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Os envios de remessas dos Estados Unidos para países da América Central tiveram um aumento significativo nos últimos meses, impulsionados pelo medo de possíveis deportações em massa sob a atual administração do presidente Donald Trump.
Especialistas entrevistados pela Univisión Miami explicam que muitos imigrantes centro-americanos estão enviando mais dinheiro para suas famílias com o objetivo de criar uma base econômica que lhes permita retornar aos seus países de origem caso sejam expulsos do território americano.
Esta tendência, apontam, responde ao endurecimento das políticas migratórias impulsionadas por Trump, que incluem batidas, deportações aceleradas e restrições adicionais aos benefícios migratórios.
Ante esse panorama, milhares de trabalhadores buscam ofícios extras para aumentar suas receitas e assim poder enviar remessas de maneira mais frequente.
As remessas aumentam até 20%
Dados do Banco Central e do Conselho Monetário Centro-Americano refletem que as remessas para Guatemala, Honduras, Nicarágua e El Salvador cresceram, em média, 20% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Em muitos lares desses países, os fundos enviados do exterior representam a única fonte de renda para cobrir necessidades básicas.
Apesar do esforço dos migrantes, os recursos nunca são suficientes, devido ao alto custo de vida na região e à dependência que muitas famílias desenvolveram em relação a essas remessas.
México: um caso distinto
A diferença de Central América, no México, as remessas diminuíram em 7%. O analista político José Luis B. Garza explicou que entre os fatores que contribuem para essa queda está o retorno voluntário de muitos migrantes mexicanos ao seu país diante do clima hostil que enfrentam nos Estados Unidos.
Garza também apontou que parte das remessas provenientes de atividades ilícitas não são registradas em canais oficiais, o que contribui para uma aparente queda. Além disso, foi detectado um aumento no uso de vias informais para o envio de dinheiro, o que impede uma contabilização adequada do fluxo econômico real.
Novo imposto de 1% a partir de 2026
A administração Trump impôr à partir de janeiro de 2026, como parte de sua política migratória, um imposto de 1% sobre todas as remessas enviadas dos Estados Unidos.
Esta medida afetará milhões de imigrantes. Tem sido criticada por organizações defensoras dos direitos humanos e por comunidades no exílio, mas o governo dos Estados Unidos se mantém firme na decisão.
O caso de Cuba: Ativismo pede a suspensão de remessas para colapsar o regime
No caso cubano, a maioria das remessas é gerida por agências privadas que entregam o dinheiro em espécie diretamente aos familiares na ilha, diante da impossibilidade de usar canais bancários formais devido às restrições existentes ou por serem excessivamente caros.
O apresentador e ativista Alexander Otaola reiterou em agosto seu chamado a um “paron total” de remessas, viagens e ajudas para Cuba, argumentando que isso poderia derrubar o regime em menos de três meses.
Otaola exortou a comunidade cubana no exílio a inundar de e-mails e chamadas os escritórios de congressistas e senadores americanos, especialmente na Flórida, para exigir a interrupção total do fluxo econômico para a ilha.
“Parar as viagens, parar a ajuda, parar os voos, parar as recargas, parar tudo… A ditadura não consegue sustentar isso por três meses com tudo fechado”, afirmou o influenciador.
Perguntas frequentes sobre o aumento das remessas dos EUA para a América Central e o imposto sobre as remessas
Por que aumentaram as remessas dos EUA para a América Central?
As remessas aumentaram pelo temor de possíveis deportações em massa sob a administração de Donald Trump. Muitos imigrantes centro-americanos estão enviando mais dinheiro para suas famílias para criar uma base econômica caso sejam expulsos dos EUA. Este aumento se deve ao endurecimento das políticas migratórias, que incluem operações policiais e deportações aceleradas.
Qual é o impacto do novo imposto de 1% sobre as remessas?
O imposto de 1% afetará as remessas enviadas exclusivamente em dinheiro, ordens de pagamento ou cheques administrativos. Este tributo começará a ser aplicado em janeiro de 2026 e busca arrecadar recursos como parte do pacote legislativo "One Big Beautiful Bill". As transfers eletrônicas e bancárias estarão isentas, o que pode estimular o uso de canais digitais para evitar o imposto.
Como a diminuição das remessas afeta o México?
No México, as remessas diminuíram 7% devido ao retorno voluntário de muitos migrantes. Essa queda também se deve ao uso de maneiras informais para o envio de dinheiro, o que impede a contagem adequada do fluxo econômico. Além disso, a presidente Claudia Sheinbaum anunciou um reembolso de 1% do imposto através da Financiera del Bienestar para mitigar o impacto.
Que medidas estão sendo tomadas em relação a Cuba no que diz respeito às remessas?
Há um apelo por uma "paralisação total" das remessas para Cuba como pressão contra o regime. O ativista Alexander Otaola promove a interrupção de remessas, viagens e ajudas para colapsar o regime cubano. Este apelo se alinha com outras políticas restritivas impulsionadas pela administração Trump, que busca cortar o fluxo econômico para a ilha.
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