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O humorista Ulises Toirac voltou a estremecer as redes sociais com uma reflexão repleta de preocupação e tristeza diante da passagem do furacão Melissa pelo leste de Cuba, fenômeno que deixou inundações catastróficas, deslizamentos e comunidades isoladas em várias províncias.
Em sua conta no Facebook, Ulises -conhecido por seu tom crítico e seu olhar lúcido sobre a realidade cubana- expressou sua angústia pela magnitude do desastre natural e pela vulnerabilidade do país diante de um evento dessa magnitude.
"Cuba nem possui a solidez média de construções nem os mecanismos da Jamaica. Uma parte importante da população sofre com alguma das arboviroses, enfrenta um regime secular de intensos apagões e tem pouquíssimas possibilidades de acesso à informação pela Internet", escreveu.
O comediante lembrou que a Jamaica, atingida dias antes pelo mesmo furacão, foi declarada zona de desastre pelo seu primeiro-ministro, e destacou que esse país, com melhor infraestrutura e recursos, precisará de meses para se recuperar.
Não tenho palavras para expressar a preocupação e a tristeza que sinto. E será uma tragédia nacional somada a todas as que já sofremos. Para nós, levará anos. Infelizmente", acrescentou.
Toirac concluiu sua publicação pedindo solidariedade dentro e fora de Cuba diante do desastre.
O post se tornou viral rapidamente, com dezenas de reações e comentários de cubanos que compartilham a mesma sensação de impotência e temor.
Não consigo imaginar o terror e a impotência, escreveu o humorista em um dos trechos mais emotivos de seu texto.
Um país atingido por Melissa
Enquanto isso, o leste de Cuba vive um de seus piores dias em anos. O furacão Melissa, que fez landfall na madrugada de quarta-feira como categoria 3, deixou para trás graves inundações, ventos destrutivos e múltiplos danos estruturais.
No município de Sagua de Tánamo, Holguín, o rio Sagua transbordou, alagando casas e ruas inteiras.
Vídeos compartilhados nas redes sociais mostram casas parcialmente submersas, pessoas deslocadas e correntes arrastando árvores e animais.
Segundo o Centro Nacional de Furacões (NHC), às 5:00 da manhã, o olho do furacão estava sobre Holguín, com ventos sustentados de 185 km/h e rajadas superiores, deslocando-se lentamente para o nordeste.
As chuvas intensas também provocaram deslizamentos e deslizamentos de terra em El Cobre, Santiago de Cuba, onde 17 pessoas, incluindo crianças e idosos, ficaram presas após o colapso de uma encosta na Loma del Cimarrón.
"Tem chovido como nunca aconteceu antes", declarou Beatriz Johnson Urrutia, primeira secretária do Partido Comunista na província, enquanto brigadas de resgate tentavam alcançar a área alagada.
Um dos presos, o médico Lionnis Franco, conseguiu comunicar que todos estão a salvo, embora a situação seja crítica. "Estamos resguardados e tentando manter a calma. O rio continua muito alto, é impressionante", relatou.
Uma tragédia em curso
O campo de ventos da tempestade tropical Melissa se estende por quase 300 quilômetros a partir de seu centro, o que amplia o raio de afetacão a todo o leste do país.
As autoridades alertam que, embora o ciclone deixe o território nas próximas horas, as chuvas persistirão e poderão causar novas inundações.
Ulises Toirac, em sua mensagem, resumiu o sentimento de muitos cubanos diante desta nova crise: "Só resta apoiar a solidariedade. Tanto entre nós quanto dos países que têm a possibilidade de fazê-lo."
Sua reflexão ressoa em um momento em que Cuba enfrenta não apenas um desastre natural, mas o peso de anos de precariedade estrutural e social.
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