
Vídeos relacionados:
As autoridades de Villa Clara ativaram nesta quinta-feira os grupos temporários de enfrentamento às arboviroses nos 13 municípios da província, após a confirmação de um aumento nos casos de dengue, chikungunya e oropouche.
Durante a reunião do grupo provincial, presidida pela governadora Milaxy Yanet Sánchez Armas, foi acordado um plano de medidas que inclui a fumigação das áreas com focos detectados, a mobilização de pessoal de diferentes setores e a abertura de residências que permanecem fechadas sem a realização do autofocal, reportou a emissora provincial CMHW.
O doutor Neil Reyes Miranda, diretor do Centro Provincial de Higiene, Epidemiologia e Microbiologia, explicou que somente com a participação da população e o trabalho conjunto entre os setores estatal e não estatal será possível reduzir o aumento dos vírus.
Até a data, precisou, foram relatados 14 casos graves, embora sem óbitos.
As autoridades anunciaram jornadas de higienização para sábado e domingo, com o apoio do setor agrícola que fornecerá equipamentos de fumigação.
No entanto, a nova operação ocorre em um contexto marcado por campanhas sanitárias reiteradas que não conseguiram erradicar os criadouros do mosquito Aedes aegypti, persistentes em todo o país.
O doutor Francisco Durán García assegurou que não foram reportados óbitos associados aos eventos virais que afetam o país, e desmentiu versões que falavam de “11 mortos em uma noite” em Matanzas.
Em sua atualização semanal sobre o cenário epidemiológico, Durán precisou que, embora haja alta demanda por serviços de saúde naquela província, estes não colapsaram.
Durán confirmou a circulação de três arboviroses: dengue (com presença sustentada), chikungunya (detectado inicialmente em Matanzas e em expansão dentro da província) e Oropouche (em declínio).
O ministro da Saúde Pública, José Ángel Portal Miranda, reforçou essa versão em uma reunião em Matanzas com autoridades do Partido Comunista.
"Não há mortos em Matanzas por esta doença. Nem há casos graves nem críticos. Ninguém pode esconder uma epidemia nem os mortos", declarou.
No entanto, as declarações oficiais geraram uma onda de reações críticas entre os cidadãos, que refutam que não estejam ocorrendo óbitos como consequência dessas doenças.
Especialistas alertaram sobre uma crise de “arboviroses combinadas” que o regime cubano não reconhece oficialmente, o que limita a capacidade do sistema de saúde para enfrentar surtos múltiplos e simultâneos de doenças transmitidas por mosquitos.
A historiadora e ativista cubana Alina Bárbara López Hernández denunciou que as autoridades nacionais e provinciais estão manipulando a informação sobre a epidemia que afeta a província de Matanzas.
Segundo López, existe uma ordem explícita para desmentir as mortes por arboviroses. “A ordem de desmentir os falecidos por arboviroses foi dada. Assim afirmam o doutor Durán, o ministro da Saúde e as autoridades de Matanzas.”
A jornalista matancera Yirmara Torres Hernández, ex-presidente da União de Jornalistas de Cuba (UPEC) em Matanzas, também quebrou o silêncio.
“Não há mortos, mas existem”, relatando a morte de uma vizinha por chikungunya e denunciando que “vivemos em um estresse constante, que estamos mal alimentados, imunodeprimidos… As noites são dos mosquitos, das ratas, das baratas... Que controle antivectorial vai haver assim?”.
O hospital clínico cirúrgico Salvador Allende, conhecido popularmente como La Covadonga, pode fechar parcialmente seus serviços habituais diante do aumento de casos de dengue e chikungunya em Havana.
Fuentes internas do centro confirmaram a CiberCuba que uma comissão provincial visitou o hospital na terça-feira, 7 de outubro, para avaliar a possibilidade de converter várias de suas salas em unidades de internamento para pacientes contaminados com arboviroses, devido a um cenário epidemiológico cada vez mais tenso na capital cubana.
Por sua vez, em Ciego de Ávila, a Direção Provincial de Serviços Comuns intensificou as atividades de higienização nos municípios com maior geração de resíduos sólidos, como parte das ações para eliminar criadouros do mosquito Aedes aegypti, principal vetor da dengue, do chikungunya e do vírus Oropouche.
Estas ações de higienização se intensificam em um contexto onde a província registrou mais de 5.000 casos de síndromes febris até o momento deste ano, com circulação confirmada de dengue, chikungunya e Oropouche.
Recientemente, as autoridades de saúde declararam a transmissão ativa de arboviroses em áreas específicas de Ciego de Ávila e Morón, em resposta ao aumento de casos febris e à proliferação do mosquito vetor.
Perguntas frequentes sobre o surto de arboviroses em Cuba
Por que o governo de Villa Clara ativou um plano de emergência?
O governo de Villa Clara ativou um plano de emergência devido ao aumento nos casos de dengue, chikungunya e oropouche na província. Foram registrados 14 casos graves, embora sem óbitos, e as autoridades buscam controlar a propagação por meio de fumigações e mobilização de pessoal.
Quais arboviroses estão afetando Cuba atualmente?
Cuba está enfrentando um surto de arboviroses que inclui dengue, chikungunya e o vírus de Oropouche. O dengue tem uma presença sustentada, enquanto o chikungunya e o Oropouche mostraram expansão em várias províncias.
Quais medidas estão sendo tomadas para controlar a propagação dessas doenças?
As autoridades cubanas estão implementando medidas como fumigação, saneamento e vigilância epidemiológica. Estão mobilizando equipes de fumigação e pessoal de saúde para eliminar os criadouros de mosquitos, além de realizar jornadas de higienização e pesquisas casa a casa em áreas afetadas.
Qual é a situação atual em Matanzas em relação às arboviroses?
Em Matanzas, a situação é crítica devido ao surto de arboviroses. As autoridades negam óbitos, mas relatos de cidadãos sugerem o contrário. As ações de fumigações e controle vetorial foram intensificadas, embora os recursos sejam limitados.
Quais desafios o sistema de saúde cubano enfrenta diante desta crise?
O sistema de saúde cubano enfrenta vários desafios, incluindo a falta de recursos médicos, escassez de inseticidas e pessoal, e uma crise sanitária que se agrava pela falta de reconhecimento oficial da gravidade do problema. A falta de diagnóstico e tratamento adequados limita a resposta efetiva à crise de arboviroses combinadas.
Arquivado em: