Cubanos respondem a Gerardo Hernández: “A Yuma não será o paraíso, mas Cuba é o inferno.”

Gerardo falou sobre "pobreza" nos EUA, mas os cubanos lembraram-lhe de outra realidade: a miséria, a falta de liberdade e a fome estão em Cuba.

Gerardo Hernández e cubano buscando no lixoFoto © Colage CiberCuba

Vídeos relacionados:

O ex-espião Gerardo Hernández, coordenador dos Comitês de Defesa da Revolução (CDR), voltou a provocar a indignação dos cubanos ao comparar a pobreza nos Estados Unidos com a miséria que vive a população na ilha.

Sua frase —“Os odiadores pintam a Yuma como o paraíso terrestre”— desencadeou uma avalanche de respostas que mostram uma realidade muito distinta da versão oficial.

Enquanto o regime insiste em apontar os problemas sociais do país norte-americano, centenas de cubanos relembraram nos comentários de CiberCuba que nos EUA há pobreza, sim, mas também existem oportunidades, liberdade e serviços básicos que em Cuba são privilégios.

“La Yuma não é o paraíso, mas Cuba é, de fato, o inferno.”

“Nada na vida é perfeito, mas se alguém quer trabalhar e avançar, os Estados Unidos são o mais perto do paraíso”, escreveu Luis Sánchez, enquanto Clara María Valdés Fernández respondeu com ironia: “Exato, e Cuba, graças a vocês, é o inferno.”

José Aday contou que chegou aos EUA com 44 anos, sem dominar o idioma nem ter uma profissão, e hoje não vive na pobreza. “Isso mostra que existem caminhos para se superar. Em Cuba, nem trabalhando 35 anos você pode ter o básico”, destacou Berta Díaz Ortega da ilha.

Outros comentários lembraram que o país que Gerardo critica sustenta a economia cubana com as remessas, as lojas em MLC e as telecomunicações dolarizadas. "Sem a Yuma, vocês não viveriam", resumiu Bárbaro Cuesta León.

"Nos Estados Unidos se trabalha, mas se vive como pessoa."

O contraste entre ambos países se repete em dezenas de testemunhos. “Até o mais pobre pode dormir em um abrigo e comer se quiser; essa é a diferença”, disse Damaris Quiñones Gerpe.
“Desde que você chega, te tratam como pessoa”, acrescentou Antonio Ochoa Guevara, enquanto J. Martin Acosta lembrou que “na Yuma você pode protestar sem que te batam”.

Ariel Sague resumiu o sentimento de muitos: “É melhor o sonho americano do que a pesadilla cubana”.

"O inferno ficou pequeno."

Para aqueles que vivem dentro da ilha, as palavras de Gerardo foram ofensivas.
“Vocês pintam Cuba como uma potência médica, e aqui não há nem aspirinas”, comentou Osmel Domínguez.
“Se Dante voltasse a nascer, escreveria O Inferno com mais círculos, porque Cuba é exatamente isso”, escreveu Odalys Fraga García, enquanto Reynolis Almenares foi direto: “Qualquer país é o paraíso comparado com Cuba”.

Em outro comentário, Luis León recordou uma velha anedota: “Quando esteve preso nos EUA, Gerardo reclamou porque estava há seis dias comendo frango… imagina, melhor que um cubano livre”.

“Liberdade, oportunidades e dignidade”

Os mensagens se repetem com um mesmo fio condutor: liberdade e dignidade. “Em Cuba não há futuro; aqui (EUA) você trabalha e tem o que deseja”, escreveu Yara Rodríguez Mederos.
“Meu paraíso em Miami é melhor do que me pintaram há 42 anos”, confessou Aneisy Hernández Ortega, enquanto Alvaro Hernández recordou que chegou há dois anos e finalmente tem “liberdade, medicina e alimentação, três coisas que em Cuba são escassas”.

Carmencita González resumiu da seguinte forma: “Nos Estados Unidos, com dois anos de trabalho, um casal de 60 anos tem apartamento e carro. Em Cuba, nem em 35 anos você consegue comprar uma moto.”

O intento de Gerardo Hernández de desviar a atenção para a pobreza americana teve o efeito oposto: os cubanos lhe lembraram que o verdadeiro inferno está na ilha.
Em um país onde os apagões, a fome e a falta de liberdades fazem parte do cotidiano, qualquer comparação com os EUA soa mais como provocação do que como análise.

Arquivado em:

Luis Flores

CEO e cofundador do CiberCuba.com. Quando tenho tempo, escrevo artigos de opinião sobre a realidade cubana vista da perspectiva de um emigrante.