Díaz-Canel parabeniza sua segurança pessoal

Díaz-Canel está sempre rodeado de seguranças, dentro e fora de Cuba. O esquema de segurança ao seu redor é mais ostentoso do que o que Fidel Castro utilizava em suas visitas.

Díaz-Canel cercado por sua segurança pessoalFoto © Facebook / Miguel Díaz-Canel Bermúdez

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Miguel Díaz-Canel voltou a gerar polêmica ao felicitar publicamente em suas redes sociais sua equipe de segurança pessoal, a mesma que o acompanha em cada visita dentro de Cuba e em cada viagem ao exterior, com um despliegue que muitos consideram desproporcional e típico de ditadores temerosos.

"Felicidades aos meus companheiros do dia a dia, da Segurança Pessoal, homens leais e corajosos, que, à prova das batalhas mais difíceis, protegeram nossos líderes históricos de tantos perigos e hoje continuam na linha de frente, com a mesma dedicação. Forte abraço", escreveu.

No entanto, a mensagem não provocou admiração, mas sim indignação.

Nos comentários da publicação, os cubanos lembraram a dramática diferença entre a vida de luxo e proteção do mandatário e a realidade de um povo empobrecido.

"Felicidades a todas essas mães que têm que fazer mágica para levar um prato de comida aos seus filhos", escreveu um cubano dos EUA.

Outros foram mais diretos: "Parabéns a todos esses assassinos, que vivem com o dinheiro do povo, e à Lis que anda com sapatos de 2.500 dólares, enquanto o povo morre de fome," disse outro emigrante.

"É normal que você veja isso, todos querem você a três metros abaixo da terra, no mínimo", disse um usuário no X.

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Um despliegue digno de ditaduras

Díaz-Canel viaja constantemente rodeado de seguranças, tanto dentro quanto fora do país.

Segundo imagens divulgadas na Internet, em Cuba ele é acompanhado por pelo menos oito agentes, três caminhonetes BMW de alta gama e um veículo de maior porte.

Trata-se de um espetáculo que até supera em ostentação o que Fidel Castro utilizava em suas visitas.

Os vídeos que circulam mostram sempre o mesmo roteiro: o governante chega a um município, se rodeia de oficiais que impedem os cidadãos de se aproximarem livremente, cumprimenta apressadamente, tira uma foto ou conversa com dirigentes locais, e em poucos minutos se refugia de novo em sua caravana de luxo.

Não há espaço para a espontaneidade nem para ouvir um povo que sofre com apagões diários, fome e doenças sem o devido atendimento médico.

Os operativos oficiais incluem o deslocamento de dezenas de "clarias" - simpatizantes do governo - de outros municípios até o local onde se encontra o dirigente, para simular apoio popular.

Apesar de toda essa exibição de poder, os seguranças do ditador não estão isentos de falhas.

Em abril do ano passado, durante uma visita a um hospital em Matanzas, ocorreu uma confusão quando Díaz-Canel tomou a saída errada e os "segurosos" entraram em pânico.

Isso resultou em uma cena caótica na qual os seguranças, visivelmente nervosos, começaram a impedir a passagem das pessoas que caminhavam pelo local até que a comitiva presidencial seguiu em direção à saída.

Críticas de dentro e fora da ilha

As reações ao recente discurso de Díaz-Canel refletem o descontentamento generalizado.

"Não há comida em Cuba, as pessoas comem do lixo, as crianças pedindo dinheiro e você, gorda, com um celular de 1.500 dólares. Você é uma maldita vergonha", disparou um jovem.

Outra usuária escreveu: "O presidente do Chile pode ir do palácio de governo até sua casa de bicicleta e sem escoltas. Isso é possível apenas na democracia."

Enquanto o país bate recordes de miséria, com um salário miserável e uma crise de transporte que impede as pessoas de chegarem ao trabalho, Díaz-Canel se desloca com mais seguranças do que muitos chefes de Estado.

Sua prioridade é a segurança pessoal, não a segurança alimentar, sanitária ou econômica dos cubanos.

O contraste entre a Cuba real e o teatro que o regime tenta montar a cada visita fica mais uma vez evidente: um governante blindado que elogia seus seguranças, enquanto a população sobrevive entre apagões, filas intermináveis, fome e repressão.

Perguntas frequentes sobre o despliegue de segurança de Díaz-Canel e seu impacto em Cuba

Por que a segurança de Díaz-Canel gera críticas em Cuba?

A segurança de Díaz-Canel é vista como um despliegue desproporcional e típico de ditadores temerosos, contrastando com a realidade de um povo cubano que enfrenta pobreza e crise econômica. Esse contraste gera indignação entre os cidadãos, que criticam a falta de recursos destinados a melhorar suas condições de vida.

Como é o esquema de segurança pessoal de Díaz-Canel?

Díaz-Canel viaja rodeado de pelo menos oito agentes de segurança e três caminhonetes BMW de alta gama. Este deslocamento, mesmo dentro de Cuba, é projetado para protegê-lo e evitar o contato direto com a população, o que tem sido criticado por sua falta de espontaneidade e de escuta em relação às necessidades do povo cubano.

Qual é o impacto das felicitações de Díaz-Canel à sua equipe de segurança na opinião pública?

As felicitações de Díaz-Canel à sua equipe de segurança geraram indignação na opinião pública, pois são percebidas como uma demonstração do distanciamento entre a vida de luxo do mandatário e a realidade de um povo que sofre com carências básicas. Esse tipo de mensagem reforça a percepção de um governo desconectado das necessidades de seus cidadãos.

Como se compara o despliegue de segurança de Díaz-Canel com o de Fidel Castro?

O despliegue de segurança de Díaz-Canel supera em ostentação o de Fidel Castro. Enquanto Fidel Castro também contava com um esquema de proteção notável, as medidas atuais não apenas igualam, mas superam a ostentação das que eram utilizadas no passado, reforçando a percepção de um regime centrado na proteção de seus líderes em vez das necessidades do povo.

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