Uma jovem cubana residente na ilha desencadeou um amplo debate no TikTok ao compartilhar um vídeo em que questiona a decisão de alguns emigrados de voltar a viver em Cuba, assegurando que a realidade do país não é como a pintam certos influencers.
Vou lançar um fato e quem se incomodar que se incomode, começa dizendo a usuária @izygamer5, que se dirigiu àqueles que retornam à ilha após viver no exterior. Segundo afirma, muitos deles o fazem para "montar um negocinho de 4 pesos" e evitar o esforço que implica trabalhar nos Estados Unidos, onde “às vezes as contas não fecham”.
A jovem afirma que em Cuba é possível se hospedar gratuitamente em casas de familiares ou conhecidos e aproveitar a economia informal, mas alerta que, com as constantes interrupções de energia elétrica, a situação logo se torna insustentável. “Quando já tiverem um mês neste país, que não te dá nem tempo para carregar um ecoflow (...) quando acabar a comida, (...) o que você vai fazer, meu chinês?”, diz, aludindo ao colapso do sistema energético e às dificuldades para conservar alimentos.
También critica a quienes retornam com a ideia de "inflar" e aponta para as influencers que, na sua perspectiva, promovem uma imagem distorcida da vida em Cuba: “Por culpa de toda essa gente é que uma pilha está olhando para trás e se comendo um cabo depois”.
O vídeo acumulou centenas de comentários, muitos deles divididos. Enquanto alguns usuários elogiam a franqueza de @izygamer5, outros a questionam por generalizar ou por opinar a partir de uma posição que consideram limitada. “Nem todos voltam para ‘inflar’”, escreveu um usuário, argumentando que há quem retorne por motivos familiares ou porque não conseguiu se legalizar nos EUA. Outros criticam que ela fale das dificuldades do país enquanto exibe uma manicure recente: “As unhas são de graça ou custam dinheiro?”, ironizou uma comentarista.
Alguns até perguntam sobre termos mencionados no vídeo, como "ecoflow", em referência a geradores ou baterias portáteis recarregáveis, que muitos cubanos usam para atenuar os apagões. Também há aqueles que expressaram resignação ou sarcasmo: “Deixe-os enfrentar a realidade”, escreveu um usuário.
A controvérsia surge em um momento em que se tornam visíveis histórias e testemunhos de cubanos que, após anos no exterior, decidem retornar à ilha, com motivações que vão desde o esgotamento econômico até a necessidade de estar perto de seus entes queridos.
O reguetonero El Micha explicou sua decisão de voltar a Cuba, afirmando que “não quero mais pagar contas, vou para onde as pessoas te dão carinho”, após denunciar a falta de apoio que recebeu nos Estados Unidos e seu descontentamento com o ambiente competitivo da indústria musical em Miami.
O caso do cubano-alemão Juan Carlos Hernández Mora demonstra os riscos de investir na ilha: foi condenado por acusações que considera injustas, perdeu seu hostel e foi privado de sua residência, ficando preso em Cuba sem poder sair até 2030.
Também está o caso do ator Juan Carlos Roque Moreno, que voltou à ilha em dezembro passado após enfrentar dificuldades pessoais e profissionais na Espanha, ou o de jovem Sheila Pérez, que retornou para cuidar de seu avô, e casos de cubanos que compartilham nas redes sociais a reforma de suas casas em Cuba após deixar os Estados Unidos.
A publicação de @izygamer5 não só expõe uma opinião pessoal, mas também reflete a crescente polarização entre cubanos dentro e fora da ilha, em torno do que implica ficar, retornar ou reconstruir uma vida entre dois mundos. Um conflito que, longe de se resolver, continua ganhando visibilidade nas redes sociais.
Perguntas Frequentes sobre o Debate dos Cubanos que Retornam à Ilha
Por que alguns cubanos decidem retornar a Cuba do exterior?
Alguns cubanos decidem retornar a Cuba devido a razões familiares, dificuldades econômicas no exterior ou saudade de sua terra natal. Embora muitos busquem melhores oportunidades fora, outros escolhem voltar para estar perto de seus entes queridos ou porque a vida no exterior não atendeu às suas expectativas. Casos como o de Sheila Pérez, que retornou para cuidar de seu avô, refletem a complexidade e a diversidade de motivos pessoais por trás dessa decisão.
Que críticas enfrentam aqueles que retornam a Cuba do exterior?
Quem retorna a Cuba enfrenta críticas por subestimar as dificuldades do país, como os apagões e a escassez de alimentos, e por idealizar a vida na ilha após viver no exterior. Alguns também são questionados por retornar temporariamente ou por aparentar um estilo de vida que não reflete a realidade econômica do país. Esse fenômeno gerou divisões e debates nas redes sociais, como se vê no caso de @izygamer5, que alerta sobre as condições difíceis em Cuba.
Como se percebe a imagem de Cuba nas redes sociais?
A imagem de Cuba nas redes sociais está dividida entre aqueles que destacam seus problemas econômicos e aqueles que apresentam uma visão mais idealizada. Os turistas e alguns influenciadores mostram uma Cuba de belezas naturais e experiências turísticas, enquanto outros, como Eileen Morales, denunciam a realidade das quedas de energia, a escassez e as limitações do sistema político. Esse contraste provoca debates sobre a verdadeira situação do país e as experiências de seus cidadãos.
Quais são os riscos enfrentados pelos cubanos que decidem investir na ilha?
Os cubanos que decidem investir na ilha enfrentam riscos legais e econômicos significativos. O exemplo de Juan Carlos Hernández Mora, que foi condenado por acusações que considera injustas e perdeu seu albergue, ilustra os perigos de investir em um ambiente com um sistema judicial questionável e uma economia instável. Esses riscos podem levar à perda de investimentos e a situações de vulnerabilidade dentro do país.
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