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O histórico Miami Seaquarium, que desde 1955 faz parte da memória coletiva de gerações no sul da Flórida, fechará suas portas no final de 2025 para dar lugar a um ambicioso projeto de reconversão.
A instalação, que tem estado no centro de controvérsias judiciais e denúncias por maus-tratos a animais, será transformada em um moderno aquário sem mamíferos marinhos sob a direção do Terra Group, desenvolvedor sediado em Coconut Grove.
Um novo começo sem espetáculos de animais
Segundo documentos de "perguntas frequentes" obtidos por Local 10, o Terra Group apresentou "a oferta mais alta e melhor" para assumir o Seaquarium, uma operação que ainda requer a aprovação de um tribunal de falências e dos comissários do condado.
Sua proposta contempla substituir o parque por um aquário acreditado que ofereça experiências aquáticas imersivas, um centro de educação e conservação, instalações no porto, espaços de bem-estar à beira-mar, comércios e restaurantes especializados em produtos do mar, assim como áreas verdes e um calçadão público.
A icônica cúpula de Buckminster Fuller será preservada e reconvertida em um espaço para eventos.
A Terra confirmou em um comunicado que "como parte da transição, o Miami Seaquarium cessará temporariamente suas operações no final de 2025", data em que os animais residentes serão transferidos para novos lares.
A empresa ressaltou que zelará pela proteção dos empregados, mantendo salários e benefícios, e que garantirá um atendimento seguro a todas as espécies durante o processo.
O apoio das autoridades locais
A prefeita de Miami-Dade, Daniella Levine Cava, e a comissária Raquel Regalado, representante de Virginia Key, celebraram o acordo em uma declaração conjunta publicada no X.
Foi classificado como "um grande passo à frente para o condado de Miami-Dade" que abre "um novo capítulo na educação sobre a vida marinha e a preservação da Baía de Biscayne".
Também destacaram que o projeto criará "um destino comunitário vibrante" que combinará entretenimento, serviços familiares e respeito ambiental.
Regalado, no entanto, ressaltou que o calendário é "aspiracional", uma vez que o fechamento pode ser adiado para o início de 2026 devido a permissões regulatórias e ao deslocamento de animais sob supervisão do USDA.
Subrayou também que o novo conceito deve "honrar a história do Miami Seaquarium" e rejeitou a ideia de espetáculos com animais: "Não queremos animais que atuem. Queremos interações saudáveis, resilientes e baseadas no bem-estar animal".
A comissionada destacou que preservar a cúpula é um requisito inadiável e adiantou que negociará com a Terra um aumento do aluguel cujos rendimentos serão destinados ao departamento de parques, que necessita de mais fundos.
Uma longa história marcada por controvérsias
Desde a sua inauguração em 1955, nos terrenos de Virginia Key, o Miami Seaquarium se tornou um marco turístico e cultural, alcançando até mesmo fama internacional nos anos sessenta como cenário da série televisiva Flipper.
No entanto, o passar do tempo transformou sua imagem: à nostalgia de muitos visitantes somou-se o crescente repúdio social à exibição de mamíferos marinhos em cativeiro.
A morte em 2023 de Lolita, a orca que viveu mais de cinco décadas em um tanque considerado inadequado por defensores dos animais, e a do golfinho Sundance em dezembro do mesmo ano, acentuaram o escrutínio público.
Demandas, decisões e tensões com o condado
Em paralelo, os problemas financeiros e legais do Seaquarium se multiplicaram.
Em março de 2024, a prefeitura de Miami-Dade anunciou o fim do contrato de arrendamento com The Dolphin Company, operadora do parque desde 2022, citando "numerosas e reiteradas violações" contratuais e de bem-estar animal.
O condado apresentou em junho daquele ano uma ação para desalojar a empresa dos terrenos públicos, após acusações de deterioração das instalações e cuidado inadequado de diversas espécies, incluindo golfinhos, pinguins e leões-marinhos.
A decisão foi respaldada por inspeções do USDA que detectaram irregularidades: desde altos níveis de bactérias nas piscinas e más condições dos recintos até animais doentes sem o devido atendimento, formigas na clínica veterinária e água parada com algas em áreas dos flamingos.
Um relatório de janeiro de 2024 revelou, por exemplo, que um golfinho chamado Ripley foi encontrado com um prego na garganta, enquanto outro, Bimini, tinha um parafuso quebrado na boca.
Também foi documentado o caso de Sushi, uma leoa-marinha da Califórnia com problemas de visão que não recebeu a cirurgia necessária a tempo.
Em outubro de 2024, um juiz civil rejeitou uma tentativa do condado de despejar imediatamente a operadora, ordenando, em vez disso, que as partes buscassem mediação e que a empresa continuasse a pagar o aluguel pontualmente.
A Dolphin Company defendeu sua gestão, classificou a demanda como "infundada e com motivações políticas" e afirmou ter corrigido a maioria das violações, acusando o condado de obstruir a emissão de alvarás de construção para realizar melhorias.
Enquanto isso, a pressão pública aumentou. Em fevereiro de 2024, a PETA organizou protestos pedindo a rescisão do contrato, reforçando a percepção de que o Seaquarium não podia se sustentar sob o mesmo modelo.
Um futuro distinto para Virginia Key
A seleção do Terra Group frente ao Integra Investments, seu concorrente na disputa, marca um ponto de inflexão.
Se os planos se concretizarem, o Seaquarium abrirá caminho para um projeto que combina conservação, educação e recreação, com a Baía de Biscayne como protagonista e sem espetáculos com mamíferos marinhos.
Com quase 70 anos de história, cerca de 1.000 animais e 148 trabalhadores, a instalação se prepara para um fechamento que marcará o fim de uma era conturbada e abrirá outra que, segundo seus promotores e autoridades locais, buscará um equilíbrio entre memória, sustentabilidade e futuro.
Perguntas frequentes sobre o fechamento e transformação do Miami Seaquarium
Por que o Miami Seaquarium vai fechar no final de 2025?
O Miami Seaquarium fechará no final de 2025 para se transformar em um novo aquário sem mamíferos marinhos. A decisão é motivada por um ambicioso projeto de reconversão que busca oferecer experiências aquáticas imersivas, um centro de educação e conservação, e serviços de entretenimento respeitosos com o meio ambiente. A mudança também é uma resposta às críticas e denúncias de maus-tratos a animais que marcaram a história recente do Seaquarium.
O que acontecerá com os animais do Miami Seaquarium após seu fechamento?
Os animais residentes do Miami Seaquarium serão transferidos para novos lares assim que o parque fechar. A Terra Group, a empresa responsável pela transformação do Seaquarium, assegurou que garantirá um cuidado seguro a todas as espécies durante o processo de transição.
Que mudanças são esperadas nas instalações do Miami Seaquarium?
O novo projeto do Seaquarium incluirá um aquário acreditado sem mamíferos marinhos, um centro de educação e conservação, e espaços de bem-estar à beira-mar. Também estão previstas áreas verdes, um calçadão público, lojas e restaurantes especializados em produtos do mar. A icônica cúpula de Buckminster Fuller será preservada e transformada em um espaço para eventos.
Como foi recebido o projeto de reconversão do Seaquarium pelas autoridades locais?
As autoridades locais apoiaram o projeto de reconversão do Seaquarium. A prefeita de Miami-Dade, Daniella Levine Cava, e a comissionada Raquel Regalado o classificaram como um "grande passo à frente" para o condado, destacando seu potencial para abrir um novo capítulo na educação sobre a vida marinha e a preservação da Baía de Biscayne.
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