río Cauto parece muito diferente.

Me indigna um pouco, porque em Bayamo as pessoas estão se comportando bem, levando comida e brinquedos para as crianças evacuadas. Não pode ser que aqui, em Río Cauto, estejamos há dias sem comida e que tenhamos que esperar pela ajuda de outros. Não pode ser que as pessoas de fora nos atendam melhor do que nós mesmos”, lamentou o internauta Marcos Reinier Tarragó Rosabal, que chamou a preparar uma caldosa para os abrigados no El Politécnico local.

O furacão Melissa deixou graves danos no leste de Cuba, com rios transbordando, comunidades isoladas e milhares de pessoas evacuadas. Embora as autoridades afirmem que estão trabalhando na entrega de alimentos e suprimentos básicos, os depoimentos do local evidenciam deficiências na assistência humanitária e uma falta de coordenação local.

A denúncia de Alarcón se junta a outros relatos de cidadãos que mostram as dificuldades dos evacuados nas áreas afetadas.

Enquanto os meios de comunicação estatais falam de “ordem” e “controle da situação”, as redes sociais se tornaram o principal canal para difundir vídeos e imagens de comunidades com escassos recursos.

Em Bayamo e em outras localidades próximas, moradores organizaram coletas para enviar alimentos, roupas e medicamentos aos centros de evacuação do município de Río Cauto.

A tragédia evidenciou novamente a vulnerabilidade do leste cubano diante de desastres naturais e da falta de recursos para responder a emergências de grande escala. 

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Equipe Editorial da CiberCuba

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