Mais de cinco meses sem receber uma única gota de água pelas redes hidráulicas. Essa é a dura realidade que várias comunidades da cidade de Holguín enfrentam, uma das mais afetadas pela intensa seca que atinge atualmente Cuba.
Em declarações à Telecristal, o delegado de Recursos Hidráulicos na província, Juan Mario Echevarría, reconheceu a gravidade da situação.
“Este ano tem sido o mais difícil para o abastecimento de água à população. Há locais que estão há mais de cinco meses sem receber o serviço pelas redes hidráulicas”, afirmou o funcionário.
As chuvas recentes no leste do país beneficiaram os reservatórios de Moa e Mayarí, mas não ocorreu o mesmo com as fontes que abastecem diretamente a sede provincial. “A cidade tem uma situação especialmente delicada”, destacou Echevarría, e garantiu que à escassez de precipitações se somam problemas técnicos e logísticos.
O delegado de Recursos Hidráulicos explicou que, embora as conexões para fornecer serviço a algumas áreas já estejam prontas, as falhas nos grupos geradores impediram a realização das bombagens necessárias.
“Demoramos seis horas para bombear a água do reservatório de Cacoyugüín até a estação de tratamento, e não se pode garantir a energia elétrica para que se trabalhe esse período continuamente”, indicou.
Por si não bastasse, o gerador principal está quebrado. Os técnicos estão tentando consertá-lo, mas não há garantia de sucesso nem previsão de uma data exata para retomar a bomba de água como deveria.
Díaz-Canel promete priorizar os afetados
Enquanto a crise hídrica se espalha por grande parte do país, Miguel Díaz-Canel assegurou nesta segunda-feira que o Governo priorizará o abastecimento de água nas áreas mais afetadas.
Quem está há 30 dias sem água? A esse tem que chegar primeiro. Vamos normalizando e depois daremos para todo mundo, mas primeiro é preciso atender os mais afetados”, disse durante uma reunião de acompanhamento realizada em Havana com altos dirigentes do regime.
Na capital cubana, mais de 156.000 pessoas continuam afetadas pela escassez de água. A vice-presidente Inés María Chapman afirmou que a crise se deve tanto a falhas no ciclo de distribuição quanto ao colapso do fornecimento por meio de caminhões-pipa.
Entre 3 e 6 de outubro, conseguiu-se reduzir esse número em mais de 111.000 pessoas graças à incorporação de 119 caminhões, 47 a mais do que os disponíveis anteriormente.
Chapman afirmou que o déficit hídrico apresenta uma "tendência à redução progressiva", devido a reparos nas principais adutoras do país e à melhoria nos sistemas de bombeamento, embora as afecções persistam em muitas regiões do leste cubano.
Inversão milionária sem detalhes
O regime afirma que estão sendo executadas mais de 300 obras de infraestrutura hidráulica em todo o país, com um investimento que supera os cinco mil milhões de pesos cubanos, embora não tenha fornecido detalhes sobre os territórios beneficiados nem sobre o uso específico desses recursos.
O presidente do Instituto Nacional de Recursos Hídricos (INRH), Antonio Rodríguez Rodríguez, reconheceu que mais de 400.000 famílias ainda não têm acesso regular à água, especialmente nas províncias de Holguín, Ciego de Ávila, Las Tunas e Camagüey.
Embalses importantes, como Gilbert e Gota Blanca (Santiago de Cuba), assim como Faustino Pérez e La Yaya (Guantánamo), conseguiram uma certa recuperação, mas os níveis de armazenamento continuam sendo insuficientes para reverter o deterioro do sistema de abastecimento nacional.
Perguntas frequentes sobre a crise da água em Holguín e outras regiões de Cuba
Por que as comunidades de Holguín estão sem água há mais de cinco meses?
A falta d'água em Holguín deve-se a uma combinação de intensa seca, falhas técnicas e problemas logísticos. As chuvas têm sido insuficientes para reabastecer as fontes que fornecem água à cidade, e as falhas nos grupos geradores impedem a bomba d'água dos reservatórios até as estações de tratamento. Isso deixou muitas comunidades sem serviço por mais de cinco meses.
Quais medidas o governo cubano anunciou para enfrentar a crise da água?
O governo cubano prometeu priorizar o fornecimento de água nos territórios mais afetados, começando por aqueles que estão há mais tempo sem o serviço. Além disso, estão sendo executadas mais de 300 obras de infraestrutura hídrica, embora não tenham sido oferecidos detalhes específicos sobre o uso dos recursos nem os prazos para a solução. A vice-presidente Inés María Chapman garantiu que o déficit hídrico apresenta uma tendência de redução progressiva.
Qual é a situação atual do fornecimento de água em outras províncias de Cuba?
Além de Holguín, províncias como Santiago de Cuba, Las Tunas, Guantánamo e Ciego de Ávila enfrentam sérias dificuldades no fornecimento de água. Em Santiago de Cuba, o ciclo de distribuição pode ultrapassar os 30 dias, com reservatórios em níveis mínimos. As deficiências na infraestrutura, a falta de eletricidade e os constantes apagões complicam ainda mais a situação nessas regiões.
Como a crise elétrica está afetando a distribuição de água em Cuba?
A crise elétrica em Cuba é responsável por aproximadamente 70% dos problemas no abastecimento de água. Os apagões e quedas de tensão impedem o funcionamento contínuo das bombas de água, afetando a capacidade de distribuição em todo o país. Sem energia elétrica, o sistema de bombeamento para, agravando a já complicada situação hídrica.
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