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Em meio à grave situação sanitária e produtiva que atravessa Cuba, dezenas de pessoas foram mobilizadas neste sábado em diferentes pontos do país: no leste, para a colheita do café; na capital, para enfrentar a crise do lixo.
Desde cedo pela manhã, trabalhadores, estudantes e moradores de Santiago de Cuba partiram em ônibus e caminhões em direção às áreas cafeeiras de El Ramón de las Yaguas e Segundo Frente, em uma mobilização massiva voltada para apoiar a colheita de café de 2025.
Os veículos saíram da Praça da Revolução Major General Antonio Maceo, carregados de faixas e bandeiras para uma jornada convocada pelo regime.
“El café é tradição, identidade e esforço. Cada grão colhido importa”, expressou um dos organizadores ao iniciar a jornada.
As autoridades locais esperam que esta ação ajude a compensar os atrasos provocados pelas recentes chuvas. A colheita tem sido considerada uma prioridade estratégica para a economia regional, disseram.
Enquanto isso, em La Habana, a reativação do trabalho voluntário gerou controvérsia. O governante Miguel Díaz-Canel criticou abertamente a escassa participação da população em várias áreas durante uma operação de coleta de lixo realizada no fim de semana anterior.
“Em Dez de Outubro, Playa e La Lisa não houve nada. Nesses lugares ninguém apareceu. Onde estão os delegados? Onde estão os responsáveis?”, reclamou Díaz-Canel em uma reunião de acompanhamento transmitida pela televisão estatal.
O operativo conseguiu recolher mais de 35.000 metros cúbicos de resíduos, de acordo com dados oficiais, mas ainda há mais de mil circunscrições sem limpeza.
A falta de um plano sustentável de coleta preocupa tanto o governo quanto a população, que convive com os riscos à saúde derivados do acúmulo de lixo.
Embora promovido como um gesto de “unidade e compromisso revolucionário”, o trabalho voluntário tem sido historicamente questionado por setores que o veem como uma forma de pressão política ou como uma resposta improvisada diante da ineficiência estrutural dos serviços públicos.
Em redes sociais, vários cubanos compararam as mobilizações atuais com os anos mais difíceis do Período Especial, enquanto outros lembraram que a coleta de lixo ou a colheita de café deveriam ser garantidas por serviços organizados, e não por convocações de última hora à população.
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