Nas últimas semanas, as redes sociais ficaram repletas de vídeos supostamente gravados em Cuba que mostram cenas impactantes ou rumores políticos.
No entanto, muitos desses materiais não são reais: foram criados com Sora, uma inteligência artificial desenvolvida pela OpenAI, a mesma empresa por trás do ChatGPT.
Sora permite gerar vídeos completos a partir de uma simples descrição escrita, sem necessidade de câmaras, atores ou cenários reais. O resultado são cenas digitais com pessoas, lugares e sons tão realistas que podem se confundir com gravações autênticas.
Sua segunda versão, Sora 2, melhorou notavelmente o realismo dos movimentos, das sombras e da física dos objetos. Também incorpora áudio sincronizado e a possibilidade de adicionar vozes, efeitos sonoros e até rostos e vozes reais por meio de uma função chamada Cameos.
OpenAI garante que Sora 2 ainda está em fase de testes e disponível apenas nos Estados Unidos e no Canadá, mas outras ferramentas semelhantes já estão circulando pela internet.
Em Cuba, páginas e perfis como Periódico Patria 1892 têm compartilhado vídeos gerados com esta tecnologia, que contribuíram para a disseminação de falsos rumores.
O caso mais chamativo de falsidade na informação foi sobre a suposta morte de Raúl Castro. Começou no dia 22 de setembro na página Ignacio Giménez Cuba e foi replicado pelo Periódico Patria 1892 sem provas verificáveis. Uma conta de paródia de CiberCuba amplificou a desinformação com uma montagem gráfica. A falsa hospitalização foi levada ao ponto de uma suposta defunção que se tornou viral.
Os especialistas alertam que esse tipo de conteúdo pode ser utilizado para manipular a opinião pública e criar narrativas políticas falsas.
Como identificar um vídeo falso gerado por inteligência artificial
- Movimentos ou gestos pouco naturais.
- Sombras ou reflexos que não coincidem.
- Texturas estranhas nas mãos, olhos ou fundos.
- Vozes artificiais ou sincronização labial imprecisa.
- No caso do Sora, deve aparecer seu logo, mas há novas ferramentas para removê-lo.
- Falta de fontes ou meios confiáveis que confirmem o fato.
Compartilhar conteúdo falso só enfraquece a credibilidade daqueles que buscam uma mudança real em Cuba. A verdade é suficiente para mostrar a magnitude da crise que Cuba vive. A fome, os apagões, os desmoronamentos, a repressão e o êxodo não precisam ser inventados. Os cubanos os sofrem dia após dia, com fatos verificáveis.
Difundir notícias ou vídeos manipulados oferece ao regime argumentos para desacreditar aqueles que o denunciam. Por isso, o compromisso deve sempre ser com a verdade. Em um país onde a mentira oficial tem sido a norma por mais de seis décadas, a transparência e a veracidade são as armas mais poderosas para desmascarar o poder e acelerar sua queda.
Ante a crescente sofisticação da inteligência artificial, informar-se por meios verificados e contrastar as fontes é mais importante do que nunca.
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