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A província de Matanzas começa o ano letivo 2025-2026 com uma deficiência de 2.033 docentes em todos os níveis de ensino, uma carência que as autoridades tentam suprir com contratos por hora, estudantes universitários e pessoal não especializado, apesar de que mais de 98.000 alunos voltarão às salas de aula em mais de 500 centros educacionais.
O déficit de docentes foi confirmado pela subdiretora geral de Educação Provincial, Eledis Abreu Domech, que precisou que de uma necessidade de 9.511 professores, apenas 7.478 vagas estão cobertas.
A alternativa, explicou, tem sido recorrer a 615 contratos por hora, 385 estudantes de programas como Educando por amor - contingente formado por estudantes universitários-, além de bibliotecárias, psicólogos, fonoaudiólogos e especialistas em produção.
Os municípios mais afetados são Matanzas, Colón e Cárdenas, onde até mesmo o IPVCE começa com a falta de 10 professores em disciplinas chave como Matemática, Espanhol, Biologia e Informática, informou o jornal oficial Girón.
As autoridades também reconhecem que a formação pedagógica é a área mais afetada, com apenas 191 novos ingressos, um número que compromete a reposição de vagas nos próximos anos.
Enquanto isso, as famílias esperam por "bons professores" para seus filhos, embora a maioria dos jovens evite se matricular em cursos de pedagogia.
O panorama se complica com a ausência de livros impressos -faltam 19 títulos a serem entregues- para os anos em que se aplica o Terceiro Aperfeiçoamento, a realocação de estudantes em pelo menos cinco instituições devido a problemas construtivos e a falta de uniformes em níveis como o décimo ano.
A isso se somam queixas por medidas incorretas e a persistente crise de transporte e alimentação nos centros internos.
Apesar dos problemas, as autoridades locais garantem que a base material mínima está assegurada, "os cadernos do curso completo com norma ajustada" e dois lápis por estudante, além de recursos básicos para alunos em situação de vulnerabilidade.
O curso será inaugurado oficialmente com um ato na escola primária René Fraga Moreno, na capital provincial, dediado ao centenário de Fidel Castro (1926-2016).
A província de Sancti Spíritus também começará o ano letivo 2025-2026 com aproximadamente 2.000 vagas de professores não preenchidas, o que se traduz em apenas 68% de cobertura docente, afetando diretamente a qualidade do ensino.
Assim, Camagüey enfrenta o novo período letivo com um déficit superior a 2.000 professores, o que equivale a uma cobertura de apenas 75,5%, para atender cerca de 98.000 alunos matriculados.
Cuba iniciou o ano letivo 2024-2025 com um déficit de 24.000 professores, em um contexto de elevado êxodo migratório, além de uma inflação galopante e salários e pensões baixos, como parte da crise multissistêmica na qual a ilha se encontra mergulhada.
Mais de 1,5 milhões de estudantes cubanos se preparam para iniciar no dia 1 de setembro um novo ano letivo em meio a apagões, déficit de uniformes e o deterioro das infraestruturas educativas.
Citada pelo portal oficialista Cubadebate, a ministra da Educação, Naima Ariatne Trujillo Barreto, admitiu que a abertura depende de “soluções criativas” e do apoio comunitário.
Contrastou que, por exemplo, Santiago de Cuba assegura 99% de cobertura docente, mas que não existe homogeneidade no país e que muitas salas de aula só puderam ser preparadas graças a cooperativas, empresas locais e famílias.
A indústria têxtil também não conseguiu atender à demanda. Dos mais de 3,6 milhões de uniformes previstos, foram produzidos apenas 2,2 milhões.
Na última quarta-feira, o programa de televisão Mesa Redonda informou que a própria Trujillo disse que os estudantes cubanos deverão compartilhar um mesmo caderno entre duas matérias, a partir da denominada “norma ajustada”, reflexo da precariedade que permeia a educação pública.
Isso equivale a dizer que cada criança do ensino fundamental terá três cadernos para seis matérias, ou que no ensino médio terá que cortá-los ao meio para que sejam suficientes. E se a família não conseguir pagar os 200 CUP que custa um caderno no mercado negro, o estudante terá que se virar como puder.
Perguntas frequentes sobre o déficit de professores em Cuba e o início do ano letivo
Qual é o déficit de professores em Matanzas para o ano letivo de 2025-2026?
Matanzas começa o ano letivo 2025-2026 com um déficit de 2.033 docentes. Essa falta afeta todos os níveis de ensino na província, uma situação que as autoridades tentam mitigar por meio de contratos por hora, estudantes universitários e pessoal não especializado.
Quais medidas estão sendo tomadas para enfrentar a falta de professores em Cuba?
Estão sendo utilizados contratos por hora, estudantes universitários e pessoal aposentado. Além disso, estão sendo incorporados profissionais de outras áreas para cobrir temporariamente as vagas, embora essas medidas sejam consideradas paliativas e não resolvam o problema de fundo.
Como o déficit de uniformes afeta o início do ano letivo em Cuba?
Somente foram produzidos 2,2 milhões dos 3,6 milhões de uniformes necessários. Isso levou a priorizar certos graus iniciais, enquanto o restante dos estudantes depende de uniformes herdados ou do mercado negro, onde os preços são proibitivos para muitas famílias.
Qual é a situação dos materiais escolares, como cadernos, para o ano letivo de 2025-2026 em Cuba?
Os estudantes deverão compartilhar um caderno entre duas disciplinas devido à escassez. Esta medida, conhecida como “norma ajustada”, reflete a precariedade do sistema educacional, onde as famílias que não podem arcar com cadernos adicionais no mercado negro enfrentam sérias dificuldades.
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