Artemisa planta menos da metade da cana planejada e o preço do açúcar continua aumentando

Artemisa planta menos da metade da cana prevista e o açúcar continua a encarecer

ZafraFoto © Facebook / Granma

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A província de Artemisa, uma das que tem maior tradição na cana-de-açúcar em Cuba, enfrenta um novo fracasso no plantio de cana, com apenas 814 hectares plantados de um plano de mais de 1.700 para esta fase, o que equivale a 47 % do objetivo.

O atraso no plantio, aliado à escassez de combustível, à falta de insumos e aos pagamentos em atraso aos produtores, prevê outra safra deficitária no oeste cubano, enquanto o açúcar continua encarecendo para o consumidor.

Nas Mipymes e mercados informais, o preço do açúcar importado oscila atualmente entre 500 e 600 pesos por quilograma, dependendo da cotação do dólar no mercado informal, moeda que dita o ritmo da economia diária de milhões de cubanos.

O camponês Joel Collazo Apaceiro, da cooperativa Marcos Martí, em San Cristóbal, explicou ao veículo Artemisa Diario que assumiu o plantio de 39 hectares, dos quais apenas 26 estão em produção.

Embora tenha conseguido entregar 2.080 toneladas de cana para a indústria 30 de Novembro, ainda não recebeu o pagamento correspondente, que ultrapassa quatro milhões de pesos.

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“Cada safra é igual: o contrato é violado e não se paga. E continuamos na labuta”, lamentou o produtor. Além disso, denunciou que nem mesmo receberam luvas, botas ou roupas de trabalho, e que todos os insumos devem ser financiados pelo próprio camponês.

Em condições semelhantes trabalha a brigada de apoio da cooperativa Victoria de Girón. Alfredo Gutiérrez Oceguera, um de seus integrantes, criticou a falta de motivação e o abandono do setor: “Este setor perdeu o sentido de pertencimento. Aqui não há continuidade, só restam rugas. Apenas um jovem no sulco”, disse.

Esse jovem, Luis Alberto Gutiérrez Valdés, de 33 anos, reconhece que se mantém por compromisso familiar, mas denuncia a precariedade das condições de trabalho. Cada jornada é paga a razão de 500 pesos, sem garantias de alimentação nem transporte.

Em relação aos resultados industriais, o central 30 de Novembro produziu apenas 3.018 toneladas de açúcar na safra 2024-2025, longe de seu plano inicial de 7.946 toneladas.

O rendimento médio foi de apenas 6 toneladas por hectare, e o aproveitamento industrial não superou os 21 %.

O outro centro ativo, Harlem, em Bahía Honda, está planejado apenas para produzir meladura a partir de novembro. O sindicato do setor na província confirmou que boa parte de seus afiliados foi realocada para outras atividades agropecuárias ou abandonou o setor.

“Os trabalhadores recebem um salário simbólico e devem solicitar créditos à AzCuba que precisam ser devolvidos no final do ano, se houver receitas”, explicou Willian Cabrera Gandoy, secretário do Sindicato Açucareiro em Artemisa.

O diretor da Empresa Agroindustrial Açucareira 30 de Novembro, Roberto Meléndez Aguiar, admitiu que a safra começou com 34 dias de atraso devido à falta de combustível. Em abril, a usina havia produzido 1.762 toneladas, e o plano foi reajustado para 2.666, que também não foi cumprido.

Artemisa volta a figurar entre as províncias inadimplentes, tanto na produção quanto no plantio, e as previsões para a safra de 2026 não são animadoras.

Sem mudanças estruturais, a indústria açucareira cubana continua se distanciando dos níveis que um dia definiram a economia nacional.

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