Os EUA planejam enviar tropas ao México para atacar os cartéis de droga

A medida se insere na crescente campanha militar de Trump contra o narcotráfico no hemisfério ocidental, após os ataques a embarcações suspeitas no Caribe e no Pacífico.

Treinamento de tropas dos EUA.Foto © media.defense.gov

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A administração do presidente Donald Trump começou a elaborar uma nova e ambiciosa missão militar para enviar tropas americanas ao território mexicano com o objetivo de atacar diretamente os cartéis de drogas.

De acordo com informações confirmadas à NBC News por dois funcionários ativos e dois ex-altos funcionários do governo dos Estados Unidos, a operação incluiria ações terrestres e ataques com drones direcionados a laboratórios, membros e líderes das principais organizações criminosas do país vizinho.

Captura de tela Facebook / NBC News

Embora as discussões estejam avançadas, os funcionários esclareceram que um desdobramento iminente não está previsto e que a Casa Branca ainda não tomou uma decisão final.

A iniciativa representaria uma mudança drástica em relação às administrações anteriores, que se limitaram a tarefas de apoio e inteligência junto às forças mexicanas, sem participar diretamente em operações de combate.

As unidades envolvidas, muitas delas pertencentes ao Comando Conjunto de Operações Especiais, atuariam sob a autoridade da comunidade de inteligência dos Estados Unidos, de acordo com o Título 50, o que permitiria operações encobertas com a participação da CIA.

“O governo de Trump está comprometido a utilizar todos os recursos do Estado para proteger os cidadãos americanos das ameaças representadas pelos cartéis”, destacou um alto funcionário do Executivo, sem oferecer mais detalhes.

De acordo com fontes consultadas pela NBC News, a estratégia prevê o uso de drones militares controlados por operadores em terra, o que exigiria a presença física de efetivos no México.

Em fevereiro, o Departamento de Estado já havia designado seis cartéis mexicanos —junto com a MS-13 e o Tren de Aragua venezuelano— como organizações terroristas estrangeiras, concedendo assim maior margem legal para ações militares e de espionagem.

O projeto americano gerou preocupação na Cidade do México. A presidenta Claudia Sheinbaum rejeitou qualquer possibilidade de intervenção direta: “O México coordena e colabora, mas não se subordina”, afirmou em uma coletiva de imprensa.

Ainda assim, seu governo permitiu a ampliação dos voos de vigilância da CIA e intensificou a cooperação antinarcóticos com Washington, deslocando 10.000 soldados para a fronteira e extraditando mais de 50 líderes criminosos.

A medida se insere na crescente campanha militar de Trump contra o narcotráfico no hemisfério ocidental, após os ataques a embarcações suspeitas no Caribe e no Pacífico.

O mandatário insistiu que os cartéis representam uma ameaça direta à segurança nacional e advertiu que “qualquer um que tentar introduzir drogas nos Estados Unidos enfrentará uma punição letal”.

Se concretizada, a missão abriria uma nova frente na política externa dos Estados Unidos e poderia tensionar as relações entre Washington e o México em um momento crucial para a cooperação bilateral.

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