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O exército dos Estados Unidos lançou um novo ataque contra uma embarcação suspeita de narcotráfico no mar do Caribe, perto das costas da Venezuela.
“O exército dos EUA atacou nesta quinta-feira outro barco no mar do Caribe, perto das costas da Venezuela”, informou CBS News, acrescentando que “pela primeira vez há relatos de sobreviventes”.
O ataque, realizado por membros do Comando Sul, é o sexto operativo conhecido na região desde o mês passado, e o primeiro em que não falecem todos os ocupantes.
A informação foi divulgada por meio de informações repassadas por funcionários americanos através de meios de comunicação dos EUA, assim como pelas agências Reuters e EFE.
As autoridades não especificaram quantas pessoas viajavam a bordo nem o número exato de feridos ou sobreviventes.
O Pentágono não respondeu imediatamente aos pedidos de comentários, disseram Reuters e CBS News.
Desde o início desta ofensiva militar, ao menos 27 pessoas morreram em cinco ataques anteriores em águas próximas à Venezuela.
Um padrão de ataques e a justificativa de Washington
O governo do presidente Donald Trump justificou essas operações com o argumento de que os Estados Unidos mantêm “um conflito armado não internacional” com organizações narcoterroristas estabelecidas na Venezuela, o que - segundo a administração republicana - legitima o uso da força militar.
Trump publicou em sua conta de Truth Social vídeos de alguns ataques anteriores, descrevendo os falecidos como “narcotraficantes” e afirmando que as embarcações destruídas transportavam drogas.
No entanto, desta vez o mandatário não divulgou nenhuma publicação sobre o ataque, o que marca uma diferença em relação a operações anteriores, que ele costumava anunciar pessoalmente ou mostrar em vídeo.
EFE e CBS coincidem que o episódio não foi comunicado oficialmente e que as informações disponíveis provêm apenas de funcionários americanos sob condição de anonimato.
Essa falta de informação alimentou a incerteza sobre o que ocorreu.
Não foi revelada a identidade dos sobreviventes, nem se foram resgatados por forças americanas ou por outras embarcações na área.
Também não se conhecem os detalhes do confronto nem o destino do barco atacado.
A CIA e as operações encobertas na Venezuela
O novo ataque ocorre um dia após Trump confirmar que havia autorizado a Agência Central de Inteligência (CIA) a realizar operações encobertas na Venezuela, citando motivos de “combate ao narcotráfico e controle migratório”.
“Por que autorizou a CIA a entrar na Venezuela?”, perguntou um jornalista durante uma conferência na Casa Branca.
Trump respondeu: “Na verdade, eu autorizei por duas razões. Primeiro, eles esvaziaram suas prisões em direção aos Estados Unidos. E a outra razão são as drogas. Temos muitas drogas entrando da Venezuela.”
Em Caracas, o anúncio foi recebido como uma ameaça direta.
O presidente Nicolás Maduro acusou Washington de tentar derrubá-lo e alertou que está se preparando para “declarar estado de emergência diante de uma agressão estadunidense”.
Durante um ato público, Maduro declarou: “O Governo dos Estados Unidos decide enviar a CIA para a Venezuela. Nunca nenhum Governo anterior, desde que a CIA existe, disse publicamente que enviava a CIA para matar, derrubar e acabar com os países.”
Escalada militar no Caribe
O conflito diplomático se desenvolve em paralelo a um desdobramento militar sem precedentes.
Desde agosto, o Comando Sul do Exército dos Estados Unidos tem aumentado sua presença no Caribe com destróieres equipados com mísseis guiados, um submarino nuclear, aviões F-35, bombardeiros estratégicos B-52 e cerca de 10.000 efetivos.
Na quarta-feira, dois bombardeiros B-52 provenientes da Louisiana sobrevoaram a cerca de 240 quilômetros ao norte da costa venezuelana.
Um alto funcionário americano qualificou a manobra como “uma demonstração de força”.
Paralelamente, unidades de elite da aviação de Operações Especiais do Exército realizaram voos de treinamento no sul do mar Caribe, perto de plataformas petrolíferas e de gás, segundo o The Washington Post.
Tensões crescentes e denúncias cruzadas
O governo de Caracas acusa Washington de tentar provocar uma mudança de regime.
Maduro comparou a situação com as operações encobertas da CIA na América Latina durante o século XX: “Na Venezuela não há golpes de Estado organizados pela CIA, que tanto nos lembram as 30.000 pessoas desaparecidas nos golpes de Estado na Argentina e no Chile com Pinochet”.
Por sua parte, a administração Trump afirma que as ações buscam desmantelar redes de narcotráfico vinculadas ao Cartel de los Soles, que Washington associa a altos comandantes militares venezuelanos.
O desdobramento militar dos Estados Unidos começou poucos dias depois que a justiça dos Estados Unidos aumentou para 50 milhões de dólares a recompensa por informações que levem à captura de Maduro.
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