Um cubano compartilhou no TikTok um passeio por um agromercado de Havana, onde se pode apreciar uma ampla oferta de frutas, vegetais, grãos, refrigerantes e produtos embalados.
“Depois dizem que aqui não há nada, vejam. Cuba está cheia de coisas, o que falta é dinheiro, aqui tem de tudo”, comenta enquanto grava prateleiras cheias de abacaxis, mangas, melancias, tomates, cebolas, uvas e outros alimentos.
As imagens, que mostram refrigeradores com bebidas, garrafas de óleo, feijões em sacos e prateleiras abastecidas, contrastam com a escassez habitual que os consumidores denunciam na ilha. No entanto, a reação nos comentários do vídeo reflete uma realidade diferente: o acesso econômico a esses produtos.
“Meu irmão, sem querer te criticar, me diga com que dinheiro conta um cubano comum que vive de um salário”, escreveu um usuário. Outro acrescentou: “Sim, há, mas o que não têm é liberdade nem dinheiro para comprar essas coisas.”
A crítica mais repetida foi a desconexão entre a existência de produtos e a impossibilidade de adquiri-los. “O salário de um aposentado é de 1.500 pesos. E então como é a história? Vergonha é o que falta, que dinheiro nem dinheiro, aí ninguém consegue comprar, parceiro”, apontou outro comentário.
A publicação reavivou o debate sobre o alto custo de vida em Cuba, onde a inflação e a desvalorização do peso cubano elevaram os preços nos mercados agropecuários, muito acima dos salários estatais, que continuam sendo a principal fonte de renda para a maioria da população.
Perguntas frequentes sobre a situação econômica e alimentar em Cuba
Por que há produtos nos mercados de Cuba se os cubanos dizem que não há nada?
Em Cuba, os mercados podem estar abastecidos, mas os produtos são inacessíveis para a maioria da população devido aos altos preços e aos baixos salários. A inflação e a desvalorização do peso cubano elevaram os preços, fazendo com que, embora haja produtos nas prateleiras, poucos consigam comprá-los. O salário estatal, que é a principal fonte de renda para muitos cubanos, não é suficiente para cobrir as necessidades básicas.
Como a economia cubana afeta o acesso a alimentos?
A economia cubana afeta negativamente o acesso a alimentos devido à inflação, à depreciação do peso e aos baixos salários. Os preços dos produtos básicos são tão altos que um salário médio não é suficiente para cobrir uma dieta mínima. Além disso, o sistema de racionamento colapsou, e muitos produtos essenciais não estão disponíveis ou são muito limitados.
Qual é o impacto da dolarização de certos comércios em Cuba?
A dolarização de certos comércios em Cuba aprofunda a desigualdade econômica, pois apenas as pessoas que recebem remessas ou têm acesso a divisas podem comprar nesses locais. Esses comércios aceitam apenas pagamentos em dólares ou cartões carregados do exterior, excluindo a maioria dos cubanos que recebem em pesos. Isso cria um mercado paralelo e uma percepção de injustiça, já que enquanto alguns conseguem acessar produtos importados, outros lutam para conseguir o básico.
Qual é o salário mínimo em Cuba e como ele se compara ao custo de vida?
O salário mínimo em Cuba é de aproximadamente 2.100 pesos cubanos, o que equivale a cerca de 17 dólares na taxa de câmbio informal. Esse rendimento é insuficiente para cobrir sequer uma dieta básica, uma vez que se calcula que um cubano precisa de pelo menos 30.000 pesos por mês para se alimentar. A disparidade entre rendimentos e custos de vida reflete a grave crise econômica que o país enfrenta.
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