Denunciam estelionato contra idoso em Cuba: Com um falso poder notarial, tiraram sua casa

Um idoso de 92 anos em Cuba denuncia, junto com sua neta, uma procuração falsa que os despojou de sua moradia. Eles pedem agilidade às autoridades diante da falta de solução após meses de esforços.

Anciano e sua netaFoto © Facebook / Yenisey González

Um idoso de 92 anos e sua neta denunciaram que um suposto poder notarial fraudulento teria permitido revogar um mandato anterior e desapossar a família de sua única residência, em um caso que envolve cartórios, Habitação, Planejamento Físico e a Promotoria municipal de Bauta, em Havana.

Em diversas denúncias nas redes sociais, a família afirma ter apresentado denúncias formais por falsificação de documentos públicos e roubo, mas afirma que as instituições não ofereceram uma solução após meses de gestões.

El avô nega ter assinado ou consentido o poder que anula o que havia concedido anteriormente à sua neta —coproprietária por direito de representação— e que teria facilitado a venda ou transferência do imóvel para terceiros.

Um novo poder supostamente emitido na Notaria de Bauta pela notária Arais Hernández Loyola revogaria o anterior e facultaria a terceiros a “comprar, permutar, vender, acordar preços e receber pagamentos”, chegando inclusive a estabelecer que o idoso “doava” sua residência. A família alega que jamais existiu esse consentimento.

Segundo a denúncia da neta, Yenisey González, a revogação do poder em seu favor não foi registrada oportunamente no sistema notarial, o que "ocultou" o ato e permitiu que o novo procurador avançasse trâmites na Habitação, Planejamento Físico e escritórios de advocacia.

O idoso questiona a lógica do documento que deixaria a ele e sua família sem lar.

“Vocês acreditam que… eu vou fazer um poder tão grosseiro como este para entregar minha casa a ninguém?… Seria o mais baixo… tirar a casa da sua neta e das suas netas, que são as que o têm cuidado”, declarou, pedindo “que se faça justiça”.

A neta relata que, após sua saída temporária do país com sua filha, deixou a casa sob os cuidados de conhecidos e retornou oito meses depois, quando se deparou com o fato de que essas pessoas afirmavam ter “comprado” a casa.

Denúncia que foi desalojada de fato, que a propriedade foi objeto de medições por funcionários de Habitação e Planejamento Físico, e que circulava um “novo poder” —com atos de última vontade e declaração de herdeiros anexos— que desconhece e considera nulo.

Captura do Facebook

A família menciona as notárias Yanet Cabañas, Arais Hernández Loyola, Iris Moreno Villamil (ou Iris Villamil), e diretores como Nora (direção da notaria) e Mariceli (Registro de Propriedade).

Afirmam que, apesar dos alertas precoces, foi-lhes informado que “tudo estava em ordem” e, mais tarde, que a revogação do poder “não havia subido ao sistema”.

Funcionários municipais teriam tramitado um novo laudo técnico sobre o imóvel sem a vontade do titular (o avô) e admitido que a propriedade “havia sido vendida”, apesar de que antes negaram a existência de fraude, segundo a versão da família.

A família assegura ter apresentado denúncias; a Promotoria teria explicado que iniciaria a investigação e as convocações, mas —segundo os denunciantes— o caso entrou em uma “deriva de prazos” (entre semanas e meses) sem uma resposta definitiva.

Relata-se contatos com o PCC em Bauta (funcionário Leonardo), com o PCC provincial (funcionário de sobrenome Vinajera), com a Direção Provincial de Justiça de Artemisa (diretora Dialeidis), com o Ministério da Justiça, Atendimento à Cidadania e o Ministério da Habitação, sem avanços conclusivos, de acordo com a família.

Captura do Facebook

A família afirma ter provas e reitera que o avô não compareceu a nenhuma notaria nem deu consentimento para o poder “revogatório” que teria anulado o mandato em favor da neta e transferido as faculdades para dispor da residência.

Também questionam que o ato não exigisse parecer médico nem testemunhas capazes de atestar a capacidade do outorgante, dada sua idade e condições sensoriais (baixa visão e audição), e que se aceitasse como válida a versão de que "todos os familiares estavam fora de Cuba".

A família reclama a anulação do poder impugnado, o restabelecimento da titularidade e proteção contra novos tentativas de desapossamento.

Exigem que a Fiscalia e a Justiça atuem com celeridade, que sejam determinadas responsabilidades e que o caso não se prolongue mais, diante da vulnerabilidade do avô. “Este avô merece justiça”, diz o documento de denúncia divulgado nas redes.

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