Gerardo Hernández promove Cuba como um "paraíso" e desata uma onda de críticas

Gerardo Hernández enfrenta críticas por um vídeo que promove Cuba como um "paraíso" turístico, ignorando a crise econômica e social que limita o acesso dos cubanos a esses lugares.

Captura de vídeo / Gerardo Hernandez NordeloFoto © X / Gerardo Hernandez Nordelo

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Gerardo Hernández Nordelo, um dos ex-agentes conhecidos como Os Cinco e atual coordenador nacional dos Comitês de Defesa da Revolução (CDR), desencadeou uma onda de indignação nas redes sociais após publicar um vídeo no qual promove Cuba como um “paraíso” turístico “proibido” para americanos.

Na gravação, compartilhada em sua conta oficial do Facebook, Hernández mostra imagens de praias e resorts cubanos, acompanhadas de uma mensagem política: “Proibido para os cidadãos ‘livres’ dos Estados Unidos por obra e graça do bloqueio de seu governo”. O funcionário acrescentou as hashtags #Cuba #CDRCuba #TumbaElBloqueo.

O comentário, longe de gerar simpatia, provocou uma avalanche de respostas indignadas por parte de usuários cubanos que denunciaram a ironia de apresentar como “paraíso” um país mergulhado em apagões, crise sanitária e escassez de alimentos e medicamentos.

Entre os comentários, muitos lembraram que a maioria dos cubanos não pode acessar os hotéis nem as praias turísticas devido aos preços em moedas estrangeiras e aos salários estatais que não superam o equivalente a 20 dólares mensais.

“Você deveria se preocupar que estão proibidos para todos os cubanos. Você pode ir com seu salário?” respondeu um usuário.

Outro escreveu: “Os trabalhadores de Cuba, incluindo médicos, com um salário de 6.000 pesos, não conseguem nem comprar pão, quanto mais desfrutar das praias do seu país se não tiverem um familiar no exterior que lhes envie dólares.”

Alguns internautas ironizaram sobre o contraste entre a propaganda e a realidade: “90% dos cubanos não visitou Varadero, parem com a conversa fiada”, comentou Roberto Cardoso. “Com a quantidade de dengue, apagões e lixo, isso não é um paraíso, é um inferno tropical”, acrescentou outro usuário.

As respostas também incluíram duras críticas pessoais ao ex-espião. “Sim, somos livres e você sabe disso, tarrú espião terrorista. Você é quem tem o cérebro bloqueado”, escreveu uma usuária.

“Não há um único comentário que o apoie, os poucos a favor são perfis falsos criados por ele mesmo e seus bajuladores”, opinou outra internauta.

Alguns usuários, como Ruben Lara, apontaram para o pano de fundo econômico: “Você não sente vergonha de que a quinta fonte de divisas de Cuba venha daqueles que você chama de odiadores? A maior entrada de dinheiro vem do tráfico de médicos, não do turismo.”

Outros compararam a crise do setor turístico cubano com os destinos vizinhos do Caribe: “O turismo cubano está em crise. Os estrangeiros preferem a República Dominicana ou o México. Não acho que os norte-americanos estejam perdendo algo do outro mundo”, comentou Pedro Suárez.

A publicação de Hernández chega em meio a uma grave crise econômica e sanitária na ilha, marcada por apagões prolongados, escassez de combustível e uma inflação que pulverizou o poder aquisitivo dos trabalhadores.

Nas redes sociais, o vídeo foi classificado como um ato de propaganda insensível, alheio à realidade do cubano comum. “Proibido para o povo de Cuba, pela obra e graça da miséria imposta pelo governo”, resumiu um comentário que obteve centenas de reações.

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