O que diz o meteorologista cubano José Rubiera sobre a tempestade tropical Melissa?

Apesar do lento deslocamento da tempestade tropical Melissa sobre o mar Caribenho central, o sistema representa um “perigo potencial” para a ilha.


O reconhecido meteorólogo cubano, José Rubiera, alertou nesta terça-feira sobre a evolução da tempestade tropical Melissa, um sistema que, conforme explicou em seu canal no YouTube, deve ser acompanhado com atenção nos próximos dias devido à elevada incerteza que envolve sua trajetória e desenvolvimento.

Rubiera, amplamente respeitado por sua experiência no monitoramento de furacões na região do Caribe, foi enfático: “É preciso estar bem informado porque Melissa estará presente por vários dias.”

Advertiu que, embora no momento o sistema ainda não represente uma ameaça clara para Cuba, sua evolução nos próximos dias poderia mudar esse cenário.

Um sistema em desenvolvimento sobre águas quentes

O meteorologista explicou que Melissa se encontra atualmente sobre o Caribe central, onde as águas quentes favorecem seu fortalecimento.

“O desenvolvimento ocorrerá nas próximas 48 a 72 horas, enquanto avança lentamente sobre águas muito quentes”, afirmou.

Adicionou que, embora ainda não estejam dadas todas as condições para um desenvolvimento explosivo imediato, o sistema apresenta características que sugerem uma intensificação gradual.

“A estrutura que possui é muito saudável”, disse; embora tenha observado que “não estão criadas todas as condições para um desenvolvimento fulminante, rápido, porque há um pouco de ventos na atmosfera superior”.

Apesar destes ventos desfavoráveis em altitude, Melissa continuará ganhando organização e força de maneira lenta, mas constante.

Trajetória incerta e movimento extremamente lento

Um dos pontos mais preocupantes destacados por Rubiera foi a marcada incerteza quanto ao deslocamento do sistema. “Não podemos saber exatamente para onde está indo, e isso nos dá um compasso de espera que pode durar vários dias”, explicou.

A tormenta apresenta um movimento muito lento, quase de estacionamento, devido à ausência de uma corrente diretiva na atmosfera que defina seu rumo.

"Este lento movimento também pode implicar zonas de estacionamento," alertou, enfatizando o fato de que esse comportamento incomum poderia prolongar a presença de chuvas intensas e tempestades elétricas em determinadas áreas do Caribe.

Rubiera insistiu que atualmente é impossível precisar a trajetória final que Melissa seguirá: “O que não sabemos é, após essa parada, para onde ela irá. Não podemos saber, pois neste momento não temos os elementos para isso.”

Daí seu chamado constante para se manterem informados através dos boletins meteorológicos diários.

Modelos de previsão divididos

O especialista meteorológico fez uma revisão dos principais modelos de previsão, sublinhando a grande divergência entre eles.

“Todos os modelos mostram uma grande divergência. Movimento muito lento e estacionamento por não haver uma corrente diretora”, reiterou.

Sobre os modelos específicos, indicou que o modelo GFS (do Global Forecast System) apresentou algumas alterações nos últimos dias: “O modelo GFS mostra algumas mudanças em relação aos dias anteriores porque situa trajetórias mais a oeste do que tinha anteriormente”.

Modelo de previsão do Sistema Global de Previsão (GFS)

Em contraste, "o modelo do centro europeu também mudou porque posiciona algumas trajetórias mais para o norte, mas mantém a maior parte da trajetória para o oeste."

Modelo de previsão do Centro Europeu

Em relação ao Centro Nacional de Furacões dos Estados Unidos (NHC), explicou que “emitiu um cone de trajetória que é incomum, porque implica um círculo, devido ao movimento lento que está sendo previsto para Melissa durante as próximas 72 horas”.

Pronóstico do Centro Nacional de Furacões dos EUA (Fonte: Captura de noaa.gov)

Em meio a tanta incerteza, Rubiera insistiu que a melhor ferramenta da população é o acompanhamento constante das atualizações meteorológicas.

“Tres, quatro ou cinco dias, e quando vier uma corrente diretiva que o faça se mover, poderemos ter uma ideia de para onde vai. O que devemos fazer então é estar informados e acompanhar a atualização de cada dia”, concluiu.

O Centro de Prognósticos do Instituto de Meteorologia (INSMET) de Cuba emitiu na manhã desta quarta-feira, 22 de outubro, seu Aviso de Ciclone Tropical No. 3, no qual alertou que, apesar do lento deslocamento da tempestade tropical Melissa sobre o mar do Caribe central, o sistema representa um “perigo potencial” para a ilha, sendo necessário manter uma vigilância estreita sobre sua evolução.

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