O dólar prolonga sua queda no mercado informal cubano

A queda confirma uma tendência de baixa que, até agora, não encontra uma explicação clara nos fundamentos econômicos do país.

Imagem de referência criada com Inteligência ArtificialFoto © CiberCuba

O preço do dólar americano voltou a cair nesta terça-feira no mercado informal cubano, estendendo uma tendência de baixa que já dura mais de uma semana e mantém em alerta compradores e revendedores de moedas em toda a ilha.

Segundo os dados publicados pelo El Toque na sua taxa representativa do mercado informal, o dólar amanheceu hoje a 430 pesos cubanos (CUP), dez pesos a menos que na jornada anterior.

A queda confirma uma tendência descendente que, até agora, não encontra uma explicação clara nos fundamentos econômicos do país.

Por sua vez, o euro se mantém estável em 500 CUP, enquanto a moeda livremente conversível (MLC) caiu mais cinco pesos e está em 200 CUP por unidade, seu nível mais baixo em várias semanas.

Evolução da taxa de câmbio

Taxa de câmbio informal em Cuba Terça-feira, 4 de Novembro de 2025 - 05:54

  • Tasa de câmbio do dólar (USD) para pesos cubanos CUP: 430 CUP
  • Tasa de câmbio do euro (EUR) para pesos cubanos CUP: 500 CUP
  • Tasa de câmbio do (MLC) para pesos cubanos CUP: 200 CUP

Equivalência de notas segundo o mercado negro

Dólar americano (USD → CUP)

  • 1 USD = 430 CUP
  • 5 USD = 2.150 CUP
  • 10 USD = 4.300 CUP
  • 20 USD = 8.600 CUP
  • 50 USD = 21.500 CUP
  • 100 USD = 43.000 CUP

Euro (EUR → CUP)

  • 5 EUR = 2.500 CUP
  • 10 EUR = 5.000 CUP
  • 20 EUR = 10.000 CUP
  • 50 EUR = 25.000 CUP
  • 100 EUR = 50.000 CUP
  • 200 EUR = 100.000 CUP
  • 500 EUR = 250.000 CUP

Racha baixista sem explicação clara

Em pouco mais de uma semana, o dólar perdeu mais de 50 pesos no mercado paralelo, uma queda de cerca de 10% em relação aos seus máximos no final de outubro.

Economistas consultados apontam que não há nenhuma mudança estrutural que justifique essa repentina valorização do peso cubano: a inflação continua alta, os preços de alimentos e serviços seguem subindo, e o Estado não implementou medidas monetárias significativas.

O economista Pedro Monreal sugeriu recentemente que uma possível expectativa de aumento de remessas poderia estar influenciando a baixa, embora tenha alertado que o efeito real seria mínimo e temporário.

Outros especialistas e usuários destacaram fatores psicológicos, viés de dados e até mesmo uma intervenção indireta ou manipulação do mercado informal, especialmente após as campanhas oficiais contra El Toque, acusado pelo regime de “influenciar” o valor das divisas.

Preços que sobem apesar da queda do dólar

Enquanto o dólar cai, os preços dos produtos básicos continuam a aumentar. Nos mercados agropecuários e no mercado negro, o arroz, a carne de porco, o óleo e os tubérculos custam mais do que há uma semana.

Essa contradição reforça o ceticismo popular. Muitos cubanos se perguntam como é possível que a cotação do dólar caia e os preços em CUP aumentem. Nas redes sociais, a expressão que mais se repete é uma velha frase do Período Especial: “O dólar não baixa, se abaixa para pegar impulso.”

Um mercado opaco e volátil

Os analistas concordam que o mercado informal cubano não é regido por leis de oferta e demanda estáveis, mas sim por percepções, rumores e reações políticas.

A queda atual pode ser apenas uma correção temporária antes de um novo aumento, em um contexto de inflação descontrolada, falta de divisas e desconfiança generalizada em relação ao peso cubano.

Por enquanto, o dólar continua a cair, mas ninguém na rua celebra: o dinheiro cubano continua a não ser suficiente, e os preços seguem refletindo a verdadeira medida da crise.

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Equipe Editorial da CiberCuba

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