Cohiba lança edições de luxo no Paraguai, enquanto em Cuba as pessoas não encontram nem um cigarro

Cohíba lança edições de luxo no Paraguai, enquanto em Cuba os charutos escasseiam e alcançam preços exorbitantes.

Tabacos da marca Cohíba (Imagem de Referência)Foto © Collage/Facebook/Tony Pichs e Marlenis Manero Betancourt.

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Enquanto em Cuba os fumantes fazem filas intermináveis ou pagam preços exorbitantes no mercado informal para conseguir um maço, no Paraguai a Cohíba celebrou com glamour o lançamento de suas novas edições limitadas.

Segundo o relatório do jornal La Nación, na última quinta-feira, 28 de agosto, o Hotel Dazzler de Assunção foi palco de uma noite exclusiva chamada “A Noite dos Cuban Mini Cigars”.

Ali foram apresentados produtos de luxo como o Cohíba Short Humidor Year of the Snake 88 LE, o Cohíba Club 60 LE e o Cohíba Wide Short, a versão mais robusta do clássico Cohíba Short.

O evento reuniu convidados selecionados, distribuidores e clientes VIP, que degustaram os novos minipuritos harmonizados com uísques e rums premium.

“É um grande orgulho poder dizer que o Paraguai está à altura de outros grandes mercados de charutos”, afirmou Ricardo Olmedo, chefe comercial da Habacorp, citado por Diario Hoy.

A cita, com música, brindes e distinção, buscou reafirmar “a atualidade e o valor cultural do tabaco cubano no Paraguai”, mencionam esses meios de comunicação em seus relatos.

No entanto, a cena de luxo vivida em Assunção contrasta brutalmente com a realidade cubana. Na ilha, fumar, apesar do dano que causa à saúde, se tornou um privilégio inalcançável para muitos.

Durante uma visita à Fábrica H. Upmann no mês passado, Miguel Díaz-Canel afirmou que o tabaco é "o principal produto exportável de Cuba", e que o modelo econômico deste setor "é o melhor que temos a nível nacional".

No obstante, nas bodegas estatais as caixas brilham pela sua ausência e os preços no mercado informal multiplicam-se até por 20.

Uma caixa de Popular sem filtro, que oficialmente custa 30 CUP, pode chegar a 600 pesos. Os fumadores que preferem H. Upmann pagam entre 1.200 e 1.500 CUP. A escassez levou muitos a racionar comprando cigarros avulsos, enquanto o governo se gaba de superávit na produção.

Crise de produção e fraudes

Os problemas não terminam nos preços. A Empresa de Cigarros Lázaro Peña anunciou em julho que, por falta de insumos, os Criollos seriam embalados em maços de outra marca, uma medida improvisada que evidencia as dificuldades na produção.

E nos mercados informais, a desesperação abre as portas para a fraude. No popular centro comercial de La Cuevita, em San Miguel del Padrón, foram denunciadas fraudes com cartuchos de H. Upmann recheados de serragem.

“Veja que tipo de golpe é esse... a falta de respeito que estamos vivendo aqui nós, cubanos”, reclamava um comprador em um vídeo viral.

O tabaco continua sendo o cartão de visita da ilha no mundo, mas para muitos cubanos se tornou um luxo impossível, uma paradoxa que retrata o contraste entre a vitrine internacional e a dura realidade nacional.

Perguntas frequentes sobre a situação do tabaco em Cuba e o lançamento da Cohíba no Paraguai

Por que em Cuba há escassez de cigarros enquanto Cohíba lança edições de luxo no Paraguai?

A escassez de cigarros em Cuba se deve a problemas de produção e distribuição, enquanto a empresa Cohíba lança edições de luxo no exterior para aproveitar mercados onde o tabaco cubano tem alta demanda. Em Cuba, os preços no mercado informal disparam devido à falta de insumos, o que contrasta com os eventos de luxo em outros países como o Paraguai.

Como a situação econômica de Cuba afeta a disponibilidade de produtos básicos como cigarros?

A situação econômica de Cuba, marcada pela escassez e pelos altos preços no mercado informal, afeta gravemente a disponibilidade de produtos básicos como cigarros. Apesar do potencial exportador do tabaco, os cubanos enfrentam escassez e fraudes na compra desses produtos, o que reflete um sistema econômico ineficiente e centrado na exportação, em vez de no consumo interno.

Quais medidas está tomando o governo cubano para melhorar a produção de tabaco?

O governo cubano iniciou algumas medidas para melhorar a produção de tabaco, como recuperar infraestruturas danificadas e aumentar a produção agrícola. No entanto, essas ações não resolveram a escassez de cigarros no mercado local e o foco continua a ser priorizar a exportação, o que deixa os consumidores cubanos em uma situação desfavorável.

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