O Departamento de Defesa dos Estados Unidos denunciou nesta sexta-feira que dois aviões de combate F-16 da Força Armada Nacional Bolivariana (FANB) sobrevoaram o destróier USS Jason Dunham enquanto navegava em águas internacionais do Mar Caribenho.
A manobra foi qualificada pelo Pentágono como uma "ação altamente provocadora", destinada a interferir nas operações antinarcóticos e antiterroristas realizadas pela Marinha dos Estados Unidos na região.
"Recomenda-se enfaticamente ao cartel que controla a Venezuela que não faça nenhum outro esforço para obstruir, dissuadir ou interferir nas operações antinarcóticos e antiterroristas realizadas pelo exército dos Estados Unidos", advertiu o Pentágono em um comunicado publicado em sua conta oficial no X (anteriormente Twitter).
O governo de Nicolás Maduro assegurou que não teme às ameaças de Washington.
Em um vídeo divulgado pela Força Armada Nacional Bolivariana (FANB) nas redes sociais, é possível ver os caças F-16 venezuelanos sobrevoando em baixa altitude um navio de guerra, identificado posteriormente como o USS Jason Dunham.
Maduro, durante uma inusitada conferência de imprensa em Caracas, acusou os Estados Unidos de "buscar uma mudança de regime por meio de ameaças militares".
Em resposta ao incidente, a administração do presidente Donald Trump ordenou o desdobramento de 10 aeronaves stealth F-35 em uma base aérea em Porto Rico, com o objetivo de reforçar a campanha militar contra organizações narcoterroristas que operam no sul do Caribe. As aeronaves chegariam à região no final da próxima semana, de acordo com informações de fontes oficiais à agência Reuters.
O USS Jason Dunham faz parte de uma flotilha de pelo menos sete navios de guerra americanos destacados no Caribe, com mais de 4.500 fuzileiros navais e marinheiros a bordo.
Em paralelo, tropas da 22.ª Unidade Expedicionária de Fuzileiros Navais têm realizado treinos anfíbios e operações de voo no sul de Porto Rico.
As tensões entre Washington e Caracas se intensificaram nos últimos meses, em meio aos esforços da Casa Branca para vincular o regime de Nicolás Maduro ao narcotráfico internacional. Trump acusou o mandatário venezuelano de liderar diretamente o grupo criminal Tren de Aragua, declarado organização terrorista por seu governo em fevereiro.
Na terça-feira, um ataque militar americano no Caribe provocou a morte de 11 pessoas e o afundamento de uma embarcação venezuelana, supostamente envolvida no transporte de drogas.
O secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, defendeu a operação e afirmou que "a intoxicação do povo americano chegou ao fim".
Perguntas frequentes sobre o confronto entre os EUA e a Venezuela no Caribe
Por que os caças venezuelanos sobrevoaram o destróier americano USS Jason Dunham?
Os caças venezuelanos sobrevoaram o destróier USS Jason Dunham como uma ação provocadora, de acordo com o Pentágono, com o objetivo de interferir nas operações antinarcóticos e antiterroristas realizadas pela Marinha dos Estados Unidos no Caribe. Esse tipo de manobra aumenta as tensões entre os dois países, em um contexto de acusações mútuas relacionadas ao narcotráfico e à segurança na região.
Qual tem sido a resposta dos EUA diante das ações da Venezuela no Caribe?
Os EUA responderam ao sobrevoo de caças venezuelanos enviando 10 aviões furtivos F-35 a Porto Rico, como parte de um esforço para reforçar sua campanha militar contra organizações narcoterroristas no Caribe. Além disso, o deslocamento de uma frota naval significativa na região destaca o compromisso de Washington em combater o tráfico de drogas e pressionar o governo de Nicolás Maduro.
Como tem reagido o governo de Nicolás Maduro às ações dos EUA?
O governo de Nicolás Maduro qualificou as ações dos EUA como uma ameaça militar e política, acusando Washington de tentar uma mudança de regime por meio da pressão militar. Em resposta, Maduro mobilizou milicianos e manteve um discurso de defesa da soberania nacional, enquanto nega as acusações de estar vinculado ao narcotráfico.
Qual é o papel do "Cartel de los Soles" no conflito entre os EUA e a Venezuela?
O "Cartel de los Soles" é apontado pelos Estados Unidos como uma organização narcoterrorista sob o controle de Nicolás Maduro, o que tem sido um ponto central nas tensões. Washington acusa o cartel de traficar cocaína para os EUA e Europa, utilizando sua influência no governo venezuelano, o que justifica, segundo eles, o envio militar ao Caribe para combater essas operações ilícitas.
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