
Vídeos relacionados:
O regime cubano voltou a empregar a transferência forçada como método de punição contra presos políticos, ao enviar recentemente os ativistas Ángel Cuza e Walnier Luis Aguilar do Combinado do Leste, em Havana, para prisões em Artemisa e Matanzas, respectivamente.
Ambos prisioneiros, reconhecidos por sua oposição ao governo, foram retirados do presídio de Havana sob o pretexto de uma suposta lista de internos que planejavam iniciar uma greve de fome, segundo informaram seus familiares.
Wilber Aguilar, pai de Walnier, explicou que seu filho foi transferido na segunda-feira para a prisão de Agüica, em Matanzas, a quase 200 quilômetros de sua casa na capital cubana.
“Isso é um abuso”, denunciou o pai, que desmentiu que o jovem tivesse intenções de protagonizar uma greve. Aguilar aguarda uma ligação de seu filho do presídio matancero, considerado de máxima segurança e onde também cumpre pena o opositor Félix Navarro.
Por sua parte, o ativista Ángel Cuza foi levado no domingo para a prisão de Guanajay, na província de Artemisa, sob os mesmos argumentos.
Em um áudio divulgado pela jornalista Yaima Pardo, Cuza denunciou que se encontra em uma cela de isolamento, sem contato com outros detentos. “Supostamente tenho visita amanhã. Vamos ver como está a situação aqui. Estou em uma cela isolada sozinho”, relatou.
O traslado de ambos os dissidentes faz parte de uma prática habitual do regime cubano, que afasta os prisioneiros políticos de suas províncias de residência como uma forma de punição adicional tanto para eles quanto para suas famílias, que enfrentam dificuldades para visitá-los.
Diversas organizações de direitos humanos têm denunciado reiteradamente essa tática de repressão carcerária, utilizada pelo governo de Miguel Díaz-Canel para quebrar a resistência dos prisioneiros de consciência e isolá-los de seu ambiente familiar e social.
O traslado como castigo: Uma tática do regime cubano para isolar os prisioneiros políticos e suas famílias
O traslado de presos políticos para penitenciárias distantes de suas famílias é uma prática frequente no sistema penitenciário cubano, utilizada pelo regime como forma de repressão e punição adicional aos prisioneiros de consciência e seus familiares.
Meios independentes e organizações de direitos humanos documentaram múltiplos casos onde o objetivo dessas medidas não é logístico nem judicial, mas sim psicológico e coercitivo, buscando isolar os presos, limitar as visitas familiares e dificultar a comunicação com o exterior.
Em junho de 2023, CiberCuba informou que cinco manifestantes do 11J foram retirados da prisão de Agüica (Matanzas) sem aviso prévio aos seus familiares nem explicação oficial, em um que ativistas qualificaram como um traslado punitivo.
Da mesma forma, em maio de 2025, este meio reportou que as autoridades negaram a transferência do prisioneiro político Eider Frómeta para uma prisão de sua província natal, prolongando seu isolamento e as dificuldades de sua família para visitá-lo.
O caso atual de Walnier Luis Aguilar Rivera e Ángel Cuza se encaixa nesse padrão repressivo. Ambos foram recolhidos no Combinado do Leste, em Havana, e recentemente enviados para prisões de Matanzas e Artemisa, respectivamente, sob o argumento de uma suposta greve de fome.
O pai de Walnier, Wilber Aguilar Bravo, denunciou em várias ocasiões o assédio policial e as represálias do regime contra os familiares dos presos políticos.
A Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) concedeu-lhe medidas cautelares em 2025, reconhecendo a gravidade de sua situação. Aguilar Bravo, tornando-se a voz visível dos familiares do 11J, denunciou publicamente que “a ditadura pune até mesmo as mães e pais por exigir justiça”.
Por sua parte, Ángel Cuza sofreu detenções reiteradas por seu trabalho cívico. Em 2023, foi preso após participar de uma protesto pacífico em Havana e permaneceu várias semanas incomunicado em uma cela de castigo, segundo denunciado por organizações opositoras.
Esses casos refletem um mesmo padrão de empenho institucional: dispersar os presos políticos em prisões distantes, isolá-los e desgastá-los emocionalmente junto às suas famílias, uma política que as autoridades cubanas mantêm apesar das denúncias internacionais.
Arquivado em: