A primeira reação de María Corina Machado ao ficar sabendo que ganhou o Prêmio Nobel da Paz 2025 não foi um discurso solene ou preparado, mas sim uma mistura de incredulidade, lágrimas e risadas compartilhadas.
Desde a clandestinidade, onde está escondida da perseguição do regime de Nicolás Maduro, a líder oposicionista atendeu uma chamada que marcou o dia: a do Instituto Nobel norueguês.
O diretor do centro, Kristian Berg Harpviken, foi o primeiro a comunicar a notícia, apenas minutos antes de o Comitê tornar público o veredicto.
Na gravação divulgada pela Fundação Nobel, ouve-se Machado repetir várias vezes "Oh, Deus meu!" e confessar com a voz embargada: "Não tenho palavras… Sinto-me honrada, sobrecarregada e muito agradecida em nome do povo da Venezuela".
Harpviken pediu que guardasse a notícia durante cinco minutos, até o anúncio oficial. Ela, visivelmente impactada, respondeu: "Acho que vou levar muito mais tempo para acreditar no que acabei de ouvir".
Um prêmio com duplo significado
Para Machado, o reconhecimento transcende sua figura pessoal.
Na chamada oficial com o Instituto Nobel, insistiu: "Esta é uma conquista para toda a sociedade. Eu sou apenas uma pessoa, não mereço isso. Este é o maior reconhecimento ao nosso povo".
Posteriormente, em uma mensagem publicada em sua conta do X, vinculou o prêmio à luta política que lidera.
"Este imenso reconhecimento à luta de todos os venezuelanos é um impulso para concluir nossa tarefa: conquistar a liberdade", expressou.
"Estamos à beira da vitória e hoje, mais do que nunca, contamos com o Presidente Trump, o povo dos Estados Unidos, os povos da América Latina e as nações democráticas do mundo como nossos principais aliados", acrescentou.
A visão do Comitê Nobel
O presidente do Comitê Nobel norueguês, Jørgen Watne Frydnes, definiu Machado como "uma corajosa e comprometida defensora da paz, que mantém viva a chama da democracia em meio à escuridão".
O julgamento destacou seu papel na promoção dos direitos democráticos na Venezuela e na busca por "uma transição justa e pacífica da ditadura para a democracia".
Segundo Frydnes, Machado encarna "a esperança de um futuro diferente, em que os direitos fundamentais dos cidadãos sejam protegidos e suas vozes sejam ouvidas".
Entre risos e lágrimas com Edmundo González
Pouco depois, chegou uma chamada mais íntima: a de Edmundo González Urrutia, seu aliado político.
No vídeo compartilhado em suas redes, ouviu-se a espontaneidade do momento: "Ai não, bom... não sei se estou... estou em choque. Mas que diabo é isso? Eu não consigo acreditar nisso, meu Deus", disse Machado entre risadas nervosas.
González, contagiado pela emoção, respondeu: "Aqui estamos todos em choque de alegria também, sabia? Isso é um carajazo."
O dirigente opositor, excandidato presidencial apoiado por Machado em 2024, acompanhou o vídeo com uma mensagem pública.
" Nossa querida María Corina Machado, agraciada com o Prêmio Nobel da Paz 2025! Um reconhecimento mais que merecido pela longa luta de uma mulher e de todo um povo pela nossa liberdade e democracia. A primeira Nobel da Venezuela! A Venezuela será livre!", escreveu.
Contexto e repercussões
A notícia abalou o cenário político da Venezuela.
Machado se torna a primeira pessoa venezuelana a receber um Prêmio Nobel, o que a posiciona entre as figuras mais influentes da América Latina atualmente.
Sua trajetória é marcada pelo confronto com o chavismo.
Em 2023, após dominar as primárias da oposição, o regime de Maduro bloqueou sua candidatura presidencial. Um ano depois, desconsiderou a vitória de González, o candidato apoiado por ela, o que gerou denúncias internacionais de fraude.
Desde então, Machado permanece na clandestinidade, sob uma perseguição cada vez mais feroz.
Em contraste, o silêncio do regime de Maduro diante da notícia é tão eloquente quanto a reação emotiva de Machado.
Ao mesmo tempo, nos Estados Unidos aguarda-se com interesse a postura do presidente Donald Trump, que durante anos almejou o Nobel, mas que em 2025 viu o prêmio ser concedido à líder venezuelana.
A chamada telefônica que mudou a história de Machado reflete não apenas a dimensão humana de um prêmio carregado de simbolismo, mas também a determinação de uma líder que, mesmo perseguida e em ocultação, recebeu a confirmação de que sua luta transcendeu fronteiras.
Perguntas Frequentes sobre o Prêmio Nobel da Paz 2025 a María Corina Machado
Por que María Corina Machado ganhou o Prêmio Nobel da Paz 2025?
María Corina Machado foi premiada por seu "incansável trabalho na promoção dos direitos democráticos do povo venezuelano e por sua luta por alcançar uma transição justa e pacífica da ditadura para a democracia". Sua liderança tem sido fundamental para manter viva a chama da democracia na Venezuela, mesmo em meio à perseguição do regime de Nicolás Maduro.
Qual foi a reação de María Corina Machado ao saber do prêmio?
A reação de María Corina Machado foi de surpresa e emoção. Em uma chamada telefônica com o diretor do Instituto Nobel, ela expressou incredulidade dizendo: "Oh, meu Deus!" e se sentiu honrada, sobrecarregada e muito grata em nome do povo da Venezuela. Sua reação foi espontânea, cheia de lágrimas e risos, refletindo o impacto pessoal e coletivo do reconhecimento.
¿Qué significa este prêmio para a Venezuela e para a luta democrática no país?
O prêmio representa um reconhecimento internacional à luta pela liberdade e pela democracia na Venezuela. Para Machado, esta homenagem é uma conquista de toda a sociedade venezuelana e um impulso para concluir a tarefa de conquistar a liberdade. O reconhecimento do Comitê Nobel enfatiza a importância de proteger os direitos fundamentais e promover uma transição pacífica em direção à democracia.
Qual tem sido a trajetória de María Corina Machado na política venezuelana?
María Corina Machado tem sido uma figura chave da oposição venezuelana, conhecida por sua firme postura contra o regime chavista. Em 2023, ganhou as primárias da oposição, mas sua candidatura presidencial foi bloqueada pelo regime de Maduro. Apesar da perseguição, ela tem permanecido ativa na clandestinidade, liderando um movimento unificado que busca eleições livres e um governo democrático na Venezuela.
Arquivado em:
